CURSO DE FORMAÇÃO PASTORAL GRATUITO!
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SUMÁRIO:
1- Administração Eclesiástica
2- Ocupação do Pastor
3- Como preparar mensagens Bíblicas
4- A Igreja Modelo
5- As características da Igreja Verdadeira
6- Ação social e Politica nas Igrejas
7- Ministérios Eclesiásticos
8- Disciplinas Espirituais
9- As Promessas de Deus
10- As Igrejas e as obrigações perante a lei
11- Igrejas Neo Pentecostais
12- Pentecostal ou Neo Pentecostal
13- Submissão à autoridade
14- Tipos de oração
15- Sinais do tempo
16- A volta de Jesus
17- A estratégia do mal
18- A contribuição financeira
19- Prova
1- Administração Eclesiástica Apresentação: Figura estranha é o pastor. Não tanto pela aparência: terno, gravata e a Bíblia sustentada à altura do peito; mas pela função que exerce. É difícil definir qual é a função qual é a função exata do pastor. Ele é, no Brasil, um misto de gerente de igreja, conselheiro espiritual, pregador, psicólogo improvisado, teólogo de plantão e administrador de conflitos. Isto quando não é também o zelador da igreja. Nos ouvidos do pastor estoura tudo quanto é problema da igreja e dos irmãos, além das fofocas, intrigas e outras picuinhas. Alvo das maiores exigências morais e intelectuais é também objeto das maiores intransigências. Num pastor não se perdoa facilmente os mesmos erros cometidos por um irmão. O que faz com que pessoas se submetem a essas situações de livre e espontânea vontade? Para alguns (queremos crer que poucos) as inconveniências da função são apenas o preço necessário ao exercício do poder. Para outros (a maioria acreditamos) a única razão pela qual se sujeitam a essas situações é a compulsão irresistível de um chamado de Deus. É uma questão de vocação. Não há lugar onde o vocacionado possa se esconder que esteja longe demais para o chamado de Deus para que ele não ouça. Claro que isso não torna Deus responsável pelas agruras do pastorado. Ao contrário, a consciência da vocação é a força que o faz persistir teimosamente em continuar na função. Na vocação em si não há nada de especial. Ela é igual a qualquer outra vocação no Corpo de Cristo, a Igreja. A diferença está no exercício da função, pois cada membro tem o seu papel especifico para o desempenho saudável do corpo. Hoje, mais do que nunca, o povo de Deus necessita que seus lideres tenham consciência profunda da vocação para o serviço. Não apenas a liderança, mas o próprio povo é o grande vocacionado para o serviço, o alvo prioritário do chamado de Deus. Na socialização do chamado e da vocação está à salvação do pastor que, a continuar como está dificilmente escapa da úlcera ou de um enfarte. Cremos ser uma das tarefas do pastor trabalhar com seu povo no desenvolvimento dessa consciência para o serviço. Sem a visão de serviço ao próximo a igreja perde a razão de existir. Se o argumento eclesiológico não é suficiente então que seja por uma questão de auto defesa. Administração Eclesiástica Exôdo 18.13-22 Introdução: Administração: Ato de ministrar (Presidir). (I TM 3.4,5) Liderança eficaz é sinônima de administração eficiente. As duas coisas caminham juntas. A má administração nem sempre indica incompetência, preguiça ou relaxamento do líder. Pode indicar apenas a falta de uma metodologia correta de trabalho e de se organizar administrativamente. A boa administração se faz necessária em todas as áreas da nossa vida. I- A NECESSIDADE DE UMA BOA ADMINISTRAÇÃO Uma empresa qualquer só será bem sucedida se tiver uma boa administração. O mesmo acontece com a igreja, com nossos lares ou com outro empreendimento qualquer. Todos nós sabemos que a Igreja é um organismo vivo, sustentada e dirigida por nosso Senhor Jesus Cristo, a cabeça da Igreja. No entanto, devemos lembrar que ela é também uma organização que funciona como qualquer empresa: -Possui um estatuto; -Possui empregados remunerados; -Três pessoas que dão ordem; - Tem pessoas que recebem ordens; -Tem metas a serem alcançadas; -Possui bens móveis e imóveis; -Possui secretária; -Possui tesouraria; -É organizada em departamentos; -Presta relatórios estatísticos e contábeis, etc. Eis o porquê da necessidade de uma boa administração. Temos na Biblia exemplos de administração eficiente: -Na criação do universo (Gn 1.1-31;2.1,2) -No conselho de Jetro (Ex 18.19-27) -No conselho da congregação ao líder Esdras (Ed 10.10-14) -Na obra realizada por Neemias (Ne 2-7) II-CAUSA DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO Está diretamente relacionada com seu líder. Dentre muitas causas existentes, apontaremos apenas duas: 1.Líder exclusivista- “Por que te assentas só?” (V14) A pergunta feita pelo sogro de Moisés é óbvia: a)Moisés andava tão ocupado que não tinha tempo nem para a sua família que deixara aos cuidados do sogro (Ex 18.1-7) b)No meio de uma congregação de milhares de homens capacitados, Moisés assentou-se só para resolver todas as questões. (Ex 18.14); c)Filas enormes (Como as que temos visto nas repartições públicas), e o povo sem atendimento. (Ex 18.13) Moisés era exclusivista. Achava ser o único que Deus podia usar. Era o único capaz. 2.Lider centralizador-“É porque este povo vem a mim para consultar a Deus”. (V 15) Moisés era o culpado desta grande desordem e ineficiência no atendimento às pessoas, pois centralizou todas as causas, grandes e pequenas, em torno de si. “É porque este povo vem a mim.” O povo não tinha outra alternativa. III-EVIDÊNCIAS DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO Muitas vezes criticamos o Governo pela má administração do País. Cobramos das repartições públicas, maior agilidade no atendimento. No entanto, nos esquecemos de melhorar nossa própria administração dentro das Igrejas. Jetro pôde detectar a causa básica do problema na forma como Moisés conduzia a congregação: 1-Morosidade- “O povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde.” (v13) Por vezes temos ouvido comentários a respeito deste ou aquele líder de igreja ou congregação dizendo: “É um obreiro muito esforçado. Veja como trabalha, não tem tempo nem para sua família. Ele é um líder muito envolvido com a obra. Que dedicação.” Mas a boa administração nos ensina que trabalhando menos, podemos produzir mais. Apesar de Moisés estar atolado no serviço e de não tempo nem para a família, o povo estava sem atendimento. Centenas de pessoas, com problemas urgentes, tinham que aguardar durante o dia todo, a sua vez de ser atendido. Com certeza, muitos casos graves eram adiados para o dia seguinte, ou quem sabe, semana depois. Morosidade, lentidão, ineficiência no serviço, são indícios de uma má administração. IV- RESULTADO DE UMA MÁ ADMINISTRAÇÃO 1- Sobrecarga -“ Totalmente desfalecerá” (V 18) Os resultados são sempre os mais desastrosos possíveis: Irmãos que acabam indo para outra igreja, ou até mesmo se desviando, porque nunca foram visitados pelo pastor ou por um de seus representantes. Falta aconselhamento, as viúvas são desprezadas no ministério quotidiano (At 6.1) E apesar de tudo isso, o líder não tem tempo para descansar, está estressado, sua família não sabe o que é ter um pai e um esposo. A obra não cresce. Os problemas amontoam-se até explodirem em murmurações, contendas e divisões. Uma igreja nessas condições, não possui dinamismo e muitos dos seus líderes partiram cedo demais, porque contraíram doenças graves, resultantes deste “desfalecimento”. V-A BOA ADMINISTRAÇÃO Ficamos impressionados quando lemos: “ Vendo pois a rainha de Sabá toda a sabedoria de Salomão, e a casa que edificara, e a comida da sua mesa, e o assentar de seus servos, e o estar de seus criados, e os vestidos deles, e os seus copeiros...” (1 Rs 10.4,5), mas esquecemos que podemos tirar deste texto um ótimo exemplo de administração. Salomão recebeu de Deus, sabedoria para conduzir (presidir, administrar) o povo de Israel, conforme pediu. (1 Rs 3.9) Conhece-se um líder, se é bom administrador, observando a sua igreja. É importante que o líder saiba antes de tudo qual é o seu papel diante da igreja e quais são as suas atribuições. 1- O líder deve assumir a sua posição Por não saber administrar, por desconfiar da capacidade dos seus liderados, por falta de visão, por presunção, alguns líderes absorvem todo o trabalho da congregação, esquecendo-se das suas verdadeiras atribuições: a) Intercessor -’’Sê “tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus.” (v19) É necessário ser homem de oração. Após tomar conhecimento dos problemas, leva-los a Deus. Seu tempo não deve ser gasto fazendo aquilo que outros podem fazê-lo. Seu tempo deve ser usado na oração intercessora e na meditação Bíblica. (I Sm 12.23) b) Instrutor – “Faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer”. (V 20) c) Jesus Cristo soube fazer bem a esta distinção. Ele exigia dos discípulos que se fizessem suas tarefas (Mc 6.37,39-41), e deixassem com Ele, aquilo que outro não poderia fazer. (Mc 6.34,41) Os apóstolos elegeram diáconos para fazerem o trabalho auxiliar, a fim de que pudessem permanecer na oração e na ministração da palavra. (At 6.4) Jetro aconselhou Moisés a se libertar da carga excessiva e se ocupar em ensinar ao povo o caminho e mostrar (a cada um) o que deve fazer. A instrução religiosa e a doutrina Bíblica são atribuições do líder. (At 20.26-32; II Tm 4.2) 1.O líder deve dividir a carga Ninguém é insubstituível. A obra não para quando seu líder morre. Logo Deus levanta outro para dar continuidade. A nossa capacidade vem de Deus, e Ele capacita a quem quer e como quer. O obreiro não é um super-homem. Ele tem necessidades como outro ser humano qualquer. Ele se cansa e precisa de momentos de descontração, e a única maneira de dirimir o problema sem prejudicar a obra, é repartindo com cada membro da igreja, uma parcela do trabalho a ser realizado. Devem-se tomar as seguintes providências: a) Procurar auxiliares no meio do povo – “ E tu, dentre o povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza”. (v 21) É papel do líder, procurar auxiliares para que o ajudem no desempenho da tarefa. Por isso ele precisa da visão celestial, a fim de reconhecer aqueles a quem Deus tem capacitado para a obra. Escolhendo as pessoas erradas, ele cairá no mesmo fracasso, pois poderá contar com nenhum dos seus auxiliares, visto que não tem capacidade e não querem fazer nada. Esta é, sem dúvida, a explicação porque as igrejas estão cheias de “obreiros” infrutíferos. É importante frisar que os cooperadores devem ser procurados “ dentre todo o povo”. No seio da Igreja. Quais são as suas características, de acordo com o êxodo 18.21 e At 6.3?: 1)- Capazes – Homens qualificados espiritualmente, dotados de capacidade de liderança e conhecimento das coisas de Deus. (II Tm 2.2) Por vezes imaginamos que esta capacidade esteja apenas no intelecto, ou seja, na formação teológica do obreiro, mas as qualidades a seguir nos mostrarão que um leigo pode ser capacitado pelo Senhor como foram Pedro e Tiago, sendo simples pescadores. No Antigo Testamento encontramos o exemplo de Amós, um vaqueiro sem formação intelectual, mas designado para profeta de Deus. (Am 1.1; 7.14,15) A nossa capacidade vem de Deus (II Cor. 3.4-6) 2) – Tementes a Deus – É uma grande virtude do líder ou cooperador, fazer tudo no temor de Deus. No livro de Jó 28.28; está escrito: “ E disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e o aparta-se do mal é o entendimento. “ Ninguém pode fazer um ministério profícuo sem reconhecer a santidade de Deus e procurar viver de acordo com ela. 3)- Verazes- Qualidade fundamental para o servo de Deus, especialmente para aquele que está imbuído na obra. Ser verdadeiro ainda que com prejuízo próprio e nunca faltar com a verdade é condição preponderante para o sucesso espiritual, pois a mentira é filha do diabo e não pode fazer parceria com os servos do senhor. Haverá momentos em que impasses de grandes proporções só poderão ser resolvidos por homens capazes de dizer a verdade a qualquer preço. (Sl 15.1-4) 4)- Sem avareza- Em êxodo 20.17, temos uma ordem de Deus contra a avareza, que esta não deve praticada pelo seu povo, especialmente por homens que tem compromisso com seu serviço, pois o avarento nunca vai buscar o interesse da obra, ou de outro irmão e sim o seu próprio. (Sl 15.5) Leia também (At 20.33-36) 5)-De boa reputação- Não sejam “mascarados” e que andem em dia com seus negócios. Deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, honesto. (I Tm 3.2,8) Alguém, que seja respeitado no seio da congregação. 6)-Cheios do Espirito Santo- Isto é mais que ser batizado com o Espirito Santo. É necessário demonstrar na vida prática, nas pregações, nas orações, na comunicação, no amor, no equilíbrio, resultados convincentes. (Gl 5.22-26) 7)- Cheio de sabedoria- Refere-se a sabedoria de Deus (I Co 1.18-31;2.1-16), e não a sabedoria terrena, animal e diabólica (Tg 3.15). Isto não significa que devemos desprezar o conhecimento secular. b) Legando autoridade- “Põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez”. (v 21) A expressão: “ Põe-nos sobre eles”, equivale dizer: “Dê-lhes autoridade sobre o povo”. Qualquer um que tentar desenvolver alguma atividade na igreja, sem que seja primeiramente autorizado pelo líder, será tachado de presunçoso e atrevido. Será visto como alguém que quer passar “ o carro na frente dos bois”. Por isso é necessário que o líder autorize a tais cooperadores exercer cargos e atividades de liderança sobre outros. Atribuindo responsabilidades- “Todo negócio grave tragam a ti, mas todo o negócio pequeno eles julguem”. (v 22) Neste momento é importante lembrar-se da parábola dos talentos em Mateus 25.14,15, onde Jesus deixa claro que as pessoas chamadas tinham capacidades diferentes. Por isso, foram-lhes dadas atribuições diferenciadas. A um mais, a outro menos. O conselho de Jetro é coerente com este ensino de Jesus Cristo. Ele diz para Moisés distribuir cargos de lideranças de maneira diferenciada: “Maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez”. Em tudo que foi dito, o mais importante é lembrar que administrar bem, é repartir a carga com outros cooperadores, de maneiras que a obra seja realizada satisfatoriamente. Vejamos o conceito de alguns personagens Bíblicos, em relação a obra de Deus: a) Jetro- “Negócio mui difícil” (Ex 18.18) b) Neemias- “Uma grande obra”. (Ne 6.3) c) Apóstolos- “Importante negócio” (At 6.3) d) Paulo -“Excelente obra”. (I Tm 3.1) VI – RESULTADOS DE UMA BOA ADMINISTRAÇÃO São inúmeros os resultados benéficos, emergentes de uma boa administração. Além de promover maior dinamismo na obra, os membros se sentem mais confiantes na liderança, pois veem suas reivindicações atendidas no tempo certo. E por último: 1. O líder fica mais aliviado – “ A ti mesmo te aliviarás da carga”. (v 22) Um líder aliviado das pressões dos grandes problemas, que são comuns à grandes obras, tem mais tempo para refletir, para orar, para meditar na palavra de Deus, consequentemente, melhorará as suas pregações e os seus ensinamentos Bíblicos, acarretando em maior aprendizado para todos. Os grandes problemas serão trazidos pelos cooperadores ao líder e os problemas menores eles mesmos solucionarão. 2. Os liderados tornam-se mais participantes – “Eles a levarão contigo”. (v 22) “ A união faz a força”. Três pedreiros trabalhando juntos levantarão com maior eficiência, menos esforço e em tempo mais reduzido uma casa, do que um só pedreiro, por mais habilidoso e capaz que seja. Uma igreja bem administrada torna-se uma igreja operosa. (I Ts 1.3) Pois todos tem a oportunidade de participar. O dinamismo e o sucesso são garantidos. Conclusão: Aprendemos com os conselhos de Jetro. Foram conselhos sábios, orientados pelo próprio Deus e que funcionaram. Se você irmão está nessa situação, mude a sua história, mudando a maneira de administrar a obra. Reparta com outros a responsabilidade de levar a obra até o fim, quando então todos receberão a recompensa. (I Co 3.13,14;15.58) 3. A OCUPAÇÃO DO PASTOR A ocupação do pastor é descrita de duas formas: primeiro, de modo geral – pregar a Palavra; segundo, entrando em detalhes – redarguir, repreender, exortar. 1. Pregar a Palavra. A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças dos seu corpo e mente, é a pregação. Por fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam feitos aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que creem. Foi para isto que nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério. Ó, quanta honra deu Jesus à obra da pregação ao pregar nas sinagogas, no templo ou mesmo sobre as calmas águas do mar da Galiléia! Não fez Ele a este mundo o campo de Sua pregação? Esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso Ele deu este mandamento: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho”. Ó irmãos, esta é nossa grande obra! Boa coisa é visitar os enfermos, ensinar às crianças e vestir aos que estão nus. Bom é também atender ao ministério do diaconato, escrever ou ler livros. Porém, a principal e maior missão é pregar a Palavra. ”O púlpito – como disse Jorge Herbert – é nosso gozo e trono”. É nossa torre de alerta. Dela temos de avisar ao povo. A trombeta de prata nos tem sido concedida. O inimigo nos alcançará se não pregarmos o Evangelho. O Tema. A Palavra. Em vão pregamos se não pregarmos a Palavra, a verdade, tal como está em Cristo Jesus. A) Não há outro tema a nos ocupar. “Vós sois minhas testemunhas”. “Este (João Batista) veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz” (Jo 1:7). Não podemos falar de nada, senão só do que temos visto e ouvido de Deus. Não é obra do pastor aclarar temas da sabedoria humana ou expor suas próprias idéias ou teorias, mas só falar da glória e fatos do Evangelho. Devemos falar o que está contido na Palavra de Deus. B) Pregar a Palavra, especialmente as partes mais importantes. Se você estivesse com um moribundo e soubesse que ele tinha apenas meia hora de vida, de que lhe falaria? Explicaria alguma curiosidade da Bíblia? Falaria da exigências dos mandamentos de Deus? Não lhe falaria daquilo que é mais importante: sobre sua condição de perdido em que se acha por natureza e do seu estado de inimizade com Deus, urgindo-o a arrepender-se? Não lhe contaria a respeito do amor e da morte do Senhor Jesus Cristo? Não lhe diria do poder do Espírito Santo? São estas as coisas vitais que o homem deve receber, e sem as quais perecerá. Estes são os grandes temas da pregação. Não devemos pregar tal como fez Jesus aos discípulos de Emaús, iniciando desde Moisés e passando pelos profetas, e das coisas relativas a Ele mesmo? “Haja muito de Cristo no vosso ministério”, disse Eliot. Rowland Hill costumava dizer: “Olhe que não tenhas nenhum sermão sem os três R.: A Ruína da queda; a Justiça (righteousness, em inglês) em Cristo; e a Regeneração pelo Espírito”. Temos de pregar a Cristo para despertar as almas, confortá-las, e santificá-las. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14). C) Pregar exatamente o que há na palavra de Deus. Quero sugerir humildemente para consideração de todos os ministros que é nossa obrigação pregar a Palavra de Deus na forma em que se acha nas suas páginas sagradas. Não é a Palavra a espada do Espírito? Não deve ser nossa grande obra tomá-la da sua bainha, limpá-la de todo mofo que a cobre e aplicar seu penetrante fio nas consciências dos homens? Certamente nossos antepassados no ministério costumavam pregar desta maneira. Brow de Haddington costumava pregar como se ele não houvesse lido outro livro senão a Bíblia. A verdade de Deus em sua desnuda simplicidade é o que o Espírito desejará honrar e bendizer grandemente. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. 2. Redargüir, repreender, exortar. A primeira obra do Espírito sobre o coração natural é redargüi-lo do pecado. Mesmo que seja o Espírito de amor e a pomba seu símbolo, mesmo que seja comparado ao doce vento e à suave brisa, apesar de tudo, sua primeira obra é convencer os homens dos seus pecados. Se os pastores estão cheios do mesmo Espírito realizarão esta obra da mesma maneira. É o método que normalmente é usado por Deus: despertar aos homens e levá-los a desesperar de sua própria justiça antes de revelar-lhes a Cristo. Assim foi com o carcereiro de Filipos. Aconteceu o mesmo a Paulo que ficou cego por três dias. Todo fiel ministro deve esforçar-se por isto. Colocar o arado sobre o terreno e não semear entre cardos e espinhos. Os homens devem ser humilhados pela Lei para ver sua culpa e miséria. Se não for assim toda nossa pregação é como “desferindo golpes no ar” (I Co 9:26). Ó, irmãos! Tem sido este o nosso ministério? Cumprimos o ministério da Palavra sensível e claramente? Eu temo que a maioria de nossas congregações tenham membros seguindo um rumo equivocado, navegando a favor da corrente, estando a ponto de entrar na eternidade não convertidos e não nascidos de novo. Estes não nos agradecerão na eternidade pelo fato de termos falado só de coisas doces a seus ouvidos carnais. Não, talvez possam pedir-nos que falemos assim, agora, mas nos amaldiçoarão com todo ódio na eternidade. Ó, por Cristo, que cada um de nós seja achado fiel na pregação. Exortar. A palavra original significa consolar, falar como faz o Consolador. Esta é a segunda parte da obra do Espírito Santo, guiar a alma a Cristo para falar-lhe das boas novas. Esta é a obra mais difícil, ou a parte mais difícil do ministério cristão. João Batista fez também esta obra: “Eis o Cordeiro de Deus”. Isaías disse: “Consolai-os, consolai-os”. Tal foi a ordem do nosso Senhor: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura…”. As boas novas fazem formosos os pés dos que anunciam coisas boas (Rm 10:15). O pastor tem de pregar acerca de um todo poderoso, completo e livre Salvador divino. É aqui que há um defeito na pregação de minha amada Escócia de hoje. Muitos pastores estão acostumados a mostrar Jesus diante do povo. Expõem de forma clara e bela o Evangelho, porém não urgem aos homens para que entrem no reino. Mas Deus diz: Exorta! (roga aos homens); persuade-os! Não somente mostre a porta estreita aberta, mas insta-os a que entrem por ela. Ó, sejamos mais misericordiosos para com as almas, para que possamos por nossas mãos sobre os homens e os guiemos com suave a doce contato ao Senhor Jesus. 4. COMO PREPARAR MENSAGENS BÍBLICAS Como Preparar Mensagens Bíblicas Há alguns anos, o número de rapazes e moças que subiam ao púlpito para pregar era maior que o de hoje. Na sua simplicidade, falavam do amor de Deus, da Salvação e davam testemunho sob a unção do Espírito Santo. Hoje, parece que a figura do “preletor oficial” inibiu muitos de falarem com ousadia a Palavra de Deus. Parece que há um receio de falar diante de um público que, certamente, é mais intelectualizado que há alguns anos. Jovens pregadores ficam embaraçados e cometem certos deslizes, que poderiam ser evitados. Neste modesto trabalho, vamos dar apenas algumas sugestões, e não um estudo sobre a Homilética (Arte de Falar em Publico). I -O QUE PREGAR? É a comunicação verbal da Palavra de Deus aos ouvintes. É a transmissão do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo às pessoas que precisam ouvi-lo. II- QUAL A FINALIDADE DA PREGAÇÃO? É persuadir as pessoas a aceitarem a mensagem da Palavra de Deus para sua salvação (descrentes) ou para seu crescimento espiritual (crentes). Diante disso, o pregador precisa saber para quem esta falando: Para crentes ou para descrentes? III- QUE DEVE CONTER A PREGAÇÃO? Três coisas são básicas: 1. OBJETIVIDADE. Refere-se ao alvo a atingir. Se pregamos para descrentes, desejamos que eles entendam que precisam crer em Jesus para ser salvos. Devemos orar muito, antes de pregar, para que o Espírito Santo convença as pessoas do seu pecado. Se isso acontecer, a pregação alcança seu alvo. O centro da pregação deve ser Cristo e não o pregador, como acontece em certas cruzadas ou movimentos evangelísticos. Há pregadores que se perdem no púlpito. Começam a falar do amor de Deus, e passam a divagar sobre o Apocalipse, vão até Gênesis, aos profetas e, ao final, não sabem como sair do emaranhado de palavras. É preciso ter objetividade. 2. TRANSMISSÃO. O pregador deve procurar transmitir a mensagem de Deus às pessoas. Paulo disse: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei…” O mensageiro deve receber a mensagem de Deus e transmiti-la aos homens. Não deve ficar inventando mensagens, terias, filosofias para mostrar conhecimentos. 3. CONVICÇÃO. O pregador deve transmitir aquilo de que tem convicção, para que a mensagem seja aceita. Tem que viver aquilo que prega. IV – A BASE DA PREGAÇÃO (ou do sermão) 1. A PALAVRA DE DEUS A base da pregação deve ser a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Podemos dizer, em outras palavras que a base da pregação deve ser o TEXTO BÍBLICO . Ilustrações podem ser aproveitadas, desde que Que se relacionem com o tema da mensagem , mas não podem tomar o lugar da Palavra de Deus. Ouvimos um pregador que, não tendo êxito em “abalar” os ouvintes, apelou para uma história fantasiosa e tomou 80% do tempo destinado à mensagem. 2. QUE TEXTO ESCOLHER? O Pr. Elienai Cabral sugere (em resumo) 8 (oito) características para um bom tema a ser escolhido )p. 50-51). 1) De preferência textos que expressem um pensamento completo; 2) Textos claros. Devem-se evitar textos obscuros como Jd 6; Mt 27.52; 1 Pe 3.19-20 (exigem estudo mais profundo). 3) Textos objetivos: que atendam às necessidades espirituais das pessoas (Com oração e unção). 4) Textos sobre os quais não haja dificuldade para a interpretação (hermenêutica). 5) Textos dentro dos limites de capacidade do pregador. 6) Textos que expressem o tema da pregação para não fugir ao objetivo. 7) Texto que desperte interesse (Com oração, o Espírito mostra o que deve ser pregado). 8 ) Textos cuja seqüência seja de fácil acompanhamento pelo pregador e pelo auditório. V – A ESTRUTURA DA PREGAÇÃO ( Do sermão) Toda pregação com esboço ou não, deve ser dividida, basicamente, em duas partes: 1. INTRODUÇÃO. É a parte inicial da mensagem, pela qual o pregador entra em contato com o auditório. Visa despertar o interesse pela pregação; “prepara a mente dos ouvintes , para que possam compreender o assunto do sermão e as ideias a serem desenvolvidas…” (Key, p. 31). Uma boa introdução deve ser BREVE, SIMPLES, INTERESSANTE E APROPRIADA. (Cabral, p. 66) Conhecemos um grande pregador que gasta 30 ou 40 minutos na introdução. Isso cansa, principalmente os descrentes. A introdução não deve ir além de 10 ou 15% do tempo da mensagem. (Normalmente, o pregador sabe de quanto tempo dispõe, exceto em casos especiais). 2. CORPO (ou desenvolvimento) DA MENSAGEM (Do sermão). É a parte mais importante da mensagem. Ela deve conter a sequencia das ideias a serem apresentadas. No corpo do sermão ou da mensagem, podemos ter: 1) Ordem ou divisões (1º , 2º, 3º , etc.); 2) Transição de um pensamento para outro. As divisões devem ser de acordo com os objetivos da mensagem; devem-se evitar ” excesso de floreios”, “rodeios”, ou “conversa fiada”. O povo percebe. 3.CONCLUSÃO. É o auge da pregação. O seu clímax. Nela, o pregador faz a aplicação do que pregou no corpo do sermão. Nesse momento, o pregador e o auditório, pelo poder do Espírito Santo, devem chegar à conclusão de que a mensagem atingiu seu objetivo. Sem uma boa conclusão, o que foi dito pode perder o brilho. Uma conclusão pode ser feita através de: 1) Recapitulação. O pregador deve rever o que pregou, em resumo ou tópicos, evidenciando pensamentos-chave, pontos fortes da mensagem (Cabral, p. 70). 2) Narração. O pregador pode valer-se de um fato, uma rápida ilustração para comover o auditório, levando o descrente a uma decisão, na unção do Espírito Santo. 3) Persuasão . É a parte mais difícil da conclusão. Depende muito mais do Espírito Santo do que do pregador. Por isso, toda mensagem deve ter a unção do Espírito Santo. Para tanto, o pregador precisa orar muito, e até jejuar, diante de Deus, para que a mensagem atinja seu alvo. 4) Convite. Toda pregação deve terminar com um convite ou apelo, seja para pecadores, seja para a igreja. Um convite na unção do Espírito tem maravilhoso efeito no coração das pessoas. De acordo com Braga (p. 211-212), a conclusão deve ser breve e simples, e com palavras adequadas. Certo jovem pregou numa igreja. Ao fazer o apelo, não vendo ninguém atender, passou a contar que alguém ganhou um grande prêmio porque deu uma grande oferta para a Obra. Desviou totalmente o alvo da mensagem. VI – TIPOS DE SERMÕES 1. SERMÃO TEMÁTICO (Ou Tópico). É aquele “cujas divisões principais derivam do tema, independentemente do (Braga, p.17). Exemplo: Tema: “Causas para a Oração não Respondida”: 1) Pedir mal. (Tg 4.3); 2) Pecado não confessado (S1 66.18); 3) Duvidar da palavra de Deus (Tg 1.6-7); 4) Vãs repetições (Mt 6.7); 5) Desobediência à Palavra (Pv 18.9); 6)Mal relacionamento conjugal (1 Pe 3.7); 2. SERMÃO TEXTUAL É aquele em que as divisões principais do derivadas de um TEXTO constituído de UMA BREVE PORÇÃO DA BÍBLIA ( Braga, p. 30). Exemplo: Titulo: “O Único Caminho Para Deus” (Jo 14.6). 1) Através de Jesus, o único caminho. 2) Através de Jesus, a verdade. 3)Através de Jesus, a vida. 3. SERMÃO EXPOSITIVO É aquele em que as divisões baseiam-se numa porção mais extensa (texto) da Bíblia, não abrangendo “um só versículo, mas uma passagem, um capítulo, vários capítulos, ou mesmo um livro inteiro” (Cabral, p. 78). Nele , é mostrada (exposta) uma verdade contida num texto bíblico. Exige tempo, estudo e conhecimento bíblico. Exemplo: Titulo: “O Cordeiro de Deus” (Ex 12. 1-13) 1)Foi um cordeiro divinamente determinado (vv. 12.1-3) 2) Foi um cordeiro perfeito (12.5); 3) Foi um cordeiro morto (12.6); 4) Foi um cordeiro redentor (12.7; 12-13); 5) Foi um cordeiro sustentador (12.8-11). VII- QUALIDADES DO BOM PREGADOR 1. Personalidade É o que caracteriza uma pessoa e a torna diferente de outra. “É tudo quanto o indivíduo é”. Na pregação, o pregador demonstra que tem personalidade, quando se expressa, falando ou gesticulando, de acordo com aquilo que ele é e não imitando outras pessoas. De vez em quando, percebem-se pregadores imitando evangelistas famosos, dando gritos, pulando e correndo no púlpito, torcendo o pescoço, ajeitando a gravata, falando rouco ou estridente. Isso é falta de personalidade. É querer ser ator, imitador e não um instrumento nas mãos do Espírito Santo. 2. Espiritualidade. Nessa característica, podemos observar os seguintes aspectos: 1) Piedade. É o sentimento de devoção e amor pelos outros e pelas coisas de Deus. O pregador deve sentir pelo Espírito as necessidades do auditório, principalmente dos pecadores. (1 Tm 4.8; Hb 12.28). 2) Devoção É o sentimento religioso, de dedicação às práticas ensinadas na Palavra de Deus. Na devoção, o pregador busca inspirar-se na ORAÇÃO, na LEITURA DA BÍBLIA, e no LOUVAR A DEUS. Temos visto verdadeiros profissionais da pregação, técnicos, que sabem pregar, mas não sabem orar; sabem gritar, mas não sabem amar as almas. Pregam por interesse, por torpe ganância. Que os jovens pregadores (e os antigos) não entrem por esse caminho. Conta-se que Moody, o grande evangelista, orava uma hora para pregar cinco minutos. Enquanto isso, temos pregadores que oram cinco minutos para pregarem uma hora! 3) Sinceridade Reflete a verdade contida na própria alma. O pregador deve pregar aquilo que vive e viver aquilo que prega (Tg 2.12). Um jovem, dirigente de Mocidade, pregava bem. O povo se alegrava. Mas, um dia, uma jovem descrente procurou a direção da igreja para dizer que estava grávida dele e, o pior, o jovem não assumiu a paternidade. Por fim, confessou o pecado, foi excluído, e contribuiu para uma alma descrer do evangelho. 4) Humildade “Nenhum pregador pode subir ao púlpito sem antes ter descido, pela oração, os degraus da humildade. Na oração, o egoísmo se quebranta. O medo se desfaz, e a certeza da vitória aparece clara como a luz do sol ao meio-dia” (Cabral, p. 43). (Ler Pv 15.33). Um jovem vivia criticando quem ia pregar, dizendo que, se fosse ele, pregaria muito melhor. Um dia, o pastor deu oportunidade ao moço para pregar. Ele subiu ao púlpito, orgulhoso, sorridente. Tentou achar um texto na Bíblia, de um lado para outro, e nada. Suou, pediu desculpa, e desceu cabisbaixo. Sentou noutro lugar, junto a um irmão experiente, que, percebendo sua tristeza, disse: “Moço, se você tivesse subido como desceu (humilde), teria descido como subiu (alegre)”. E uma grande lição para todo pregador. 5) Poder O pregador (jovem ou não) precisa do Poder de Deus. S. Paulo disse que não pregava sabedoria humana, mas com poder (1 Co 1.4-5). É preciso ter unção e graça para pregar. Do contrário, ocupa-se o púlpito e o tempo para dizer coisas inoportunas. E melhor um sermão fora da Homilética, mas na unção de Deus, do que dentro da técnica, e sem poder. Isso só se consegue com oração, jejum, leitura bíblica, e vida consagrada. Não se obtém num curso de Homilética. BIBLIOGRAFIA BRAGA, James. Como preparar mensagens bíblicas. S. Paulo, Ed Vida, 1993. CABRAL, Elienai. O pregador eficaz. Rio, CPAD, 1983. KEY, Jerry Stanley. José da SiIva, um pregador leigo. Rio, JUERP, 1978. (Natal, 7 de abril de 1995) 5. A Igreja Modelo A igreja de Antioquia foi iniciada por crentes foragidos e perseguidos. I. UMA IGREJA QUE CONTAVA COM O FAVOR DE DEUS – v. 21 Se Deus é por nós quem será contra nós? Mas onde há pecado Deus retira a sua mão: a) Acã = eu não serei convosco; não podereis resistir aos vossos inimigos. b) Hofni e Finéas = Estavam na obra, mas a mão de Deus não estava com eles. c) Sansão = Tornou-se homem comum, porque quebrou seus votos de consagração e o Espírito se retirou dele. 1. Na operação da graça – v. 23 = Santidade e piedade. Sem santidade a igreja sai da graça para a desgraça. 2. No crescimento numérico – v. 21,24,26 = Onde a mão de Deus abençoa há conversões. O crescimento vem de Deus. Ele é quem acrescenta os salvos. Jesus é quem edifica a igreja. 3. No testemunho fiel de Cristo – v. 26 = Eles convertiam doutrina em vida. Eles imitaram a Cristo. Viviam como Cristo (I Jo 2.4). Nossa vida, palavras, ações, reações, atitudes, levam as pessoas a pensar que somos iguais a Cristo? Ghandi: “No vosso Cristo eu creio. Eu só não creio no vosso cristianismo.” Há pessoas que louvam a Jesus, mas não lhe obedecem. II. UMA IGREJA CUJA FAMA SE TORNA NOTÍCIA – v. 22 Quando Deus opera numa igreja, sua fama se divulga. Outras pessoas tomam conhecimento. Não é preciso marketing, quando Deus se manifesta poderosamente na igreja. Ex. Kwa Sizabantu; País de Gales 1904. Caravanas do mundo inteiro iam àquele país. Atos l7.21 – toda a cidade comentava as últimas novidades, ou seja, a pregação do apóstolo Paulo. Nossa cidade conhece nossa igreja. As pessoas ouvem falar a nosso respeito? O que eles sabem sobre nós? Que tipo de influência temos exercido? III. UMA IGREJA ENVOLVIDA NA OBRA DE ASSISTÊNCIA AOS NECESSITADOS – v. 27-30 A igreja de Antioquia não ficou só na informação, foi à ação. Ajudou pessoas que nunca tinha visoto. Todos participaram da ajuda de forma proporcional – Atos 11.29. Jesus não veio apenas para oferecer o céu, mas também alívio para os fardos da vida. Seremos julgados nesta área da assistência aos necessitados – Mateus 25.31-46. IV. UMA IGREJA QUE PRIORIZA A PALAVRA DE DEUS – v. 20,26; 13.1 1. Havia evangelistas – 20 2. Havia mestres – v. 26; 13.1 3. Havia profetas – 13.1 Não há igreja forte sem ênfase na Palavra. A igreja não é guiada por sonhos, visões, revelações, sentimentalismos, experiencialismos, mas pela Palavra. A Palavra é o centro. Há muitas igrejas hoje correndo atrás da última novidade. Querem sensações fortes, arrepios, cair no espírito, dar gargalhada no espírito, querem arrepios fortes. Querem satisfazer seus desejos. Passam então a decretar, a amarrar demônios nas regiões celestes, passam a decretar a cura dos enfermos, passam a pregar a riqueza terrena, o sucesso, o prazer, o hedonismo, o narcisismo. Esquecem a Palavra. V. UMA IGREJA ONDE HAVIA COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS – 13.1 1. Não havia preconceitos raciais 2. Não havia preconceitos sociais Uma casa dividida não pode prevalecer. A marca da igreja cristã é a comunhão. Sem amor uns pelos outros não podemos ser conhecidos como discípulos de Cristo. Somos um corpo, um rebanho, uma família, ramos da mesma videira, pedras do mesmo santuário. A falta de comunhão como na igreja de Corinto é sinal de carnalidade e infantilidade. VI. UMA IGREJA QUE TEM COMUNHÃO COM DEUS – 13.2,3 1. Adoram a Deus = Servem, cultuam, louvam, estão juntos na adoração. 2. Oram e jejuam = Onde há oração e jejum há manifestação da voz de Deus. A igreja precisa orar mais. Jejuar mais. 3. Ouvem a obedecem o Espírito Santo = O Espírito Santo dirige a igreja, convence, regenera, batiza, sela, guia, ensina, habita, dá dons, dá poder, consola. Muitas vezes tomamos decisões pessoais, conciliares sem consultarmos o Espírito Santo. A igreja apostólica fazia diferente: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…” VII. UMA IGREJA QUE TEM VISÃO MISSIONÁRIA – 13.2,3 1. A igreja se envolve com os missionários que o Espírito Santo separa = Jejuam, oram, ouvem a voz do Espírito, obedecem e impõem a mãos sobre os missionários. 2. A igreja se associa ao Espírito Santo nesse processo de envio = A igreja despede os missionários, mas é o Espírito Santo quem os envia (v. 3,4) e os orienta (At 16.7). É o Espírito Santo quem abre e fecha portas. 3. Exemplos 3.1. A melhor dieta para revitalizar a igreja é a dieta missionária. Quando nos envolvemos com a salvação dos outros, aquecemo-nos a nós mesmos. A) Um homem que estava morrendo congelado nas montanhas de neve, nos alpes. Resolveu deitar numa tora coberta de neve e morrer. Ao deitar percebeu que seu corpo se encostou num objeto. Averiguou e percebeu que era um homem quase morto de frio. Trabalhou duramente para salvar sua vida durante duas horas. Ao término ambos estavam vivos e aquecidos. A melhor dieta espiritual é lutar pela salvação dos outros. B) Jeremias compra um campo numa hora de subjugação estrangeira – Jr 32.6-15 = A vontade de Deus é que nós continuemos a ganhar terreno para Ele. A restauração virá. C) Seminário na Coréia do Sul de pastores que estão se preparando para morrer = E nós o que temos feito por missões? Graças a Deus podemos dizer que nossa igreja já está envolvida com este projeto do coração de Deus. Mas ainda muito mais para ser feito. Vamos olhar para a igreja mãe das missões transculturais e seguir o seu exemplo. 6. AS CARACTERÍSTICAS DA IGREJA VERDADEIRA Onde pode ser encontrada hoje a igreja verdadeira e quais os seus aspectos essenciais? Em primeiro lugar devemos distinguir os vários significados da palavra igreja: 1. Todo o povo de Deus em todos os séculos, o conjunto total dos eleitos. Os Reformadores falaram disto como sendo a igreja invisível. 2. A comunidade local dos cristãos, reunidos visivelmente para adoração e ministério; este significado abrange a vasta maioria das referências à igreja (ekklesia) do Novo Testamento. 3. Todo o povo de Deus no mundo, em determinada época, talvez melhor definida como a igreja universal. Esse sentido ocorre apenas ocasionalmente no Novo Testamento (1 Co 10.32; Gl 1.13). 4. “A igreja dentro da igreja”. Notamos antes a distinção feita entre a edah (toda a congregação visível) e os gahal (aqueles dentro dela que respondem ao chamado de Deus). Jesus ensinou que o reino corresponde a este padrão: o joio está misturado com o trigo (Mt 13.24-30; 36-43). Dentro do grupo identificado com Cristo acha-se o povo de Deus, a verdadeira igreja. Não existe, então, uma igreja pura; em meio a cada igreja pode haver pessoas que não professaram a sua fé e outras cuja profissão será desmascarada no último dia (Mt 7.21-23). Admitindo-se assim que uma igreja pura ou perfeita não é possível deste lado da glória, onde podemos descobrir o verdadeiro povo de Deus visivelmente reunido? Tradicionalmente, são reconhecidos quatro sinais da igreja autêntica. UNA A unidade da igreja procede de seu fundamento do único Deus (Ef 4.1-6). Todos os que pertencem verdadeiramente à igreja são um só povo e, portanto, a igreja verdadeira será distinguida por sua unidade. Esta unidade, porém, não implica necessariamente uniformidade total. Na igreja do Novo Testamento havia uma variedade de ministérios (1 Co 12.4-6) e de opiniões sobre assuntos de importância secundária (Rm 14:1-15:13). Embora houvesse uniformidade nas convicções teológicas básicas (1 Co 15.11, BLH; Jd 3), a fé comum recebia ênfases diversas, segundo as diferentes necessidades percebidas pelos apóstolos (Rm 3.20; cf. Tg 2.24; Fp 2.5-7; cf. Cl 2.9s). Havia também uma variedade de formas de adoração. O tipo de culto em Corinto (1 Co 14.26ss) não era comum nas igrejas palestinas, onde a adoração se baseava no modelo da sinagoga judaica e tinha um padrão mais formal, centrado na exposição da palavra escrita. Este modelo tirado da sinagoga justifica o fato de as igrejas do primeiro século serem consideradas um ramo do judaísmo. Tiago 2.2 usa até mesmo a palavra sinagoga para a reunião dos cristãos. Existem também elementos discerníveis de mais de uma forma de governo da igreja. A verdadeira unidade no Espírito Santo de todo o povo regenerado é um fato independente da desunião denominacional exterior. O chamado para a unidade no Novo Testamento é, portanto, uma ordem para manter a unicidade fundamental da vida que o Espírito concedeu através da regeneração (Ef 4.3). Os Reformadores salientaram este ponto, distinguindo entre a igreja invisível (todos os eleitos que são verdadeiramente um em Cristo) e a igreja visível (um grupo misto de regenerados e não-regenerados). A unidade da igreja invisível é um fato consumado, concedido com a salvação. Roma tem usado este sinal de maneira polêmica, a fim de proclamar sua unidade, comparando-a à fragmentação do protestantismo, como uma evidência de ser a verdadeira igreja. Isto, no entanto, ignora três pontos: (i) A própria Roma separou-se da igreja ortodoxa em 1054, e jamais tinha sido considerada universalmente como a única igreja verdadeira em séculos anteriores; por exemplo, a igreja celta floresceu na Inglaterra, e Patrício fundou a igreja inglesa muito antes de os missionários romanos terem chegado a Inglaterra. (ii) Os sinais devem manter-se juntos. A sucessão histórica e a unidade exterior não têm validade quando não associadas à lealdade e ao evangelho apostólico. (iii) Embora o protestantismo tenha-se mostrado às vezes necessariamente desagregador, pode ser argumentado que, através de seu desvio da doutrina bíblica, é a própria Roma que tem sido a maior causa de cismas no correr dos séculos. As Escrituras encorajam a mais plena expressão de unidade possível entre o povo de Deus, mas elas também tornam claro que a divisão acha-se perfeitamente de acordo com a vontade divina quando a essência do Cristianismo Apostólico estiver em risco. Esta foi a razão da discórdia entre Paulo e os judaizantes (Gl 1.6-12), e entre Jesus e os fariseus (Mc 7.1-13). É significativo notar que quando Judas pretendeu escrever sobre a salvação que temos em comum, ele achou necessário insistir com os leitores para “batalhar diligentemente pela fé que uma vez foi entregue aos santos” (Judas 3). Para o Novo Testamento, a unidade está baseada em um compromisso consciente com as verdades reveladas do Cristianismo Apostólico. O Novo Testamento dirigiu seus ensinos sobre a unidade a grupos específicos, com implicações imediatas para seus relacionamentos visíveis (Ef 2.15; 4.4; Cl 3.15). Jesus orou pela unidade, que ajudaria o mundo a crer (João 17.21); embora o paralelo entre esta unidade e a dEle com o Pai (17.11,22) confirme o caráter essencialmente espiritual da unidade bíblica, esta certamente inclui identificação visível de vida e propósito, pois Jesus em toda a sua missão expressou uma união visível e demonstrável com o Pai. Em outras palavras, é preciso buscar uma unidade visível mais plena do que aquela que está sendo experimentada pelos que são fiéis ao evangelho apostólico. Este fato tem especial importância quando dois ou mais grupos que têm uma fé bíblica estiverem operando na mesma área, como, por exemplo, em um campus universitário. O desafio mais profundo deste ensinamento, porém, situa-se ao nível dos relacionamentos na igreja local. Nesse ambiente, a unidade da vida em Cristo deve expressar-se através do cuidado e compromisso genuínos e tangíveis de uns para com os outros. Na ausência disto, a reivindicação de ser uma verdadeira igreja cristã é posta em dúvida (1 Co 3.3s). SANTA O povo de Deus forma a nação santa (1 Pe 2.9). No sentido mais profundo a igreja é santa, da mesma forma que todo indivíduo cristão é santo em virtude de estar unido a Cristo, separado para ele e revestido com sua justiça perfeita. Na sua posição diante de Deus em Cristo, a igreja é irrepreensível e isenta de qualquer mancha moral. A distinção entre a igreja visível e a invisível aplica-se aqui, desde que esta santidade imputada não pertence aos membros da igreja não confiam pessoalmente em Cristo como Salvador. A união com Cristo envolve também uma santidade de vida que seja visível. Desse modo, a relação da igreja com Cristo, o seu cabeça, será expressa no caráter moral e nas características especiais de sua vida e de seus relacionamentos comunitários. A igreja alheia à santidade é alheia a Cristo. Quando Cristo dirigiu-se à sua igreja, ele esperava dela essa mesma diferença moral e foi severo em seu julgamento quando observou que ela lhes faltava (Ap 2.-3). A fim de não desanimarmos ao aplicar este teste, vale a pena lembrar que grande parte da vida da igreja do Novo Testamento foi eivada de erros, divisões, falhas morais e instabilidade. Não obstante, a presença de um sinal visível de santidade é uma característica invariável da igreja de Deus. CATÓLICA (universal) O termo católico significa literalmente abrangendo ao todo. E em seu uso primitivo, significava ser a igreja universal, distinguindo-a da local; mais tarde, veio significar a igreja que professava a fé ortodoxa, em contraste com os hereges. Com o passar do tempo, Roma adotou o termo para referir-se a si mesma como instituição eclesiástica, centrada no papado, historicamente desenvolvida e geograficamente difundida. Os reformadores do século dezesseis procuraram restaurar o significado anterior da catolicidade, em termos do reconhecimento da fé ortodoxa; nesse sentido, argumentavam eles, a igreja católica era de fato eles e não Roma. O principal aspecto da catolicidade da igreja primitiva estava na sua abertura para todos. Distinta do judaísmo, com seu exclusivismo racial, e do gnosticismo, com seu exclusivismo cultural e intelectual, a igreja abriu seus braços a todos que quisessem ouvir a mensagem e aceitar seu salvador, sem levar em conta cor, raça, posição social, capacidade intelectual e antecedentes morais. Ela surgiu no mundo como uma fé para todos (Mt 28.19; Ap 7.9). A única exigência para admissão era a fé pessoal em Jesus Cristo como Salvador e Senhor, com o batismo como o rito autorizado de entrada, porque manifestava o evangelho da graça (Mt 28.19; At 2.38,41). É neste nível fundamental que esta característica (a de ser católica) deve ser entendida. As igrejas que exigem outros testes devem ser consideradas como suspeitas. Não existe lugar numa verdadeira igreja para a discriminação de qualquer tipo, seja racial, de cor, social, intelectual ou moral, neste último caso desde que haja evidência de verdadeira arrependimento. A discriminação denominacional também precisa ser examinada com cuidado nos casos em que as doutrinas fundamentais bíblicas sejam claramente reconhecidas. APOSTÓLICA O apóstolo é uma testemunha do ministério e da ressurreição de Jesus; é um arauto autorizado do evangelho (Lc 6.12s; At 1.21s; 1 Co 15.8-10). Os arautos tomam posição entre Jesus e todas as gerações subseqüentes da fé cristã; nós só nos achegamos a ele por meio dos apóstolos e de seu testemunho sobre ele, incorporado no Novo Testamento. Neste sentido fundamental, toda a igreja é “edificada sobre o fundamento dos apóstolos” (Ef 2.20; cf. Mt 16.18; Ap 21.14). A apostolicidade da igreja encontra-se, portanto, no fato de ela conformar-se à fé apostólica “que uma vez por todas foi entregue ao santos” (Jd 3; cf. At 2.42). Os apóstolos ainda governam e organizam a igreja na medida em que esta permite que sua vida, seu entendimento e sua pregação sejam constantemente reformados pelos ensinos das Sagradas Escrituras. Desde que o apóstolo significa literalmente enviado, não é de surpreender que o Novo Testamento refira-se ocasionalmente a outros apóstolos (Rm 16.7). Neste sentido geral, todos os que são hoje enviados pelo Senhor como evangelistas, pregadores, iniciadores de igrejas, etc. são no grego do Novo Testamento, apostoloi, enviados. Isto não subentende de forma alguma que eles tenham uma posição de autoridade especial, competindo com a do grupo original cujo governo continua através das escrituras apostólicas. Reivindicar o cargo apostólico em nossos dias é compreender erradamente o ensino bíblico e oferece na prática um desafio grave com respeito à autoridade e finalidade da revelação divina do Novo Testamento. É igualmente errado entender a apostolicidade como uma continuidade histórica do ministério, retrocedendo até Cristo e seus apóstolos através de uma sucessão de bispos. Esta interpretação não tem nenhum apoio bíblico. Toda noção da graça de Deus comunicada mediante uma sucessão histórica de dignatários da igreja contraria o caráter da própria graça, conforme os escritos bíblicos. Além disso, como garantia da verdade da mensagem apostólica, a sucessão episcopal evidentemente falhou. Foi uma igreja perfeitamente enquadrada nesta sucessão histórica que precisou da Reforma do século dezesseis, para não mencionar outras reformas menores, como o despertamento do século dezoito com Whitefield e os Wesleys. O catolicismo romano estende esta interpretação de “apostólico” para incluir a reivindicação de que o Bispo de Roma é o sucessor histórico de Pedro e o guardião especial da graça de Deus na igreja. A alegação é insustentável. A primazia de Pedro entre os apóstolos não passou de uma clara liderança no período da primeira missão cristã. Ele claramente recuou para um segundo plano à medida que a igreja avançou fora de Jerusalém, sendo Paulo nomeado para liderar a missão fora da Palestina e quando João lutava para corrigir as igrejas prejudicadas pelos falsos mestres. É bem significante que Pedro não apareceu no papel principal no Concílio de Jerusalém (At 15), e que ficou claramente à sombra de Paulo no incidente registrado em Gálatas 2. Roma alega ainda que esta suposta supremacia de Pedro deveria continuar para a salvação eterna e bem contínuo da igreja. Nenhum dos versículos citados como apoio escriturístico (Mt 16.18s; Jo 21.15-17 e Lc 22.32) faz qualquer referência a um sucessor de Pedro. Essas duas reivindicações romanas contrariam a evidência manifesta no Novo Testamento, e a terceira, de que a primazia de Pedro se estende ao bispo de Roma, é ainda menos digna de crédito. O fato de Pedro ter terminado sua vida como mártir em Roma é uma tradição primitiva que encontra apoio razoável; as dificuldades histórica, porém, para mostrar que houve uma sucessão estabelecida de bispos monárquicos de Roma, a partir do primeiro século, são intransponíveis. A sucessão apostólica é na verdade a sucessão do evangelho apostólico, quando o depósito original de verdade apostólica é passado de uma para outra geração: “homens fiéis ... para instruir a outros” (2 Tm 2.2). A igreja é apostólica à medida que reconhece na prática a autoridade suprema das escrituras apostólicas. 7. AÇÃO SOCIAL E POLÍTICA NA IGREJA O dispensacionalismo tradicional[1] ganhou a reputação de não demonstrar interesse pelo engajamento social e político. Essa imagem do dispensacionalismo pode ou não ser justa. Creio que em grande parte seja verdadeira com notáveis exceções.[2] Entretanto, a despeito de ser ou não desenvolvida e aplicada, a concepção dispensacionalista é capaz de produzir uma teologia do envolvimento social e político que seja coerente com os princípios que norteiam o dispensacionalismo. O objetivo deste estudo é o de esboçar os elementos principais que realmente distinguem essa teologia. Todo ser humano é individualmente responsável diante de Deus pela obra da criação, a qual foi planejada com o objetivo de glorificar a Deus. As alianças apresentadas na Bíblia propiciam uma estrutura que serve de referência para sabermos a maneira pela qual Deus deseja que procedamos em cada área da vida. Se as primeiras alianças registradas em Gênesis dizem respeito a Adão e seus descendentes (i.e., todo o gênero humano), é razoável que os limites e prerrogativas de tais alianças se apliquem a toda a humanidade. De que maneira? A Aliança Edênica A Aliança Edênica (Gn 1.18-30; Gn 2.15-17) apresenta o princípio fundamental que Deus utilizou, antes da entrada do pecado no mundo, para estabelecer Seu governo e relacionamento com o ser humano; aliança essa que tem caráter condicional. A proibição de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal foi um teste que Deus estipulou para Adão no passado (Gn 2.15-17) e, portanto, não é uma regra que possamos transgredir nos dias atuais (veja, também, Rm 5.13-14). Contudo, o Mandato Cultural (Gn 1.26-28) não ficou restrito apenas a Adão. Tal Mandato estabelece a base da responsabilidade individual do ser humano e dos deveres sociais, políticos e econômicos, bem como a responsabilidade final de toda a humanidade, perante Deus, ao longo da história que se seguiu. Foi através dessa aliança que Deus definiu a função cultural e pública a ser desempenhada pela humanidade na história. É uma descrição resumida das tarefas do ser humano. As Instituições Divinas As instituições divinas são convenções que atuam dentro dos dispositivos das alianças bíblicas e que dizem respeito à vida do ser humano na sociedade. A primeira vez que ouvi falar desse ensino bíblico, denominado por alguns de “Instituições Divinas”, foi há aproximadamente 35 anos, por intermédio do pastor Charles Clough.[3] Ele declara: “As instituições divinas são estruturas reais e absolutas que integram a existência social do ser humano”.[4] Segundo Clough, “a expressão ‘instituição divina’ tem sido usada há séculos pelos cristãos, principalmente no âmbito teológico reformado, para designar o sistema social básico e permanente”.[5] As instituições divinas foram criadas por Deus, daí o termo “divinas”, e se aplicam a toda a humanidade desde o tempo de Adão e Eva. As estruturas sociais básicas da humanidade não passaram por nenhum processo evolutivo ao longo do tempo, mas já faziam parte da criação de Deus. A primeira instituição divina é o domínio responsável (Gn 1.26-30; Gn 2.15-17; Sl 8.3-8), que enquadra o ser humano como um indivíduo responsável diante de Deus. O homem foi criado com a responsabilidade de ser o vice-regente de Deus para administrar o planeta Terra sob a autoridade de Deus. A queda do homem no pecado [i.e., a Queda] resultou na perversão da responsabilidade humana, porém tal responsabilidade nunca foi abolida.[6] Isso implica que todo ser humano é individualmente responsável diante de Deus pela obra da criação, a qual foi planejada com o objetivo de glorificar a Deus. Deus a planejou para que, através das escolhas de cada indivíduo, um registro de obediência ou rebelião contra o Criador ficasse evidente na história. Após a Queda, comenta Clough, “em vez de dominar sobre a Terra de modo pacífico e piedoso, sob a orientação de Deus e de Sua Palavra, o ser humano luta e usa suas garras para conquistar um falso domínio estabelecido com suas próprias obras (cf., Tg 4.1-4)”.[7] A escolha individual diz respeito à área na qual alguém tem a opção de confiar em Cristo como seu Salvador ou rejeitá-lO. Ninguém pode fazer essa decisão em favor de outra pessoa. Trata-se de uma escolha individual. “A família existe com a finalidade de instruir a próxima geração (cf., Êx 20.12; Dt 6.4-9; Ef 6.1-4)”. A segunda instituição divina é o casamento (Gn 2.18-24). Tal instituição é uma inferência do casamento original de Adão e Eva, registrado em Gênesis 2. É exclusivamente dentro desse contexto que as relações sexuais podem ser desfrutadas e, juntos, marido e mulher devem cumprir o mandato cultural de governar a criação. Constata-se no texto bíblico que a mulher é chamada de “auxiliadora”, trazida por Deus a Adão, já que este tinha necessidade de uma cooperadora que lhe fosse compatível e que o ajudasse a cumprir sua vocação de governar a natureza. “Diferente dos animais, a assim chamada diferenciação sexual no gênero humano não serve apenas para a procriação; também serve para o exercício do domínio”.[8] “Posteriormente, a suprema importância da estrutura do casamento aparece no Novo Testamento, quando Paulo revelou o fato de que tal estrutura tipifica a união de Cristo com a Igreja (Ef 5.22-23)”.[9] Clough faz este comentário esclarecedor: O gênero humano só pode expressar a imagem de Deus na condição de “homem e mulher” juntos (Gn 1.27). Isso se deve ao fato de que Deus possui certas características que são, por natureza, “femininas” (p. ex., Mt 23.37). Além disso, a função da mulher, descrita em Gênesis 2.18 como “auxiliadora”, não foi designada como algo inferior e degradante. Em outras passagens das Escrituras o mesmo termo original hebraico é usado em referência ao próprio Deus na qualidade de “auxiliador” (Êx 18.4; Dt 33.7) [...] Contudo, a Bíblia, indiscutivelmente, dá ênfase ao varão como aquele que recebe o chamado de Deus, um chamado que se configura na escolha de uma esposa [...] Juntos, numa divisão de trabalho, marido e mulher deixam suas respectivas famílias e, ao contrário da idéia de agregação e ampliação familiar, o rapaz, diretamente subordinado a Deus, tem que assumir a plena responsabilidade de liderança do lar.[10] A terceira instituição divina, edificada sobre o alicerce das duas primeiras instituições, é a família. “Segundo a Bíblia, a família é a unidade básica da sociedade, não o indivíduo (sob a Lei Mosaica, por exemplo, o direito de posse de uma propriedade pertencia às famílias)”.[11] “A família existe com a finalidade de instruir a próxima geração (cf., Êx 20.12; Dt 6.4-9; Ef 6.1-4)”.[12] A família é a instituição responsável pela continuidade de cada legado familiar, cabendo-lhe a tarefa da educação e da provisão para o bem-estar. Mesmo que uma família decida delegar o ensino a professores, ainda assim ela continua com a responsabilidade de cuidar para que a criança seja devidamente educada. Clough afirma: A família e o casamento não podem ser dissociados do domínio. Onde houver perversão do domínio e deterioração do ambiente, haverá, por conseguinte, fome e pobreza. A sociedade na qual o casamento é desonrado e famílias são separadas, inevitavelmente entra em colapso. Não pode haver preservação através de um punhado de leis, nem por meio de programas ideológicos ou “redefinições” dos conceitos de casamento e família. Deus planejou as instituições divinas com o intuito de proporcionar domínio e prosperidade.[13] A Queda não alterou nenhuma das instituições divinas; em vez disso, corrompeu o ser humano que passou a fazer mau uso delas. Clough explica: Quando se depara com a corrupção em cada uma dessas estruturas sociais, o ser humano decaído reage de várias maneiras. Uma das maneiras é a de reinterpretar a luta contra o pecado pelo ponto de vista da economia (“a luta de classes” de Marx) ou da raça (tanto os racistas de cor branca quanto os de cor negra) ou, ainda, pelo ponto de vista da psicologia (Freud e outros tantos). Outra evasiva é a de abandonar as próprias instituições, considerando-as como “convenções” sociais obsoletas e arbitrárias que precisam de uma “reengenharia”. Contudo, todas essas reações são falhas que custam caro para as sociedades que as cometem. No fim, tais reações refletem a mentalidade pagã que não reconhece a responsabilidade do homem pela queda no pecado nem a anormalidade do mal.[14] A quinta instituição divina é a diversidade tribal, a qual também foi estabelecida após o Dilúvio com a finalidade de promover a estabilidade social num mundo corrompido pelo pecado. Instituições Divinas Posteriores à Queda Pelo menos duas outras instituições divinas foram estabelecidas depois da Queda do homem no pecado. Ambas foram instituídas após o Dilúvio e foram designadas com o propósito de restringir o mal num mundo corrompido. As três primeiras instituições divinas são instituições sociais positivas ou produtivas, enquanto que estas duas últimas são instituições divinas de caráter negativo, destinadas a conter o avanço do mal num mundo degradado. O governo civil é a quarta instituição divina, na qual Deus transferiu ao homem a responsabilidade de exercer a autoridade governamental, através da Aliança Noética, a fim de auxiliar na restrição do mal depois do Dilúvio (Gn 9.5-6). Antes do Dilúvio, o ser humano não podia executar o juízo referente ao mal praticado, conforme se pode notar no modo pelo qual Deus ordenou que o homem lidasse com o assassinato de Abel cometido por Caim (Gn 4.9-15). Tal instituição divina se baseia na pena capital (Gn 9.5-6), desde que o propósito seja o de reprimir o mal (Rm 13.3-4). Na ordem dada por Deus às instituições civis de requererem a vida pela vida, estava subentendida a autoridade judicial hierarquicamente inferior. Apesar de a pena capital ter se tornado repugnante na cultura ocidental apóstata, ela ainda é a base para o divino estabelecimento do governo civil.[15] A quinta instituição divina é a diversidade tribal, a qual também foi estabelecida após o Dilúvio com a finalidade de promover a estabilidade social num mundo corrompido pelo pecado (veja, Gn 9.25-27; compare com Gn 10-11 e com Dt 32.8). Observe que não se trata de diversidade racial, mas sim de diversidade tribal. Essa instituição divina não inclui raça, mas, sim, tribos ou famílias. “Ao longo de todo o período pós-diluviano”, esclarece Clough, “Deus preservou a estabilidade e o bem-estar social da humanidade ao incitar uma tribo ou grupo social contra outro, a fim de otimizar o progresso e retardar a influência do mal (cf., At 17.26-27)”.[16] A diversidade tribal foi implementada através da confusão de idiomas que se deu quando da construção da torre de Babel (Gn 11.1-9). Por que Deus quis separar a humanidade? Muitos crêem que a humanidade deve se juntar numa unidade. O texto de Gênesis 11.6 explica a razão pela qual Deus confundiu as línguas humanas nos seguintes termos: “E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer”. Portanto, a única finalidade para a qual a humanidade deseja se unir é a de se rebelar contra Deus e ser bem-sucedida na sua rebeldia, conforme se pode constatar no incidente da torre de Babel. Essa é a razão pela qual a história atual ruma para a globalização, à medida que nos afastamos cada vez mais de Deus, e também é o motivo pelo qual o objetivo do Anticristo durante a Tribulação será o de forjar a unificação para o estabelecimento de um governo mundial centralizado que se oponha aos planos e propósitos de Deus. O período da Tribulação chegará ao seu fim com a direta intervenção e o juízo de Deus, assim como aconteceu no Dilúvio de Gênesis. Enquanto isso, Deus retarda a rebelião coletiva da humanidade por intermédio do governo civil e da diversidade tribal. O propósito da diversidade tribal pode ser ilustrado pelas diferenças que existem nos cascos dos navios. Até 100 anos atrás, todos os navios que cruzavam os oceanos tinham um casco inteiriço. Se uma avaria provocava um rombo razoável no casco da embarcação, quase sempre o navio ia a pique quando a água inundava todo o casco. Então os construtores navais começaram a desenvolver cascos de navio com múltiplos compartimentos, de forma que se um buraco rompesse um dos compartimentos, os outros compartimentos íntegros poderiam manter o navio flutuando. O mesmo ocorre com a humanidade! Se uma tribo se torna perversa, Deus não precisa exercer juízo contra o mundo inteiro. Ele pode usar outros povos para exercer juízo contra aquela tribo perversa, sem a necessidade de um castigo de proporções mundiais. Esse é um dos métodos que Deus utiliza para dirigir as nações neste período entre o Dilúvio e a Segunda Vinda de Cristo. A Lei Mosaica e a Igreja O apóstolo Paulo afirma que a Lei de Moisés caducou no momento em que se consumou a perfeita obra de Cristo. Os judeus julgaram que Paulo persuadia “...os homens a adorar a Deus por modo contrário à Lei” (At 18.13) e que ele ensinava “...todos os judeus entre os gentios a apostatarem de Moisés” (At 21.20-29). Embora os acusadores de Paulo fizessem um juízo errado a seu respeito, a acusação certamente se baseava nas declarações e atitudes do apóstolo, as quais deram origem a tal pensamento. Por semelhante modo, a acusação dos judeus contra Jesus de que Ele reivindicara ser Deus baseava-se nas Suas palavras e obras, as quais deram motivo para que eles O julgassem dessa maneira. Em muitos textos das Escrituras Paulo mostra que a Lei Mosaica foi abolida (Rm 6.14-15; Rm 7.1-6; Rm 10.4; 1 Co 3.7-11; 1 Co 9.19-23; Gl 2.19-3.5; Gl 4.1-7; Gl 5.18; Ef 2.14-22). Além do mais, a Lei de Moisés e o próprio Antigo Testamento afirmam que a Lei foi exclusivamente concedida à nação de Israel.[17] O crente em Cristo deve amar a lei de Deus. A graça não libera o crente da obediência à vontade de Deus. Entretanto, os crentes em Cristo não estão sujeitos à forma da lei que foi dada a Israel. O Novo Testamento não recomenda a pena de morte para aquelas transgressões que no Antigo Testamento deviam ser punidas com a penalidade máxima. A Lei de Moisés declara: “O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai; ambos serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles” (Lv 20.11). A passagem de 1 Coríntios 5 menciona que esse mesmo tipo de pecado foi cometido, mas o castigo disciplinar determinado por Paulo foi o de entregar tal homem a Satanás (1 Co 5.5), expulsando-o da igreja (1 Co 5.7,13). O apóstolo chega até mesmo a dizer que o julgamento daqueles que estão fora da igreja não é assunto da igreja (1 Co 5.12). Se o pecador mencionado em 2 Coríntios 2.5-11 for a mesma pessoa citada por Paulo em 1 Coríntios 5, é muito provável que a igreja estivesse prestes a finalmente restaurá-lo à comunhão. Isso teria sido impossível se a penalidade da Lei Mosaica fosse executada.O texto de Deuteronômio 18.20 declara que se um profeta “...presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu lhe não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto”. No entanto, o Novo Testamento registra que Himeneu e Fileto “...se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou” e estavam “...pervertendo a fé a alguns” (2 Tm 2.17-18), mas Paulo não ordenou que eles fossem sentenciados à morte, pelo contrário, o apóstolo expressou seu desejo de que eles retornassem “à sensatez” e se livrassem “dos laços do diabo” (2 Tm 2.24-26). No Novo Testamento há outros textos que demonstram o fato de que a Lei Mosaica chegou ao seu fim com a vinda de Cristo ao mundo (cf., Hb 8.6-7,13; 10.9). Ademais, o crente em Cristo deve amar a lei de Deus. A graça não libera o crente da obediência à vontade de Deus. Entretanto, os crentes em Cristo não estão sujeitos à forma da lei que foi dada a Israel. Em vez disso, temos condição de usar os preceitos da legislação mosaica como exemplos do modo pelo qual podemos reagir individual e coletivamente; é possível obter sabedoria proveniente dos preceitos mosaicos. Porém, os crentes em Cristo devem obedecer à vontade de Deus expressa no Novo Testamento – a “lei de Cristo” – e devem obedecer à lei revelada nas alianças Adâmica e Noética, lei essa que se expressa por meio das instituições divinas. A sabedoria apela para que o aprendiz a siga, tendo em vista o fato de que ela é justa e traz certos benefícios práticos. A sabedoria também se aplica a todas as áreas da vida. No que diz respeito ao desenvolvimento da sabedoria nas diversas áreas da vida, temos que buscar na lei o discernimento para nelas agir. Em nenhum âmbito da vida o crente pode adotar idéias e pontos de vista que resultem do sistema deste mundo. Ele deve procurar desenvolver uma perspectiva bíblica de governo, de economia, de família, de educação, e assim por diante, mantendo-se firme nessa convicção. Somos “filhos da luz” e devemos resplandecer nas trevas dos dias atuais. Todavia, como não está no plano de Deus ou ainda não é de Sua vontade que o Reino de Deus assuma o controle deste mundo na presente era, estamos, como o profeta Daniel, vivendo pelos princípios e padrões bíblicos, enquanto aguardamos a concreta intervenção de Deus na história. Isso é o que pode ser chamado de “método da sabedoria”, em oposição ao “método da lei”. O modelo bíblico para tanto é o livro de Provérbios. Quando se estuda o livro de Provérbios não é preciso muito tempo para que alguém perceba que a sabedoria de Provérbios é fruto da reflexão de Salomão na Lei de Moisés. Ele usa o formato da sabedoria para transmitir o conteúdo da Lei ao seu filho e à próxima geração. A sabedoria difere da lei em virtude do fato de que a lei se constituiu de cláusulas legais inseridas na aliança ou pacto, as quais regulam e podem ser impostas por força de penalidades civis. A lei pode governar qualquer área da vida, tais como os direitos civis, a família, a vida pessoal e as instituições religiosas. Por outro lado, a sabedoria se constitui de conselhos sem nenhuma vinculação com penalidades legais. A sabedoria conta ao inexperiente “a suma” das coisas, de modo que as ciladas da vida possam ser evitadas. A sabedoria apela para que o aprendiz a siga, tendo em vista o fato de que ela é justa e traz certos benefícios práticos. A sabedoria também se aplica a todas as áreas da vida. O tratamento dado ao adultério tem suas respectivas semelhanças e diferenças na lei e na literatura de sabedoria. Na lei está escrito: “Não...” (Dt 5.18) e, em determinadas situações o adultério implica a pena de morte (Dt 22.22). A literatura de sabedoria desenvolve a compreensão das razões pelas quais não se deve cometer adultério e chega ao ponto de apelar para que aquele que a estuda siga o caminho da sabedoria (Pv 7.6-23), contudo não decreta penalidades civis. A sabedoria diz que se um sábio andar no caminho que ela propõe, colherá certos benefícios. Não é sem motivo que Paulo escreveu a Timóteo: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” (1 Tm 1.8). Nesta Dispensação ou Era da Igreja, a prática de abordar a Lei Mosaica pelo método da sabedoria constitui-se num uso bom e legítimo da lei. O texto de Deuteronômio 4.6-8 chama a atenção para o fato de que Israel recebera com exclusividade uma sabedoria e um entendimento que seriam percebidos pelas outras nações: “Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?”. Apesar de ter sido concedida a Israel, a sabedoria deste povo se tornaria evidente aos observadores externos. Aqueles que ficassem impressionados com tal sabedoria provavelmente tentariam imitá-la. Por certo essa tem sido a atitude de muitas nações gentílicas, durante a atual Dispensação da Igreja, naquelas ocasiões em que os crentes em Cristo têm conseguido exercer sua influência. Para que um cristão atue numa área dessas, é preciso que ele esteja disposto a adaptar e utilizar algumas leis específicas do Antigo Testamento destinadas a Israel, a fim de desenvolver uma metodologia sábia que se aplique a essas áreas em questão. Mas trata-se de sabedoria e não de lei. De fato as nações não são obrigadas a cumprir a lei de Israel, mas são responsáveis pelo cumprimento da Aliança Noética. Entretanto, aquele que pela fé é nova criatura em Cristo terá o desejo de amadurecer e de aplicar a sabedoria que aprendeu na sua “menoridade” (sob a tutela da lei). Há uma tremenda diferença entre dizer que algo é lei para os dias atuais e dizer que se trata de um princípio de sabedoria. O efeito sistêmico freqüentemente será o mesmo, já que a pessoa regenerada em Cristo terá o desejo de por em prática a sabedoria da lei de Deus. Contudo, é fato insofismável que as leis e o pacto que constituem a Aliança Mosaica não foram firmados com nenhuma outra nação ou entidade, exceto com o povo de Israel. O propósito de Deus nesta Era da Igreja é o de constituir dentre as nações “...um povo para o Seu nome”, a fim de que esse povo seja a noiva de Seu Filho. O propósito da presente era é diferente do propósito de Deus na dispensação anterior. Portanto, assim como existe continuidade entre as dispensações, também existe descontinuidade. O plano de Deus não é a cristianização do mundo, mas sim a evangelização de toda a humanidade. A Igreja é o instrumento pelo qual Deus chama os povos do mundo ao arrependimento e à fé no Evangelho. Aqueles que crêem devem ser edificados pela preciosa Palavra de Deus que foi concedida à Sua Igreja. Estamos envolvidos numa tarefa sem descanso, enquanto nosso Senhor saiu para uma longa jornada; aguardamos com expectativa a volta de Seu Filho que virá dos céus para nos livrar “...da ira vindoura” (1 Ts 1.10). A Função do Governo na Dispensação da Igreja Segundo a Bíblia, Deus soberanamente nomeia e destitui os governantes. Não há a menor dúvida de que todos os governantes, tanto os que vieram antes de Moisés quanto os que vieram depois dele, atuam com a permissão de Deus e por Sua vontade, inclusive, Faraó, Herodes, Pilatos, Nabucodonosor e Ciro. Não há a menor dúvida de que todos os governantes, tanto os que vieram antes de Moisés quanto os que vieram depois dele, atuam com a permissão de Deus e por Sua vontade, inclusive, Faraó, Herodes, Pilatos, Nabucodonosor e Ciro. A perspectiva do Novo Testamento mostra que os governantes, na qualidade de autoridades instituídas por Deus, não devem ser resistidos. A autoridade pertence a Deus e a Aliança Noética revela que a autoridade judicial foi delegada aos homens (cf., Rm 13.2-5). Sempre que alguém se rebela contra aqueles que estão autorizados por Deus a exercer Sua autoridade, há uma rebelião contra Deus. Uma vez que os governantes são ministros de Deus, foram constituídos por Ele como vice-regentes e vingadores de Sua ira. Os governantes de Israel tinham nitidamente essa função sob a Aliança Sinaítica, ao passo que as nações não tinham tal função segundo essa mesma aliança. Em Romanos 13.1-2, Paulo afirma que os governantes têm essa função, mas em nenhum lugar o apóstolo a vincula com a Lei de Moisés. O Novo Testamento nos informa que os magistrados devem coibir a prática do mal e honrar a prática do bem (Rm 13.3). Mais uma vez é preciso dizer que esse dever foi instituído e consta na Aliança Noética. As nações têm seu mandato a partir das Alianças Abraâmica e Noética. A realidade disso se comprova no fato de que Deus julga as nações pelo critério da lealdade ao compromisso que elas têm na aliança que Ele firmou com Noé. A autoridade judicial que os magistrados civis têm para exigir o cumprimento da Lei de Deus é legítima, mas não é a formulação específica da lei de Deus nos seus pormenores, conforme foi dada a Israel. Por certo, muitos dos preceitos legais que Deus outorgou a Israel, inclusive as penas específicas, podem ser usados como modelo na elaboração de leis civis para a sociedade, porém isso não é obrigatório e, se não for feito conforme esse modelo, também não acarreta a ira de Deus. No caso em questão, o único critério de responsabilização é o da vontade de Deus na consciência, de acordo com o que Ele determinou através de Sua aliança com Noé. Conclusão Nesta abordagem teológica acerca do governo e da sociedade, verificamos, primeiramente, que se trata de uma perspectiva compatível com os princípios teológicos do dispensacionalismo. Constatamos que a responsabilidade tanto social quanto política é individual, exceto no que diz respeito à assistência das viúvas por parte da igreja (cf., 1 Tm 5). Essa concepção apresenta uma perspectiva conservadora de governo e contempla a responsabilidade individual e a família como as instituições produtivas numa sociedade. Durante a atual Dispensação da Igreja, um crente, como indivíduo, deve atuar socialmente dentro dos parâmetros estruturais das instituições divinas, enquanto leva em consideração todas as ordenanças que lhe são dadas como um membro da Igreja, o Corpo de Cristo Notas: 1. Quando faço uso do termo “dispensacionalismo”, refiro-me ao “dispensacionalismo tradicional”. Eu não creio que desdobramentos recentes, tais como o “dispensacionalismo progressivo”, são formas válidas de dispensacionalismo, visto que erroneamente misturam as dispensações (i.e., dizem que a atual Dispensação da Igreja é um aspecto espiritual do Reino Davídico ou Milênio). Essa questão naturalmente já foi discutida e é assunto para uma outra ocasião. Meu intuito, apenas, é o de deixar bem claro o que quero dizer com o termo dispensacionalismo. 2. Entre as exceções encontram-se Jerry Falwell, Tim e Beverly LaHaye, bem como Francis Schaeffer. Com base naquela extensa série de preleções sobre escatologia que Schaeffer proferiu na década de 1960, fica evidente que se aquilo não for chamado de dispensacionalismo, não sei em que seria diferente. 3. Para aqueles que se interessam em ouvir a série de preleções que Charles Clough proferiu, intitulada “The Biblical Framework”, o arquivo de áudio, em formato mp3, pode ser baixado pelo site: www.cclouth.com. 4. Charles A. Clough, Laying The Foundation, ed. Revisada, Lubbock: Lubbock Bible Church, 1977, p. 36. Pode-se encontrar uma versão atualizada em formato pdf no site: www.cclough.com. 5. Clough, Laying, p. 36, nota de rodapé 36. 6. Charles A. Clough, A Biblical Framework for Worship and Obedience in an Age of Global Decption, Parte II, p. 39, obtido no seguinte endereço da internet: http://www.cclough.com/notes.php 7. Clough, A Biblical Framework, p. 60. 8. Clough, A Biblical Framework, p. 40. 9. Clough, Laying, p. 37. 10. Clough, A Biblical Framework, p. 40. 11. Clough, A Biblical Framework, p. 41. 12. Clough, Laying, p. 37. 13. Clough, A Biblical Framework, p. 41. 14. Clough, A Biblical Framework, p. 61. 15. Veja Clough, Laying, p. 83; e A Biblical Framework, pp. 97-98. 16. Clough, Laying, p. 84. 17. Veja: Êx 34.27; Êx 20.4; Dt 4.1,6-8,13,20,34,37,44; Dt 7.6-8; Dt 10.12-15; Dt 26.16-19; Dt 29.1-2; 1 Rs 8.9; Sl 147.19-20. 8. MINISTÉRIOS ECLESIÁSTICOS INTRODUÇÃO Alguns animais vivem totalmente isolados. Não se associam nem com outros da sua própria espécie, exceto, com a mãe no primeiro período da vida e com a companheira (o) durante o cio. O ser humano, ao contrário, é gregário. Vive em grupos. Tal associação é necessária a fim de alcançar objetivos que, individualmente, não seriam possíveis. Além disso, a própria natureza humana sente necessidade do companheirismo e do amor. Depois de haver criado Adão, Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só." Quem insiste em se isolar luta contra o bom senso e torna-se infeliz. Como disse Salomão, aquele que se separa insurge-se contra a verdadeira sabedoria. (Pv.18:1). Contudo, viver em grupo tem também seus problemas e cria novas necessidades. O primeiro problema é a direção a ser tomada. Se forem muitos os componentes do grupo, muitas são as cabeças e diversas as opiniões. Por isso, são necessários os líderes. Não para fazer a sua própria vontade, mas para interpretar a vontade do grupo e viabilizar sua execução. Esta é uma dura tarefa. Exige sabedoria e bom senso, porque pode ser que o grupo esteja enganado quanto aos seus propósitos. Por isso, o líder precisa ter capacidade e preparação superior a média do grupo, a fim de poder conduzi-lo de modo eficaz. Outra necessidade que surge com o grupo é divisão de tarefas. É preciso identificar habilidades, talentos e atribuir responsabilidades. A liderança é necessária em qualquer empreendimento coletivo. A igreja não é uma exceção. O líder da igreja é , em última instância, o Senhor Jesus. Ele é a cabeça da igreja. (Ef.1:20-23). Entretanto, os homens ainda precisam de líderes visíveis; precisam de modelos humanos e direção humana, uma vez que nem sempre estão aptos a ouvir a ordem direta de Deus. Por isso, Deus instituiu ministérios na igreja. O que é um ministério? Quais são os ministérios estabelecidos por Deus? Tal liderança é ainda necessária nos nossos dias? Como está a realidade das igrejas em relação a tudo isso? Neste estudo procuraremos respostas a essas questões. Precisamos obtê-las urgentemente, pois a indefinição nesse assunto tem causado problemas diversos na obra de Deus e dificultado a expansão do seu Reino. MINISTÉRIO Entre outras informações, o dicionário da língua portuguesa nos diz que ministério é "trabalho ou serviço na igreja". Biblicamente, entendemos que todo serviço cristão que se desempenha de modo contínuo é um ministério. Desde a liderança até tarefas operacionais permanentes. Um trabalho eventual não pode ser assim considerado. Eis aí um fator que serve até para diferenciar ministérios e dons espirituais. Existem quatro termos gregos que se relacionam aos vocábulos ministro e ministério: - huperetai (huperetai) - leitourgos (leitourgos) - sunergon (sunergon) - diakonos (diakonos) Paulo emprega quase que invariavelmente, diakonos. O termo aparece, nas quatro formas, 25 vezes no Novo Testamento. A forma "diakonia" aparece 24 vezes, sendo traduzida por: - Distribuição de serviço, socorro, serviço, ministério ou administração. Os ministérios de liderança apresentados no Novo Testamento são : - Apóstolos - Profetas - Evangelistas - Pastores (bispos, presbíteros) - Mestres (Efésios 4:11) Os diáconos são apresentados como auxiliares. Eles não dirigem a igreja local, mas são responsáveis por algumas áreas. (At.6). Ministério é serviço. Logo, o ministro é um servo. Algumas vezes, o apóstolo Paulo usou o termo doulo (doulos), que significa escravo. "Onde está pois a jactância?" O Verdadeiro espírito do ministro, não deve ser a ambição carnal de mandar ou ser servido, mas encarnar o que Jesus sempre fez no seu ministério terreno, que foi "não ser servido, mas servir". (Mc.10:45). Quando os discípulos disputavam entre si para saber quem era o maior, Jesus "os chamou para junto de si e disse-lhes: sabeis que os que são considerados governadores dos povos, têm-nos sob seu domínio, e sobre eles seus maiores exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; quem quiser ser o primeiro entre vós, será servo de todos." (Mc.10:41-44). Apesar das especificações bíblicas, as igrejas e denominações estabelecem alguns ministros e desprezam ou ignoram os demais. Os Metodistas têm bispos e pastores. Os Presbiterianos, Assembléia de Deus e outras igrejas pentecostais têm pastores, diáconos e presbíteros. Os Batistas têm somente pastores e diáconos. Na seqüência, procuraremos explicitar alguns detalhes de cada um dos ministérios supracitados. APÓSTOLOS O nome que designa o primeiro ministério estabelecido na igreja (I Cor.12:28) é de origem grega (apostolos) e significa "enviado", ou seja, um indivíduo que executa serviço especial, agindo em nome e pela autoridade de quem o enviou. O maior de todos os apóstolos é o próprio Senhor Jesus, que foi enviado pelo Pai para executar sua obra na terra. (Heb.3:1 Jo.4:34). Para que essa obra fosse continuada após sua ascensão, Jesus escolheu doze homens. (Mt.10:1-2 Jo.20:21). Um deles, Judas Iscariotes, o traiu e foi substituído por Matias. (At.1:16-26). Tais homens foram equipados pelo Senhor com autoridade, poder para operar milagres, ousadia para pregar, etc. Tudo isso, mediante a operação do Espírito Santo que lhes fora dado (At.1:8). Toda essa "munição" tinha por objetivo capacitá-los a desbravar todas as frentes por onde iam e aí estabelecerem a igreja de Jesus Cristo. Muitos cristãos afirmam que o ministério apostólico não existe mais. Entretanto, observamos que, além dos doze, o Senhor levantou outros apóstolos no período do Novo Testamento, como, por exemplo, Paulo e Barnabé. (At.14:14). Por que ele não o faria ainda hoje, quando muitos povos estão ainda por serem alcançados pelo evangelho? O apóstolo não é um cacique ou um papa. Donald Gee diz: "Esse ministério exigia praticamente que um apóstolo reunisse quase todos os outros ministérios num só homem. Assim, ele participava da inspiração do profeta, fazia a obra de um evangelista, conhecia o pastoral "cuidado de todas as igrejas", devia ser apto para ensinar, ao passo que, atendendo à administração de negócio, seguia o exemplo do Senhor em não se esquivar dos deveres de um diácono, quando fosse necessário." Possivelmente, muitos dos missionários da atualidade sejam, de fato, apóstolos de Jesus. Outros há que, por não terem ido a terras distantes, não são assim reconhecidos, mas estão desempenhando esse ministério em sua própria "Jerusalém" (At.1:8), e receberão do Senhor o devido galardão. PROFETAS O profeta é a pessoa que recebe a mensagem diretamente de Deus e a transmite ao povo. Esse anúncio pode ser uma revelação, uma admoestação, ou uma predição. Muitos profetas existiram na história de Israel. Sua presença é constante no Velho Testamento, apontando o caminho para o povo de Deus. Sua importância era grande pois, como afirmou Salomão, "Sem profecia o povo se corrompe". (Pv.29:18). No Novo Testamento, Deus continuou levantando profetas. O primeiro foi João Batista, que veio no estilo dos profetas antigos, assemelhando-se, sobretudo, a Elias. (Lc.1:76 Mt.11:9-14 Mc.11:32). Seu papel foi preparar o caminho para o profeta maior - Jesus, que, por sua vez, levantou outros profetas para orientar a igreja que surgia. No Novo Testamento, existem menções a esse ministério, havendo muitos deles em Jerusalém, Antioquia, Corinto, e outras cidades. (At.13:1 At.11:27 I Cor.14:29). O profeta não é um mero pregador da palavra, um mestre da Bíblia, nem um preditor de futuro. O profeta é um ministro de Cristo. Não apela para os poderes da lógica, erudição, oratória, psicologia, ignorância ou misticismo. Sua mensagem pode vir através de uma pregação, mas não necessariamente. EVANGELISTAS É uma pessoa dotada de capacidade especial para pregar o evangelho. Alguns usam esse título apenas em relação aos escritores dos quatro evangelhos. A Bíblia, no entanto, cita ainda Filipe e Timóteo como evangelistas. (At.21:8 II Tm.4:5). Todos os cristãos podem e devem anunciar o evangelho. Todavia, a maioria não é capaz de fazer uma pregação propriamente dita. O evangelista é um pregador, e faz isso com maestria, habilidade, e poder que lhe são conferidos pelo Espírito Santo especialmente para esse fim. Evidentemente, nem todo pregador é evangelista. É bom frisarmos também que o trabalho do evangelista não se restringe à pregação, mas abrange também o evangelismo pessoal. Consideramos que todo apóstolo é um evangelista, mas nem todo evangelista é apóstolo. O ministério apostólico é mais abrangente e extrapola os limites da igreja local. PASTORES Voltando à origem do termo, um pastor é a pessoa que cuida de um rebanho de ovelhas. Seu trabalho vai desde a procura do melhor alimento para elas, até a defesa contra ladrões ou animais selvagens que possam atacá-las. Abel foi o primeiro pastor de ovelhas. Os patriarcas - Abraão, Isaque e Jacó - foram pastores. Esse trabalho era muito comum no meio dos israelitas e outros povos antigos. O próprio Davi, que veio a ser rei de Israel, cuidava de ovelhas quando era jovem, e percebeu que, da mesma forma, Deus cuidava dele e de seu povo. Ao reconhecer esse fato, Davi escreveu o conhecido Salmo 23: "O Senhor é o meu pastor e nada me faltará". Em muitos outros textos da Bíblia, o termo "pastor" é utilizado em referência a Deus e aos líderes do seu povo. (Sl.100:3 Jr.23:1-2). No Novo Testamento, esse título já era usado normalmente como o usamos hoje. Jesus disse de si mesmo: "Eu sou o bom pastor". (Jo.10:11). O termo grego para pastor é poimen (poimén).O ministério do pastor na igreja tem as atribuições que vimos no início: alimentar, cuidar, proteger, defender, conduzir. Esse é um ministério lindo. Dos cinco ministérios de Efésios 4:11, o pastor é o que está mais próximo da ovelha, mais comprometido e mais atencioso para com ela. Nos nossos dias, constatamos que existem pastores demais. Quando, porém, conhecemos muitos desses ministros, percebemos que não são, de fato, pastores. Podem até ter um dos outros ministérios bíblicos, mas, por uma distorção tradicional e histórica da igreja, receberam o título de pastor. Isto é, algumas vezes, prejudicial, pois muitos líderes vivem se esforçando para serem o que não são e deixam de fazer aquilo para que foram chamados. O trabalho do pastor na igreja, não é somente batizar, celebrar casamentos, funerais, pregar sermões, mas, de acordo com Ef.4:11-16 : - Aperfeiçoar os santos para o desempenho do serviço de cada membro do Corpo de Cristo. - Edificar o corpo de cristo que é a igreja. Outros títulos utilizados para o pastor no Novo Testamento são: bispo e presbítero. Bispo - vem do grego episcopos (episkopos). Indica, não ofício, mas função, o trabalho específico de um pastor dotado de visão administrativa, um superintendente. Ele não faz todo o trabalho, mas organiza, providencia tudo e depois supervisiona. O termo episkopos era dado àquele que tinha a função de vigiar, fiscalizar, principalmente as embarcações. Os gregos e os romanos usavam este termo para designar superintendentes de obras profanas ou sagradas. O bispo como pastor tem a responsabilidade de ver que o serviço seja bem feito. Não se encontra no Novo Testamento o uso do vocábulo bispo no sentido de um oficial eclesiástico que tem autoridade sobre os outros ministros do evangelho. Presbítero - significa velho, ancião. Na primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé, na ida fizeram trabalho evangelístico e público; no retorno, em cada cidade por onde passaram reuniram os convertidos, organizaram igrejas e ordenaram presbíteros (At.14:21-23). Deveriam ser homens de certa idade, firmes na fé, inabaláveis no amor e constantes na obra do Senhor. Eles foram eleitos pela igreja para desempenhar funções pastorais na palavra, nos batismos, na celebração das ceias, etc. O ministério pastoral surgiu no livro de Atos. Em Jerusalém surgiu o primeiro rebanho pela obra do Espírito Santo. Constituído de 120 pessoas, no princípio, aumentou para 3.120; foi crescendo sempre até chegar a "dezenas de milhares" (At.21:20). No princípio, os doze cuidavam de tudo. Houve problemas e os doze cuidaram da oração e da palavra e outros homens passaram a ser designados para outras tarefas. O trabalho do Senhor foi além de Jerusalém e chegou até Antioquia da Síria. Antioquia organizou trabalhos no continente. Em cada cidade havia presbíteros. Na era apostólica encontramos pluralidade de pastores em cada igreja (Fp.1:1). Os presbíteros recrutados entre os convertidos das igrejas, deveriam ser homens de negócios e de trabalho. Alguns se dedicaram grandemente ao trabalho do Senhor e passaram a dar tempo integral ao ministério e o apóstolo Paulo mandou dar a esses homens, salários dobrados (I Tm.5:17). Pelo retrato que a Bíblia guarda de alguns pastores, homens transformados pelo Espírito Santo, cheios da graça do Senhor, revestidos de poder, conduta exemplar, irrepreensíveis, consagrados, dedicados exclusivamente ao ministério da palavra, bons chefes de família, sérios, operosos e humildes, encontramos reprodução perfeita hoje em muitos obreiros que se sacrificam por Cristo, colocam o Reino de Deus acima de tudo e constituem a galeria daqueles que vivem para glorificar o Senhor. A Bíblia alinha nessa imortal galeria de pastores reais, Tiago, o irmão do Senhor que foi pastor da igreja em Jerusalém. Paulo e Barnabé somaram ao dom apostolar o dom pastoral. Um modelo de pastor nos tempos modernos foi no século passado Charles H. Spurgeon, do famoso Tabernáculo de Londres e milhares de outros famosos ou que viveram na sombra do anonimato, mas realizaram o imortal trabalho de conduzir almas a Cristo e apascentá-las com paciência e amor. MESTRES Deus disse: "O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento". (Os.4:6). Essa afirmação nos mostra claramente a importância do ensino da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo disse que não queria que os coríntios fossem ignorantes a respeito dos dons espirituais (I Cor.12:1). Certamente, Deus não quer que sejamos ignorantes acerca de nenhuma das doutrinas bíblicas, pois isso poderia significar a nossa destruição. Por esse motivo, ele estabeleceu mestres, ou doutores, na igreja. Estes são pessoas que possuem o dom da palavra do conhecimento e da sabedoria. (I Cor.12:8). Além disso, possuem capacidade intelectual e facilidade de comunicação. Atualmente, o nome que damos a quem exerce esta função é o de "professor". Entretanto, o professor não é tratado com a mesma importância, honra e respeito que o mestre recebia nos tempos bíblicos. Provavelmente, trata-se de um problema ligado à conjuntura político-social do nosso tempo, ou, especificamente, da nossa nação, onde a educação é relegada a último plano. A Bíblia valoriza o mestre, como acontecia na comunidade judaica. Acima de tudo, vemos que Deus os valoriza e os estabeleceu na igreja. Esse homens desempenham uma nobre função, carregam uma grande responsabilidade (Tg.3:1), que só não é maior do que o galardão que os aguarda na eternidade . (Dn.12:3). TRABALHO MINISTERIAL EM EQUIPE Os apóstolos e profetas são os alicerces da igreja, sendo Jesus a principal pedra de esquina. (Ef.2:20-22). Os evangelistas são aqueles que buscam o material para a construção. (Mat.22:9). Os mestres são os edificadores. Os pastores são os que zelam pelo "Edifício de Deus". (Hb.13:17 I Cor.3:5-17). Essa ilustração nos dá uma idéia aproximada de como é a integração do trabalho dos cinco ministérios. DIÁCONOS Outro ministério que figura no Novo Testamento é o dos diáconos. Sua primeira menção se encontra em Atos dos Apóstolos, no capítulo 6, quando, devido às murmurações dos cristãos helenistas, foram escolhidos sete homens para a direção do trabalho social da igreja de Jerusalém. Hoje em dia, há pessoas que questionam a utilidade dos diáconos em nossas igrejas. Conta-nos o autor de uma de nossas fontes bibliográficas o seguinte: "Depois duma semana passada no Estado de Virgínia, onde falara numa reunião de diáconos, recebi uma carta da esposa dum diácono que exercia esse ofício numa igreja batista rural. Lera uma reportagem daquela escola de diáconos no jornal da localidade e queria saber se ainda havia razão plausível para a continuação de tal ofício. Haverá algum serviço particular que o diácono possa prestar numa igreja rural com um número reduzido de membros? Dizia ela que o marido era fiel cristão no serviço da igreja, mas que o ser ele diácono não significava coisa alguma. Na resposta, assegurei-lhe que o ofício de diácono é escriturístico e, quando bem compreendido, oferece uma oportunidade real de servir à igreja." Que significa para a igreja o ofício de diácono? Em que afetaria o seu programa, se, por deliberação geral e por amor à paz esse ofício fosse abolido? Em muitas igrejas batistas a cessação desse ofício seria mera formalidade. E mui possivelmente, algumas igrejas até recebessem com entusiasmo essa mudança. Bom número de diáconos e pastores acham mesmo que nossas igrejas seriam melhor servidas por outros oficiais e comissões eclesiásticas. E tais irmãos não são herejes, nem reacionários; em sua maior parte, estão sinceramente procurando fazer progredir o reino de Deus. Temos, portanto, que pesar cuidadosamente as situações que vêm provocando esse questionamento. E devemos dar-lhe uma resposta sincera, inteligente e escriturística. Por isso, vamos analisar algumas questões que se formam sobre o assunto: - Primeiro: O mundo em que vivemos é diferente. Quais as condições que levaram o povo pensante a levantar a questão da necessidade de diáconos? Antes de tudo, temos que reconhecer o desconcertante contraste entre o mundo do primeiro século e o do século XX. Enorme distância separa o mundo em que a Igreja Primitiva deliberou sobre a necessidade de homens para servirem às mesas deste nosso mundo em que as igrejas hoje lutam por Cristo. O ritmo de hoje é muitíssimo mais acelerado. Nas nossas igrejas atuais vemos refletida a complexidade da vida hodierna. O crescimento das grandes cidades, o desenvolvimento das igrejas em tamanho e número, a multiplicidade das organizações eclesiásticas, bem como as vastas beneficências que as igrejas desejam oferecer ao povo. Tudo isso exige novos métodos de trabalho, organizações modernas e de crescente eficácia. Num mundo como este em que vivemos, mui facilmente nos confundimos no que respeita ao lugar do diácono na igreja. - Segundo: O ofício do diácono tem sido mal interpretado. Em muitas igrejas está mal definido e mal compreendido o ofício do diácono e o serviço que ele deve prestar. Boa parte dos batistas têm uma idéia errônea acerca do que o diácono deve fazer. Que significa para a igreja o ofício do diácono? Qual a responsabilidade do diácono? Que função exerce ele? Se precisamos de diáconos em nossas igrejas hoje, certamente precisamos também reestimar, reapreciar e reaprender o serviço que eles devem prestar. - Terceiro: muitos choques têm acontecido entre pastores e diáconos. Às vezes assumem a feição de verdadeiros conflitos, e com isso muito se prejudica a influência e a obra dessas igrejas. Alguns pastores acham que não podem trabalhar com seus diáconos. Então, às vezes, ouvimo-los dizer : "Sei muito bem o que devo fazer. Se meus diáconos não concordarem comigo, levarei o caso à congregação, e a assembléia que resolva." Uma situação dessas é, de fato, bem desagradável, e denota enfermidade espiritual. Em algumas igrejas, o diaconato já foi abolido devido a essas desavenças. Existem igrejas cujos diáconos se apropriaram duma autoridade muito contrária aos ensinos do Novo Testamento. Existe um complexo de "junta", e um pensamento generalizado de que os diáconos é que são os "diretores" da igreja. Nada mais distanciado da índole batista, e do esquema neo-testamentário que esta idéia. Onde prevalecer este errôneo conceito, inevitavelmente surgirá aqueles que afirmam não haver necessidade alguma de diáconos. Sim, a verdade é esta - não precisamos, nas nossas igrejas, de tais diáconos, nem de juntas diaconais dessa espécie. - Quarto: há muitos outros que servem na igreja. Nas nossas igrejas de hoje há muita gente que ocupa posições de responsabilidade. São professores de Escola Dominical, diretores de departamentos, presidentes de uniões, presidentes de organizações missionárias, membros de corais, e outras atividades afins. Muitas vezes essas pessoas dão muito mais tempo de serviço à igreja do que mesmo os diáconos. Nas igrejas grandes das cidades, o número de irmãos eleitos excede, às vezes, de quinhentos, ou mais, além dos eleitos por classe, ou unidades, e dos que servem por nomeação. E nessas igrejas, o número de diáconos muitas vezes não chega a cinqüenta. Haverá necessidade de um ofício que dê honra a uns poucos, quando a vasta maioria do povo que realiza a obra das igrejas não está incluída nesse ofício? Certamente os diáconos não fazem mais jus a essa honra do que os outros, e, no entanto, se lhes confere honra especial por um serviço não específico. Acresce notar que certa revista aconselha que se constitua em diácono a todo aquele que exerce algum ofício na igreja, seja homem, seja mulher. Tal idéia, para muitos batistas, toca as raízes do ridículo, mas é certo o raciocínio que a sustenta. Fazem-se até comparações nada aconselháveis entre o grupo chamado dos diáconos e o dos outros obreiros ativos da igreja. De fato, as dificuldades são reais, e o problema não pode ser esquecido. Muita gente está perguntando qual a necessidade desse ofício. O bem-estar espiritual da igreja exige uma resposta. A maioria dos batistas sente que o diaconato é parte inseparável da vida batista. Mas, as razões da sua existência devem ser claras, concisas, escriturísticas e práticas. PRECISAMOS AINDA DOS DIÁCONOS? Sim! É a resposta mais adequada. Precisamos dos diáconos em nossas igrejas atuais tanto quanto deles precisaram os da primitiva igreja de Jerusalém. A compreensão exata e o emprego adequado do diaconato constitui resposta clara para os problemas vitais que hoje desafiam as igrejas e , às vezes, emperram o seu glorioso avanço. O diaconato é um modelo neo-testamentário. O motivo principal que nos faz reconhecer a necessidade da existência do diaconato em nossas igrejas hoje deve ser apresentado em primeiro lugar, pois que todo o resto se relaciona com ele. Precisamos dos diáconos hoje, porque esse ofício é parte inseparável do modelo da igreja neo-testamentária. "Modelo Neo-Testamentário" é uma frase mui significativa para nós, batistas, que gostamos de chamar nossas igrejas de igrejas do Novo Testamento e que não nos filiamos a nenhuma outra sorte de igreja. Estamos perfeitamente convictos de que a igreja precisa derivar suas doutrinas, organização e métodos, e sua comissão igualmente, das páginas do Novo Testamento. Assim, o programa da igreja deve ser organizado em plena harmonia e inteira consonância com os ensinos do Livro Sagrado. Foi a direção do Espírito Santo que levou as igrejas do Novo Testamento a criar o diaconato. A sabedoria divina trouxe à luz o diaconato, dando-lhe existência, e ele tem, assim, uma finalidade divina. Será que admitimos o diaconato por mera tradição? Absolutamente, não. No estudo deste ofício, três coisas são verdadeiras e mui significativas quanto à igreja neo-testamentária. Primeira - aquela igreja estava fundada sobre uma relação íntima, a de pecadores salvos, com um Deus santo, por meio de Jesus Cristo. Assim, a igreja não é primeiramente um companheirismo, e sim uma afinidade, cuja pedra fundamental é a confissão duma fé pessoal em Jesus. Em segundo lugar, a igreja é uma organização que salienta a grande responsabilidade que temos para com Deus. E, finalmente, a sua origem divina torna eternos tanto o seu significado como a sua utilidade. Os programas, os planos e a estratégia de Deus nunca ficam fora de tempo ou da moda. Quais os fatos históricos que devemos considerar aqui? Relembremos as tormentas que davam contra a igreja primitiva em Jerusalém. Os judeus parecia estarem convencidos de que a morte de Jesus poria fim aos seus problemas teológicos. Achavam que uma vez morto o Chefe dos nazarenos, seus seguidores logo se dispersariam. Algum tempo depois, no entanto, perceberam que eles ganhavam vida nova, vida esta, oriunda da certeza de haverem estado com Jesus, pois testemunhavam que Jesus ressuscitara. Veio o pentecoste, e , com este o poder de Deus e o crescimento da igreja. Uma das questões que foram levantadas contra a igreja foi em relação ao tratamento que davam às viúvas, aos órfãos e aos necessitados. Os crentes helenistas da congregação reclamavam, dizendo que as viúvas hebréias estavam sendo melhor contempladas que as outras. Foi nesse impasse que o Espírito Santo apresentou aos doze uma solução: separariam sete homens de certas habilidades e lhes confiariam os problemas da distribuição. E assim, por sugestão do Espírito Santo, foram eleitos pela congregação os sete, para acudir a quaisquer outras necessidades da igreja. "Então os doze convocaram a multidão dos discípulos e lhes disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação... aos quais constituamos sobre este importante negócio. Nós, porém, perseveraremos na oração e no ministério da palavra. (Atos 6:2-4). No livro de Atos aqueles homens não recebem o nome de diáconos. São quase sempre chamados de "os sete". Contudo, há acordo geral em que a eleição daqueles sete varões qualificados significa realmente o início do diaconato como um cargo na igreja. É no terceiro capítulo da primeira carta a Timóteo que aparecem cuidadosamente esboçadas por Paulo as qualificações dos que deveriam servir à igreja como diáconos. Também no início de sua carta aos Filipenses, lemos isto : "Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos". (Filipenses 1:1). Temos aqui forte base escriturística para afirmar que, começando na igreja de Jerusalém, o ofício do diaconato se desenvolvera com a aprovação e a bênção do Espírito Santo. Deve-se distinguir entre a obra que o diácono realiza e o ofício em que é investido. O esquecimento desta distinção tem acarretado muitos mal-entendidos acerca do diaconato, porque não existe uma obra que seja feita exclusivamente pelos diáconos, isto é, não há nenhum serviço que ele faça de que outros não possam participar. Essa distinção entre a obra e a posição que ele ocupa origina-se do Novo Testamento, onde encontramos a palavra grega "diakonos" empregada tanto para significar "ministro" como para significar "servo". Tal palavra é usada na maior parte das vezes não para determinar aquele que tem uma posição ou exerce um ofício na igreja, ainda que vejamos claramente, pelas cartas paulinas, existir esse ofício. (Fp.1:1 I Tm.3:8 e 3:12). O Novo Testamento emprega a mesma palavra para se referir em geral a cristãos, como servos, e também a oficiais particularmente separados para um determinado serviço. O diácono tem uma responsabilidade toda especial para com o serviço, mas serve à igreja na mesma base em que são chamados a servir todos os mais cristãos. Dado que o ofício apareceu pela orientação da sabedoria de Deus, claro está que só deve desaparecer quando dele nos vierem instruções bem claras. O que se faz necessário é uma redescoberta do ofício, um novo estudo das Escrituras a esse respeito, e uma reconsagração no sentido de melhor se avaliar esta criação da vontade divina. O Novo Testamento, de fato, oferece a resposta certa à pergunta sobre a necessidade de diáconos em nossos dias. Os diáconos foram instituídos com os seguintes objetivos: - Deixar desembaraçados os ministros para se dedicarem à oração e ao estudo e ensino da palavra de Deus. - Promover a paz na igreja ao preencher uma carência que estava gerando conflitos. - Promover o bem-estar dos crentes que seriam beneficiados com o seu serviço. - Reforçar a liderança da igreja. CONCLUSÃO A Bíblia nos apresenta diversos ministérios eclesiásticos. Se Deus os estabeleceu, é porque eles são necessários e indispensáveis. O que se vê, entretanto, é que apenas o ministério pastoral é valorizado atualmente. Creio que os outros ministérios existem, mas não são reconhecidos. Quando são, parecem estar em um nível bem abaixo do pastorado, e talvez até abaixo do diaconato. As igrejas, em geral, não investem na formação nem na remuneração de outros ministros. Por exemplo: os evangelistas, exceto os grandes vultos internacionais, não são vistos como ministros, a não ser que sejam também pastores. Quem perde com tudo isso? A própria igreja. O que vemos em muitas delas? A liderança está centralizada nas mãos de um homem - o pastor. A igreja torna-se então um retrato desse líder. Se limita aos seus limites e se especializa em suas especialidades e dons. Daí o fato de existirem igrejas "especializadas" em cura, ou expulsão de demônios, ou profecias, ou libertação de viciados, etc. Isto não é ruim. O mal está do outro lado da moeda. Uma igreja "especializada" em curas normalmente é deficiente no ensino da Palavra de Deus. Aí começam os problemas e surgem as heresias. Para evitar esse tipo de situação Deus estabeleceu ministérios vários e distintos na igreja. Precisamos valorizar cada um deles. É necessário descobrir aqueles que os possuem, investir na formação e na remuneração desses ministros. A liderança deve ser praticada pela equipe ministerial. A igreja que assim fizer, será equilibrada, crescerá naturalmente e terá saúde espiritual. BIBLIOGRAFIA BOYER, O.S. - Pequena Enciclopédia Bíblica - Editora Vida HURST, D.V. - E Ele Concedeu Uns Para Mestres - Editora Vida NORMAN, HUSSEL - O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Milenium Distribuidora Cultural Ltda BÍBLIA SAGRADA - Versão Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeira - Sociedade Bíblica do Brasil BORN, A.VAN DEN - Dicionário Enciclopédico da Bíblia - Editora Vozes Ltda NAYLOR, ROBERT - O Diácono Batista - Casa Publicadora Batista FERREIRA, AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA - Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Editora Nova Fronteira TOGNINI, ENÉAS - Eclesiologia - Edições Convenção Batista Nacional 9. DISCIPLINAS ESPIRITUAIS I. INTRODUÇÃO Na obra de C. S.Lewis Cartas do Inferno, Screwtape Lettes [o diabo] reprova o aprendiz de demônio Wormwood (Cupim) [seu sobrinho], por permitir que seu “paciente”se tornasse cristão. Apesar disso, ele diz: “Não há necessidade de se desesperar; centenas desses adultos convertidos foram reclamados depois de um passeio pelo campo do inimigo e agora estão conosco. Todos os hábitos do paciente, tanto mentais como físicos, ainda estão do nosso lado”. II. O HÁBITO FAZ O MONGE Um hábito é uma tendência estabelecida ou uma maneira usual de comportamento adquirido pela repetição constante ao longo do tempo, de modo que se tornou quase que involuntário. “Plante um pensamento e você colherá uma ação; Plante uma ação e colherá um hábito; Plante um hábito e colherá um caráter; Plante um caráter e colherá um destino”. – Samuel Smiles, início do século XX.. III. CRIE SEU HÁBITO DEVOCIONAL Na bíblia hebraica aparece uma palavrinha que encerra um grande principio espiritual. É a palavra SELAH, usada nos Salmos para o intervalo que se dava para meditação entre uma verdade revelada e outra. Os monges DA Idade Media cultivavam um hábito de ter um statio, que significava simplesmente fazer uma pausa para meditar entre uma tarefa e outra. Melhor ainda é o exemplo de Jesus de Nazaré. Ele mais do que nunca sabia distribuir de forma equilibrada as coisas que fazia e introduzir “selahs” durante um dia de trabalho. Escolha o melhor local para seu hábito devocional. Separe o horário para seu hábito devocional. Seu tempo devocional deve seguir o fluxo natural da vida. Faça uma pauta para cada dia. Esteja pronto para alterar sua agenda se for necessário. IV. DICAS PARA O SUCESSO. Comece com o que é mais motivador para você. Siga os procedimentos na mesma ordem todos os dias. Não permita que nada substitua a oração e a leitura da Palavra de Deus. Jamais pule ou diminua o tempo de oração. Use pelo menos 50% do tempo para cada um dos dois grandes Absolutos: A oração e a Palavra de Deus. Crie seu próprio esboço. Ex: Leitura bíblica, oração, louvor, anotações, leitura de um livro. Se falhar, esteja pronto para reiniciar. V. DISCIPLINAS ESPIRITUAIS 1. MEDITAÇÃO NAS ESCRITURAS – I Tm3:16,17. 1. A Bíblia é o agente de transformação básico. 2. Transforme-se pela renovação da mente (Rm12:1,2). Aquilo que penso determina o que faço e meus pensamentos determinam meu comportamento. 3. Nossa mente não é transformada de imediato, mas aos poucos, à medida que compreendemos mais e mais a verdade e cremos nela. “A Bíblia não nos foi dada para nossa informação, mas para nossa transformação” –D. Moody. 4. Renove sua mente lendo a Bíblia toda ou lendo o Novo Testamento anualmente. 5. Leia longos textos e passagens cuidadosamente selecionadas. 6. Selecione pequenas passagens que se concentrem em áreas específicas que precisam ser transformadas para que você agrade totalmente a Deus. 7. Peça a Deus que Ele revele a você o que está errado, qual mentira que precisa ser descartada e qual verdade deverá substituí-la. 8. Não só memorize as Escrituras, mas experimente real transformação de Deus. 9. Renove sua mente transformando textos bíblicos em oração. 2. ESTUDO “Místicos sem estudo das Escrituras são apenas românticos espirituais que desejam relacionamento sem esforço”- Calvin Miller. Ex: Jesus - Lc4:17; 24:27. Paulo - Suas defesas diante das autoridades – Teses sistemáticas bem elaboradas, fruto de muito estudo das Escrituras e da cultura em redor. Felipe - At8:34-35. João Wesley - Tinha uma agenda apertada: Segundas e terças-feiras: estudo de grego, História Romana e Literatura. Quartas: Estudo de Lógica e Ética. Quintas: Hebraico e Árabe. Sextas: Meta-física e Filosofia Natural. Sábados: Composição de Oratória e Poesia. Domingos: Estudo de Divindade (Teologia). Afora tudo isso, estudava francês, e se aperfeiçoava em matemática e ainda conduzia experiências em Ótica. Fez em média três sermões por dia, e durante 54 anos, 44.000 mensagens. Em sua vida toda viajou no lombo de cavalos 320.000 km, sendo 8.000 por ano. Publicou i comentário de 4 volumes sobre a Bíblia, 1 dicionário de Inglês, 5 volumes de Filosofia, 4 volumes sobre História da Igreja, escreveu livros de Gramática Inglesa, Hebraica Grega e Francesa, 3 volumes de Medicina, 6 de Música Clássica e 1 jornal que totalizou 50 periódicos no fim da vida. Esse homem estudioso foi o responsável pela salvação da Inglaterra através de um poderoso avivamento. Billy Granhan: Duas poderosas ferramentas: A Bíblia e o jornal. 3. O DIÁRIO DE ORAÇÃO. Se a oração é a ferramenta básica para a renovação da mente, a oração é a ferramenta fundamental para a renovação do relacionamento com o Senhor. A oração é a linguagem da comunhão e abre a porta da intimidade entre o humano e o divino. Jo 16:23b,24. A oração nos faz entrar na dimensão do milagre, pois “orar é invadir o impossível”.- Jack Hayford. Escreva: 1. Suas orações diante de Deus. 2. Pensamentos resultantes da meditação na leitura das Escrituras. 3. Confissões de pecados. Frustrações e temores Sonhos e visões 4. SOLITUDE Não se trata apenas de descanso ou refrigério na natureza (isso seria lazer) embora isso contribua para nosso bem-estar espiritual. Solitude é escolher estar sozinho e experimentar o isolamento voluntário de outros seres humanos. Solitude é # do recolhimento monástico. Exs: Os ratos e a anfetamina. Jesus buscava lugares tranqüilos como o deserto da Judéia, montes, jardins, beira-mar para conversar com o Pai. Paulo precisou de se recolher no deserto da Arábia para estudar as Escrituras. João Batista também se retirava para o deserto – Lc3:1,2. 5. DESCANSO E LAZER 1. Tire tempo para você mesmo. 2. Evite o trabalho vicioso e compulsivo. 3. Jesus não estava disponível todas as horas do dia – Mc6:45. 4. Separe tempo para atividades recreativas ou passatempos. “Nós, cristãos evangélicos, temos uma boa doutrina da redenção, porém uma doutrina inadequada da criação” – John Stott. 5. Agende tempo qualitativo com a família e amigos. – IICo7:5,6) 6. JEJUM - Abstenção voluntária de alimentos ou líquidos, total ou parcial. - Nos ensina a termos uma dependência tal de Deus que encontramos no Senhor a nossa fonte de sustento além do alimento (Mt4:4; Lc12:33) e que temos uma comida para comer que o mundo não conhece (Jo 4:32,34) pois a vida é muito mais que alimento (Lc12:33). -Quando jejuarmos, não devemos aparentar preocupação ou tristeza ou semblante decaído ( Mt6:16), ao contrário, devemos demonstrar alegria e aparência de bem-estar (17,18). Também não devemos jejuar por outro motivo que não seja a glória de Deus e a edificação do corpo de Cristo ( Is58:3-5). - Nosso ventre não é nosso deus (Fl3:3:19; Rm16:18) mas sim, um alegre servo de Cristo e do próximo (ICo6:13). - Quando jejuamos, temos um senso claro das verdades divinas e maior compreensão das Escrituras. - Quando jejuarmos, orarmos ou fizermos qualquer coisa, devemos sempre cultivar a disciplina da DISCRIÇÃO e o do SEGREDO, ou seja, nos abstermos também de fazer conhecidas as nossas boas obras e qualidades, evitando, por outro lado, envidar todos os esforços para evitar nossa promoção pessoal. ( Mt6:2-4,6-8; Fl2:3). Ex: George Miller em Bristol, Inglaterra, vários orfanatos e experiências sobrenaturais de tremendas respostas de Deus, sem falar nada para alguém. 7. SIMPLICIDADE Ausência de qualquer tipo de ostentação na vida. Devemos voluntariamente nos abster de usar o dinheiro ou os bens materiais à nossa disposição de modo à meramente gratificar nossos desejos e apetites por status, glamour ou luxo. Significa permanecer dentro dos limites daquilo que o bom senso dita como suficiente ao tipo de vida para a qual Deus nos direciona. Exs: Paulo – A arte de viver bem em toda e qualquer circunstância - Fl4;12. Pr. Caio Fabio – mestre no exemplo de frugalidade de vida. Alexandre, o Grande e o ermitão Diógenes. Alexandre, O Grande, foi visitar o sábio Diógenes em sua caverna no alto de um penhasco. Diógenes estava deitado em uma esteira velha de palha, despido, cabelos desgrenhados, corpo esquelético no alto dos seus setenta anos, tomando o sol do final da tarde. Seu cão de estimação lambia-lhe as feridas. Alexandre sobe com seu séqüito e anuncia sua imponente chegada: ”Salve, Diógenes! Quem está na tua frente é Alexandre da Macedônia. Pede-me o que quiseres e eu serei feliz em te dar”. O velho abriu sua boca desdentada: Qualquer coisa? - Qualquer coisa! _ Então, sai daí, que estás a fazer-me sombra! Depois do encontro, ao ver o estilo de vida frugal (simples) de Diógenes, Alexandre volta-se para Calígenes, seu capitão e diz: - “Se eu não fosse quem sou, Alexandre, queria ser Diógenes”. VI. CONCLUSAO Se decidirmos nos aplicar hoje, com mais afinco nas disciplinas espirituais, separando tempo para a vida devocional diária, para nós mesmos, para nossa diversão em família, tudo de forma equilibrada, aprimoraremos a nossa qualidade de vida e produziremos de di Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?">scípulos não à nossa imagem e semelhança, mais líderes à imagem e semelhança de Jesus e mais e mais parecidos com Ele. 10. AS PROMESSAS DE DEUS Uma promessa é uma declaração referente ao futuro, que garante que alguém fará ou dará algo. Envolve um doador que outorga algo a um recebedor. Encontramos na Bíblia Sagrada muitas promessas de Deus (Rm 1.2), muitas vezes alicerçadas sobre alianças que garantem resultados positivos. Algumas considerações necessárias sobre as promessas de Deus registradas na Bíblia: 1) Existem promessas que são gerais a todos os cristãos. Promessas como a esperança da vida eterna (Jo 3.16), a volta de Jesus (Ap 22.12), o novo céu e a nova terra (2 Pe 3.13), a vitória da Igreja sobre as portas do inferno (Mt 16.18), a presença do Espírito Santo nos crentes (Jo 14.17), etc. 2) Algumas promessas são específicas para alguns indivíduos e não se aplicam a todos. Algumas vezes Deus prometeu especificamente a alguns homens, dentro de um determinado contexto histórico e estas promessas não se aplicam a mais ninguém (Embora algumas possam exemplificar princípios que são válidos em toda a Bíblia). Exemplo: A promessa ao rei Ezequias (2 Rs 20.6). Deus prometeu dar-lhe mais 15 anos de vida. Este texto mostra-nos que Deus tem poder sobre a vida e morte, mas não é promessa de sobrevida para nenhum outro homem. (Ver também Gn 12.2; Js 1.5). 3) Promessas feitas a Israel geralmente não se aplicam à Igreja hoje. Deus prometeu aos israelitas que se eles obedecessem aos Seus mandamentos, eles iriam bem, mas se desobedecessem, seriam desterrados (Dt 28.15-68). Temos um exemplo em 2 Cr 7.14. É uma promessa específica para Israel, mas que contém o princípio geral de que Deus atende às orações dos humildes. (Ver também Is 54; Ez 36.16-38; Jl 2.18-27). 4) Algumas promessas do AT são aplicáveis à nossa vida hoje. As promessas baseadas na natureza de Deus e não em circunstâncias específicas, são aplicáveis a todos, em todos os tempos. Exemplo: a promessa da eficácia da Palavra de Deus (Is 55.11). Por ela, podemos crer que a Palavra de Deus é eficaz tanto hoje como no passado. (Ver também Jr 17.7,8; Is 26.3). Algumas promessas são feitas aos que buscam, ou confiam ou esperam no Senhor e muitas são confirmadas no NT. Exemplos: (Sl 34.22 -> Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos?
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?"> Nome: Data:
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?">Prova Avaliativa:
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?"> 1- Dê sua própria definição a) Administrar é:
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?">2- Quais são os princípios de um bom administrador?
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?">3-Cite as evidencias de uma má administração:
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?">4-Cite as evidencias de uma boa administração:
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos? Nome: Data: Nota: Prova Avaliativa: 1- Dê sua própria definição a) Administrar é: 2- Quais são os princípios de um bom administrador? 3-Cite as evidencias de uma má administração: 4-Cite as evidencias de uma boa administração: 5- Quais são os resultados de uma boa administração? 6- Qual é a função de um Pastor (a)?"> 5- Quais são os resultados de uma boa administração?
Jo 3.18; Is 40.31; Sl 31.23; 34.10) 5) Os provérbios não são promessas divinas. O livro de Provérbio é um livro de sabedoria e contém máximas de sabedoria moral. Um provérbio é uma forma de comunicar verdades usando figuras de linguagem e não constitui uma promessa, a não ser quando está fundamentado sobre a natureza de Deus (Ex.: Pv 14.26). Exemplo: (Pv 22.6). Este provérbio nos afirma o princípio geral que o ensino dado à criança lhe guiará por toda a sua vida, mas esta regra tem exceções, não é uma promessa (as promessas são infalíveis). (Ver também Pv 13.21; 14.20; 15.6). 6) Palavras ditas por seres humanos e registradas nas Escrituras não são promessas divinas. Quando os homens falaram de sua própria sabedoria e não da revelação de Deus, não se configura uma promessa divina. Exemplo: (Jó 4.8). Este verso registra a opinião de Elifaz e não uma promessa de Deus. (Ver também Jó 8.6; Sl 10.4-6). A Bíblia registra até mesmo promessas feitas pelo demônio (Gn 3.4), mas não as confirma. 7) Algumas promessas são incondicionais, enquanto outras dependem de certas condições. Em algumas promessas Deus estabelece condições que devem ser atendidas para que Ele as cumpra. Exemplo; (Tg 1.25; Jo 15.7; Rm 8.13; 1 Co 3.12-17). É preciso ver se a pessoa está dentro ou não desta condição para receber esta promessa de Deus. Devemos nos esforçar para enquadrar-nos nas condições da promessa (2 Co 7.1). 8) Existem as promessas pessoais, que Deus dá por meio do dom de profecia. Essas, Deus direciona a cada pessoa individualmente. Há pessoas que receberam a promessa específica de que irão gravar um CD de música evangélica; outras de que se tornarão evangelistas de tempo integral; outros, a de que se tornarão médicos, missionários, etc. Exemplo: (At 21.10,11). É necessário observar-se o contexto de uma promessa ao interpretá-la, para não incorrer em erro. Exemplo: (2 Co 8.9) Esta não é uma promessa de prosperidade financeira, pois seu contexto fala de coisas espirituais. (Fp 4.13) Fala de poder suportar tudo e não poder fazer. Como alcançar as promessas? O melhor meio de o cristão alcançar as promessas de Deus é enquadrando-se naquilo que Deus quer para nós (Hb 10.36). Quanto mais próximo de Deus, mais próximo das promessas (Mt 6.33). As maiores promessas de Deus: a vida eterna (1 Jo 2.25; Jo 3.16; 5.24; Tt 1.2; 1 Jo 5.9, 20; Mt 19.29; 25.46 - Quem mais poderia manter essa promessa, senão somente o Senhor Deus? A maravilhosa verdade é que nenhum outro, vivo ou morto, pode oferecer a alguém a vida eterna) e a volta de Jesus (Jo 14.2-3; 1 Ts 4.16 - o cumprimento desta promessa anula promessas pessoais, como casamento, ministério, etc). Na Epístola aos Hebreus, encontramos algumas características daqueles que alcançam as promessas: 1 - Uma confiança inabalável de que um dia Deus cumprirá todas as suas promessas e profecias (Hb 11.13). Existe uma relação íntima entre a fé e as promessas de Deus (Hb 10.35). 2 - Um convencimento interior acerca do mundo invisível (Hb 11.27) - Todas as pessoas de fé têm a certeza de que o mundo invisível é real. Todos têm a convicção de fatos que se não vêem. (2 Co 4.18). Exemplo: Agar e Ismael no deserto (Gn 21.12-21); Eliseu e o servo em Dotã (2 Rs 6.8ss). 3 – Uma perseverança para esperar pelo tempo do cumprimento (Hb 6.12; 10.36). Temos certeza, quanto às promessas divinas, que: As promessas de Deus são infalíveis (1 Rs 8.56; Js 23.14) Deus sempre cumpre a suas promessas (2 Co 1.19,20). Porque Ele é fiel e Justo (1 Jo 1.9; 1 Co 1.9; 10.13; 2 Co 1.18; 1 Ts 5.24; 2 Ts 3.3; Hb 10.23). Ele não pode mentir (Tt 1.2). Porque suas promessas foram dadas com juramento (Hb 6.13; Dt 6.10; Mt 14.7) Deus nunca se retrata ou altera a suas promessas (Sl 89.34). A Palavra de Deus é fiel (1 Tm 1.15; 3.1; 4.9; 2 Tm 2.11; Tt 1.9; 3.8). Temos em Cristo a garantia das promessas (2 Co 1.20; Ef 3.6). Deus pode fazer o impossível (Lc 1.37; 18.27) As promessas da nova aliança são melhores que a da velha aliança. As promessas de Deus são preciosas e grandes (2 Pe 1.4); santas e fiéis (At 13.34). Algumas promessas de Deus para o crente: Ele prometeu-nos perdão (1 Jo 1.9) e o Espírito Santo (Lc 11.13); Ele promete dar-nos sabedoria (Tg 1.5) e paz (Is 26.3); Ele promete livrar-nos da tentação (1 Co 10.13); Deus promete não nos desamparar (Hb 13.5); Ele nos prometeu vida abundante (Jo 10.10); Ele prometeu o batismo com o Espírito Santo (At 2.39); Deus promete nos presentear com o melhor presente (1Co 2.9); Jesus promete alívio para nossas aflições (Mt 11.28-30); Jesus promete viver em nós (Jo 14.23) e nunca nos abandonar (Mt 28.20); Jesus promete estar presente quando estamos unidos em oração: (Mt 18.19-20); Jesus prometeu-nos que voltará (Jo 14.2-3) e pôr fim à morte, à tristeza e à dor (Ap 21.4). Alguns afirmam que “quem tem promessa não morre”. Entretanto, a Bíblia diz diferente (Hb 11.13). O cumprimento das promessas não depende da nossa existência, mas da de Deus. Se Deus prometeu dar antes de morrermos, certamente cumprirá, se não, cumprirá até após a morte. Ex: a salvação de um filho. Nos momentos difíceis, temos as promessas para nos dar esperança (2 Pe 1.4) e devemos alegrar-nos nelas (Sl 119.162; Hb 11.17). Creia que todas as promessas do Senhor se cumprirão em sua vida, no tempo certo. “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera pois, no Senhor” (Sl 27.14). Obras Consultadas: RHODES, Ron. O Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de janeiro: CPAD, 2006. CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 6ª edição. São Paulo: Hagnos, 2002. 11. AS IGREJAS E AS OBRIGAÇÕES PERANTE A LEI No Brasil vige o princípio constitucional da separação Igreja-Estado, não podendo o Estado intervir com relação a questões religiosas, espirituais ou de fé, bispos, pastores, ministros, diáconos, presbíteros, evangelistas etc, para os quais não existe qualquer regramento legal, tendo a Organização Religiosa, qualquer seja sua confissão de fé, toda a autoridade de estabelecer os critérios para o exercício destas funções eclesiásticas, em face da garantia da ampla liberdade religiosa constitucional, pressupondo respeito a lei, inclusive, no exercício da fé. Contundo, é vital registrar que, para o ordenamento jurídico brasileiro, a Igreja, enquanto organização social, é pessoa jurídica de direito privado, como disciplinado no Código Civil, e sua diretoria estatutária responde judicialmente pelos danos causados a Instituição de Fé, aos membros e a terceiros, independente de ter havido culpa (ação involuntária) ou dolo (ato intencional) pelo causador, pois desde a Constituição Federal de 1988, graças a Deus, vivemos num Estado Democrático de Direito, o que pressupõe uma atuação ética eclesiástica. Destacamos, para exemplificação algumas áreas e aspectos legais nas quais as Igrejas, Entidades Eclesiásticas ou Instituições de Fé, estão obrigadas a respeitar, tais como quaisquer organizações associativas, junto a Sociedade Civil Organizada. Área civil: orientar que só os membros civilmente capazes, em geral os maiores de 18 anos, devem participar de assembléias deliberativas, votando ou sendo votados, podendo legalmente ser eleitos para quaisquer cargos de diretoria estatutária, conselho fiscal, conselho de ética, exatamente numa proposição de governança ética etc; Estatutária: ter o Estatuto Associativo averbado no Cartório do RCPJ, que é uma espécie de Certidão de Nascimento da Organização Religiosa o qual possibilita o cumprimento de deveres e o exercício de direitos, inclusive na obtenção de seu CNPJ na Receita Federal; Associativa: que os membros devem possuir um exemplar do Estatuto, onde constam seus direitos e deveres, e que a exclusão dos membros deve ser efetivada com procedimentos bíblicos e legais, sob pena de reintegração por descumprimento estatutário e direito a indenização de dano moral por exposição ao vexame público etc. Tributária: usufruir o direito à imunidade da Pessoa Jurídica, com relação a impostos, requerendo o reconhecimento junto aos órgãos públicos, e obrigatoriedade de apresentação da declaração de imposto de renda anual, além de reter e recolher ao Fisco o imposto devido pelo pastor, ministros e funcionários, além da obrigação com os demais tributos, tais como: taxas e contribuições, especialmente as sociais; Trabalhista: registrar a Carteira de Trabalho dos seus prestadores de serviço, pagando seus direitos em dia, tendo o Zelador(a) o direito a receber as horas extras prestadas, e, que sua família, se não for contratada, não tem obrigação de prestar serviços a Igreja, sob pena desta também ter direito a pleitear indenização trabalhista etc; Voluntariado: ter consciência de que a Lei do Voluntariado não se aplica as Igrejas e Organizações Religiosas, não devendo a Igreja utilizar mão-de-obra de irmãos e irmãs que não seja direcionada para “atos de fé”, como: Diretoria Estatutária, Professor da EBD, Regente do Coro da Igreja, Grupos Musicais, Lider de Grupos de Oração, Presidente das Sociedades Internas: Homens, Mulheres, Jovens etc. Previdenciária: quitar mensalmente as contribuições sociais de seus empregados, e, facultativamente de seus pastores e ministros etc; Administrativa: respeito às atribuições dos diretores estatutários - presidente, vice-presidente, secretários, tesoureiros, conselho fiscal, conselho de ética, no cumprimento de suas funções, realização de assembléias periódicas, manutenção dos livros de atas etc. Criminal: evitar e inibir a pratica de ilícitos penais, por sua liderança ou fiéis, tais como a prática do charlatanismo, respeito lei do silêncio etc; Financeira: não expor, de forma vexatória, lista pública de dízimistas ou não, sendo importante à instituição de um Conselho Fiscal, com a prestação de contas das contribuições recebidas, com a apresentação de balanços contábeis periódicos aos membros, numa visão de transparência, sobretudo na comprovação de aplicação nos seus fins; Imobiliária: reunir-se em local que possua Alvará ou Autorização Municipal, ou quando for o caso de construção nova “Habite-se”, e ainda, o Certificado da Vistoria do Corpo de Bombeiros etc; Responsabilidade civil: manutenção de instalações de alvenaria, elétricas e hidráulicas em bom estado de conservação, extintores de incêndio, saídas de emergências etc, sendo recomendado, a contratação de um seguro contra incêndio e acidentes no templo e dependências, e, para veículos da Igreja; Obrigação moral e espiritual relativa aos pastores e ministros religiosos que devem ser sustentados condignamente através dos rendimentos eclesiásticos. Que possamos “Dar a César o que de César e a Deus o que de Deus”, sendo exemplo dos fiéis, inclusive nas questões legais. Gilberto Garcia é Mestre em Direito, Conselheiro Estadual da OAB-RJ: 2007/2009 e Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros. Professor Universitário, Especialista em Direito Religioso e Autor dos livros: “O Novo Código Civil e as Igrejas” e “O Direito Nosso de Cada Dia”, Editora Vida, e, “Novo Direito Associativo”, e, Co-autor da Obra Coletiva: “Questões Controvertidas - Parte Geral Código Civil”, Editora Método, e, do DVD - Implicações Tributárias das Igrejas, Editora CPAD. 12. IGREJAS NEO - PENTECOSTAIS Nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre. Dessa onda surgem o Salão da Fé(1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977)6, a Igreja Internacional da Graça(1980) e várias outras. Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores. Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento. O movimento que foi chamado de "neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado. Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. Há há uma grande disparidade teológica entre as igrejas néopentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do pentecostalismo clássico e deutero. HISTÓRICO DAS IGREJAS NEOPENTECOSTAIS Igreja de Nova Vida Embora pequena no cenário neopentecostal a Igreja de Nova vida desempenhou papel destacado como formadora e provedora dos líderes das duas maiores igrejas neopentecostais do Brasil: IURD e Internacional da Graça de Deus. De seus bancos saíram Edir Macedo, R. R. Soares e Miguel Ângelo. Já na nova vida encontramos uma forma embrionária das principais características do neopentecostalismo, ou seja: intenso combate ao Diabo, valorização da prosperidade material mediante a contribuição financeira, ausência do legalismo nos usos e costumes. Foi fundada em 1960 no bairro Botafogo, RJ, pelo missionário canadense Walter Robert McAlister. A igreja surgiu como conseqüência de seu programa radiofônico A voz de Nova Vida. McAlister é oriundo de família pentecostal, e sempre se dedicou a atividade missionária, trabalhando como evangelista em vários países, onde nas Filipinas tem uma experiência profunda na libertação de demônios. Em 1960 McAlister se estabeleceu no Rio, passando a pregar semanalmente no auditório da Associação Brasileira de Imprensa e anualmente no Maracanãzinho e deu início à Cruzada de Nova Vida. Ao contrário das demais igrejas neopentecostais formadas nos anos 50 e 60, a Nova Vida desde o princípio tinha como seu público alvo a classe média e média baixa. Este fenômeno só vai ocorrer nas demais igrejas neopentecostais a partir dos anos 80. No ano de 1979 a Nova Vida foi implantada no Estado de São Paulo pelo seu líder. Contudo não obteve o mesmo sucesso entre os paulistanos, possuindo atualmente apenas dois templos. Com a morte de McAlister em 1993 nos EUA seu filho, McAlister Jr., assumiu o poder da igreja. Mas, não desempenhou uma liderança carismática como o pai, por isso, em três anos já via sua liderança sucumbir. McAlister Jr. saiu e fundou a igreja Nova Aliança, conseguindo levar consigo um ínfimo contigente de pastores. Com o cisma sua mãe, Glória McAlister, se tornou a mais nova líder da igreja, mantendo quatro bispos à frente da Nova Vida, com Tito Oscar na presidência. Em seguida retornou aos EUA. Apesar do cisma a igreja permaneceu firme, sendo que em meados de 1997, um ano após o “racha”, possuía 60 templos, 45 só no Rio. Como o cargo de bispo aponta, o governo eclesiástico da Nova Vida é episcopal. Contudo, desde 1975, as congregações ganharam autonomia e independência administrativa, tornando-se congregacionais, mais democráticas e autônomas. Atualmente a igreja cresce pouco pois seu público alvo é a classe média que é pouco receptiva aos métodos pentecostais. Outro motivo é a forte concorrência das outras igrejas neopentecostais, além da diminuição dos fenômenos extáticos e carismáticos em seus cultos. Igreja Universal do Reino de Deus Embora oriunda de uma da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois engressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros. Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caraterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, no rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com cânticos avivados. Apesar disso, não há ênfase no louvor, e sim, na luta contra os demônios e a evangelização. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seus apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome. A Universal não possui seminário. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. A Universal cresceu meteoricamente na década de 80. Quando completou três anos, em julho de 1980, tinha apenas 21 templos em 5 Estados. Em 1982, dobrou, passou a ter 47 templos em 8 Estados. Em 1983, chegou a 62 templos e alcançou mais um Estados, Em 1984, avançou para 85 templos em 10 Estados. Em 1985 saltou para 195 templo em 14 Estados e no DF. Em 1986, atingiu a marca de 240 templos em 16 Estados. Em 1987, tinha já 356 templos em 18 Estados, 2 em NY e mais 27 “trabalhos especiais” em cinemas alugados. Em 1988, além de 26 “trabalhos especiais”, possuía 437 templos em 21 Estados e Brasília. E em 1989, somava 571 templos. Nestes nove anos o número de templos da Universal cresceu 2.600%. Em 1998, já presente em pelo menos 50 países, a Universal estava fundando um templo por dia em média e possuía mais de 3000 deles no Brasil, e 700 no exterior. Seu primeiro programa de rádio durava 15 minutos na rádio Copacabana. Em meados da década de 90 já mantinha em seu poder 40 emissoras de rádio. Em 1980 dava seus primeiros passos na TV, e já em 1989 comprava a Rede Record de Rádio e TV. Junto com a Assembléia de Deus a Universal é a igreja pentecostal que faz mais sucesso na política. Iniciou a sua primeira candidatura própria em 1982. A Universal não mede esforços para eleger seus candidatos, nem tenta camuflar a sua participação no meio político. Não contra a política, pelo contrário, a utilizam para defender seus interesses. Em 1986, a Universal elegeu um parlamentar para o Congresso. Em 1990, conseguiu eleger 4 deputados federais e três estaduais. Em 1994, Elegeu seis deputados federais e seis estaduais. Em 1998, ampliou consideravelmente sua representação: elegeu 14 deputados federais e 26 estaduais. A Universal mantém uma ideologia política baseada no moralismo e no antiesquerdismo. Nas eleições de 1990 e 1994 atacou publicamente a candidatura do candidato do PT, Lula, associando sua imagem, a dos padres e do Diabo. Tem por filosofia não se filiar à partidos de esquerda. Igreja Internacional Da Graça De Deus Em 1980, após se separar da Universal do Reino de Deus, Romildo Ribeiro Soares fundou a Igreja Internacional da Graça de Deus, na cidade do Rio de Janeiro. Nasceu em Muniz Freire, ES em 1948. Se converteu aos 6 anos num culto presbiteriano. Logo em seguida começou a freqüentar a igreja Batista, na qual permaneceu até os 16 anos, quando mudou-se para o Rio, onde ficou afastado do evangelho por 4 anos. Em 1968, filiou-se à Nova Vida, igreja na qual se casou e permaneceu como membro. Em 1975, foi consagrado pastor na Casa da Benção e participou da Fundação da Cruzada do Caminho Eterno. Dois depois, fundou a Igreja Universal, da qual saiu em 1980. Soares não cursou seminário, mas bacharelou-se em direito na Universidade Gama Filho, Rio. É ele quem comanda o televangelismo e a organização eclesiástica da igreja. A sede localiza-se no Meyer, Rio. Até 1998 a igreja só possuía 317 templos. A Internacional se parece muito com a Universal. Adota agenda semanal, abre as portas diariamente, prega curas, exorcismos e prosperidade, utiliza intensamente a TV, tem líder carismático e pastores jovens e sem formação teológica, não concede autonomia as comunidades locais, e é liberal em matéria de usos e costumes. Seus pastores recebem um curso bíblico de 12 meses. Possui duas classes de pastores os comissionados e os consagrados. Para ser consagrado o pastor deve ser casado e ter vocação pastoral. Trabalham de tempo integral, recebendo de 3 a 5 salários mínimos. Valorizam mais a TV do que o rádio. Renascer Em Cristo A Renascer foi fundada na capital paulista em 1986 pelo casal Estevam Hernandes Filho, ex-gerente de marketing da Xerox do Brasil e da Itautec, e Sônia Hernandes, nutricionista e ex-proprietária da butique La Belle Femme.Toda a família de Estevam é de origem espanhola se converteu a uma igreja pentecostal. Aos 20 anos ingressou na Pentecostal da Bíblia do Brasil, depois freqüentou Cristo Salva e a Evangélica Independente de Vila Mariana, das quais adotou a ênfase musical como recurso evangelístico. Já Sônia, cuja família era da IPI (Igreja Presbiteriana Independente), da qual seu pai é presbítero, aceitou Jesus aos 5 anos e foi batizada no Espírito Santo aos 12. Em 1986, juntamente com um grupo de crentes de classe média o casal fundou os trabalhos da Renascer numa pizzaria. Em seguida tomaram emprestado um templo de uma igreja pentecostal, e em 1989, alugaram o Cine Riviera, no Cambuci, transformado em sede nacional da denominação depois de comprado por um empresário membro da igreja. Em 1998, a Renascer contava com mais de 300 templos, a maioria em São Paulo. Em 1995, adotou governo eclesiástico episcopal, cujo hierárquico é ocupado por Estevam Hernandes, então apóstolo. A maioria de seus pastores são de tempo parcial. Cerca de 10% são mulheres. Esposas de pastores são co-pastoras. O ensino teológico fica a cargo da Escola de Profetas, com duração de 2 a 3 anos. A fundação Renascer, criada em 1990, administra a denominação. A Renascer em Cristo detém a patente da marca Gospel no Brasil, a cúpula possui rádios, emissora de TV UHF, a produtora RGC, a Editora Renascer, o jornal Gospel News, o Instituto Renascer de Ensino, o Cartão Gospel Bradesco Visa e a livraria Point Gospel em cada templo. Também possuem uma gravadora e uma casa noturna. Realiza megaeventos na cidade de São Paulo e encabeça o movimento Gospel. Dá prioridade aos programas de TV, enfatizando sempre a música gospel tanto em rádio com TV. É liberal quanto a usos e costumes. Seu público alvo são os jovens, empresários e profissionais liberais. A denominação tem um consistente papel na ação social semelhante a Universal; na política apóia os candidatos evangélicos e é contra candidatos da esquerda. Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Fundada em Goiânia em 1976, a Comunidade tem sua origem diretamente ligada à biografia de seu líder Robson Rodovalho, professor de física licenciado da Universidade Federal de Goiás, é proprietário da Editora Koinonia e autor de vários livros com ênfase na guerra espiritual. Rodovalho é vem de família kardecista.A vida de Rodovalho mudou radicalmente quando matou por acidente, na fazenda dos pais, o caseiro da fazenda. O adolescente Robson com 14 anos ficou desequilibrado emocionantemente, com tiques nervoso e frustrado com os guias que não o ajudaram. Decepcionado, um ano depois, converteu-se num acampamento realizado pela mocidade da IPB. Seus pais logo se converteram. Paralelamente à freqüência à IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), Robson se filiou à MPC (Mocidade Para Cristo), passando a evangelizar e formar clubes bíblicos nos colégios. Tornou presidente estadual da MPC. Aos 17 anos recebeu o batismo do Espírito Santo num acampamento da MPC. Meses depois iniciou sua própria igreja em Goiânia. Em 1976 foi consagrado pastor e fundou a Comunidade Evangélica, cuja terminação Sara Nossa Terra só foi adotada em 1992. Para diferenciá-la das demais. Em 1997, adotou governo eclesiástico episcopal, ocasião em que Rodovalho foi consagrado bispo primaz. Em 1996, a igreja tinha mais de 200 templos, sendo a maioria de seus membros são de classe média. A arrecadação é centralizada. Não obriga seus pastores a cursarem teologia. O próprio Rodovalho fez curso teológico por correspondência. Pastores e esposas são consagrados ao ministério. Desenvolve ação social. Dá ênfase a parte musical. Por causa de experiência de seu líder na MPC fundou a organização “atletas de Cristo” de vários times de futebol. CARACTERÍSTICAS DO MUNDO NEOPENTECOSTAL A “guerra santa” Com a demonologização das crenças, rituais, deuses e guias dos cultos afro-brasileiros e espíritas, os pentecostais vieram travar o que a mídia brasileira denominou de “guerra santa”. Foi um termo usado inadvertida e exageradamente em comparação (se é que se pode comparar) à guerra religiosa, política, econômica e territorial travada entre árabes e judeus, protestantes e católicos na Irlanda. Tal “guerra” desencadeou-se na década de 1980, porque até então as vertentes pentecostais precedentes não atacavam esses adversários direta, sistemática e até fisicamente, como o faz a Igreja Universal hoje. Do conflito velado passou-se para o conflito aberto, do discurso polêmico-pacífico, para o discurso polêmico-físico. No entanto, devido a processos e inquéritos judiciais que sofreu, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) têm lançado mão de uma versão mais leve e menos visível desta “guerra”. Mas além da IURD, participam também desta guerra contra o diabo igrejas do deuteropentecostalismo, como a Deus é Amor e a Casa da Bênção. Todavia, pregação da guerra espiritual se distingue teologicamente, ainda que em termos de ênfase, as igrejas neopentecostais do pentecostalismo clássico e, em menor grau, do deuteropentecostalimo. Objetos benzidos e correntes de oração É interessante notar que os neopentecostais muito se assemelham aos adversários que mais combatem. Mariano relata que Universal e Internacional da Graça distribuem aos fiéis objetos ungidos dotados de poderes mágicos ou miraculosos, ato que mais uma vez as aproxima de crenças e práticas dos cultos afro-brasileiros e do catolicismo popular. Segundo Edir Macedo, o uso e a distribuição de objetos visa despertar a fé das pessoas e constitui uma das técnicas de pregação empregadas por Jesus em sua passagem pela terra. Depois de ungidos, os objetos são apresentados aos fiéis como dotados de poder para resolver problemas específicos, em rituais diversificados e inventivos, tendo por referência qualquer passagem ou personagem bíblicos. Dotados de funções e qualidades terapêuticas, servem para curar doenças, libertar de vícios, fazer prosperar, resolver problemas de emprego, afetivos e emocionais. Não apresentam caráter meramente simbólico como alegam os pastores quando inquiridos pela imprensa e por outros interlocutores. Para os fiéis tais objetos, pelos quais esperam ter seus pedidos atendidos, contêm uma centelha do poder divino. Não obstante os meios pentecostais tradicionalmente se oponham ao uso de objetos sagrados (exceto a Bíblia) dotados de poder mágico e terapêutico para não sucumbirem à idolatria, a Universal e Internacional, mediante o pagamento de ofertas espirituais, distribuem aos fiéis rosa, azeite do amor, perfume do amor, pó do amor, saquinho de sal, arruda, sal grosso, aliança, lenço, frasquinhos de água do Rio Jordão e de óleo do Monte das Oliveiras, nota abençoada (xerox de cédula benzida), areia da praia do Mar da Galiléia, água fluidificada, cruz, chave, pente, sabonete. Tal como na umbanda e no catolicismo popular, recomenda-se que eles sejam ora guardados na carteira, carregados no bolso e daí por diante (MARIANO, pp. 133,134). O discurso das igrejas Universal e Internacional da Graça é altamente repetitivo, lida com os mesmos problemas, apresenta as mesmas soluções e faz o mesmo diagnóstico de suas causas. O que varia são as formas dos cultos, bem como o modo de participar deles e o sacrifício (a quantia de dinheiro) exigido para o fiel habilitar-se a receber as bênçãos desejadas ou propostas. Sua capacidade de diversificar o repertório simbólico parece inesgotável. Daí encontramos corrente: de Jó, de Davi, do tapete vermelho, dos 12 apóstolos, do nome de Jesus, da mesa branca, do amor, das 91 portas; campanha do cheque da abundância, vigília da vitória sobre o diabo, semana da fé total. Estratégia para socializar e converter as pessoas, as correntes ou campanhas exigem a presença do fiel numa seqüência de cultos durante 7 ou 9 dias e até por 12 semanas consecutivas. A quebra da corrente, isto é, a ausência do fiel em algum dos cultos em que se prontificou a comparecer, impede a recepção da bênção esperada em razão da ruptura do elo que começara a se estabelecer entre ele e Deus. Atribui-se a culpa pela quebra da corrente aos demônios. 13. PENTECOSTAL OU NEOPENTECOSTAL? O problema que abordaremos a seguir não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais. Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”. Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico. Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neo-pentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo. Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus. Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço. I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas. Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira: · FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas. · PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo. · PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais. · NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc) · NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo. · CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria , na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias. Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial. II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO Nossa posição, no entanto, não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente. O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado. Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios. III – O SINAL DE ALERTA Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo , vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta: Profecia lançada, profecia cumprida! Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação Lilian Bartira No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual. Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro. Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente. Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas. No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético. Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil. (Fonte: site do MIR) O comportamento desse ”apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO. Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor. Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc. Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc. IV – OS VÍDEOS Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir: 1ª. Série 01 Gira de Umbanda 02 Gira Africano 03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá 04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso 05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria Comentários: Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil. Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais. Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde agüentarem. Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. Perguntas para reflexão: 1) Para que girar? 2) Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido? 3) Não há como dominar esse fenômeno do rodopio? 4) Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval? 5) Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado? 6) Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes? 7) Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar? 8) Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto? 9) Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio? 2ª. Série 06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira 07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz 08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus 09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia Perguntas para reflexão: 1) Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede? 2) Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro? 3) Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda? 4) Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda? 5) Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório? 6) Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia? 7) Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional? 3ª. Série 10 Umbanda – Umoloco 11 Batismo no Candomblé 12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”. 13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino 15 idem Perguntas para reflexão: 01) Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”? 02) Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz? 03) Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé? 04) Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso? 05) Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé? 06) Por que a mulher grita até perder o fôlego? 07) Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos? 08) Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás? 09) Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém? 10) Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé? V – O QUE DIZ A BÍBLIA Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim. O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos. Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso: 1) Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40). 2) Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: “ Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20) 3) Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias. 4) O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão. 5) E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23) 6) Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23) 7) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22) 8) Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26) 9) E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13) 10) Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13) 11) A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16) 12) Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61) CONCLUSÃO As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16) Wagner Antonio de Araújo OBSERVAÇÕES Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que lêem e vêem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno. Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”. Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência. A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre. 14. SUBMISSÃO À AUTORIDADE A palavra “autoridade”, do grego, “ecsusia”, literalmente significa: autoridade, direito de mandar. É traduzida como: autoridade, poder, jurisdição, autorização, direito, domínio, potestade, império, soberania, força. Aparece cerca de 99 vezes na Bíblia, sendo apenas 6 vezes no AT (ARA). DEUS É A FONTE DE TODA AUTORIDADE (Sl 103.19; Rm 13.1; Hb 1.3) Deus é o único que tem autoridade e o único que pode concedê-la. Isto significa que a autoridade que há no mundo provém de Deus. Deus tem autoridade direta; o homem, só autoridade delegada. No entanto, só obedecerá à autoridade que Deus delegou aquele que reconhece e se submete à autoridade do próprio Deus. O PRINCÍPIO DA REBELIÃO O princípio da rebelião, a insubmissão à autoridade de Deus, se deu com o diabo (Is 14.12-15 e Ez 28.13-17). Ele era um anjo subordinado a Deus, querubim ungido da guarda. Quis colocar seu trono acima do trono de Deus (Is 14.13,14). Colocou-se acima de sua condição de subordinado. Quis ser semelhante a Deus em autoridade. Após Deus criar Adão e Eva, Satanás passou a tentá-los para terem a mesma atitude que ele teve com Deus – rebelião (Gn 3.5). Eles desobedeceram a Deus e se submeteram ao diabo (Rm 6.16). Decidiram-se pelo princípio da rebeldia, abandonando o princípio da submissão. Com este princípio satânico existente no mundo, o homem se opõe à autoridade espiritual, seja ela direta, isto é, ao Senhor, seja ela delegada, isto é, aos homens (2 Pe 2.10,11; Jd 8,9). O homem tornou-se “filho da desobediência” (Ef 2.1-3). Em 1 Jo 3.4 temos a definição de pecado: “pecado é a transgressão da lei”. Transgressão = anomia (estar sem lei por ignorância ou desobediência). “A transgressão é desobediência à autoridade de Deus; e isto é pecado. Pecar é uma questão de conduta, mas transgressão é uma questão de atitude do coração”. A maior das exigências que Deus faz ao homem não é a de servir, pregar, ensinar, fazer ofertas, dar dízimo, etc. A maior das exigências é que obedeça à sua autoridade (1 Sm 15.22,23). SUBMISSÃO, UM PRINCÍPIO DE DEUS Submissão não é mera obediência externa, mas é prestar obediência consciente a uma autoridade delegada. Tanto devemos nos submeter à autoridade direta de Deus, como devemos nos submeter às autoridades delegadas por Ele. Deus poderia agir diretamente nos homens, mas Ele escolheu o princípio de delegar sua autoridade. Na parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19), o Senhor Jesus expõe o princípio da autoridade delegada (Mt 10.40-42; Jo 13.20). Algumas ilustrações de rebelião: A REBELIÃO DE CAM (Gn 9.20-27) A REBELIÃO DE NADABE E ABIÚ (Lv 10.1,2) A REBELIÃO DE ARÃO E MIRIÃ (Nm 12) A REBELIÃO DE CORÉ, DATÃ E ABIRÃO (Nm 16) Alguns princípios: ¨ Toda autoridade está debaixo de autoridade. Uns são autoridade, outros vivem debaixo de autoridade. ¨ A autoridade representa Deus. Deus coloca confiança e unção em sua autoridade. ¨ Deus delega autoridade mesmo a homens limitados e fracos. ¨ Ir contra a autoridade é ir contra o próprio Deus. Os que agirem assim, receberão o juízo de Deus. ¨ Quem teme a Deus teme a autoridade por Ele representada. Exemplos de submissão: A SUBMISSÃO DE DAVI (1 Sm 24.4-6; 26.6-12) O EXEMPLO MAIOR: CRISTO (Fp 2.5-11) O evangelho do reino nos chama à obediência (1 Pe 1.14). Não há salvação sem obediência ao Senhor Jesus e sua palavra (Rm 10.16; 2 Ts 1.8; 1 Pe 1.22). Paulo ordena para termos o “mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5); ou de acordo com o original, a mesma “atitude”, isto é, a obediência a Deus em tudo (1 Jo 2.6). Obediência parcial = desobediência (1 Sm 15). AUTORIDADES DELEGADAS Deus estabeleceu 3 instituições: A Família (Gn 2.18-25), O Governo (Gn 9.1-17) e a Igreja (At 2). 1.AUTORIDADE NO GOVERNO (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.17; Cl 3.23-25) Os governos são estabelecidos por Deus (At 17.24-28; Dn 4.17,28,32; 2.21). O Senhor Jesus nos deu exemplo de submissão à autoridade do governo (Jo 19.11). Nós, filhos de Deus devemos honrar as autoridades, isto é, reconhecer que elas são representantes de Deus (1 Pe 2.17). É preciso distinguir entre submissão e obediência. A submissão deve ser absoluta; obedecer a ordens é relativo, somente quando estas não são contrárias às ordens do Senhor Jesus (At 5.29; Ex 1.17,21). Quando tratamos deste assunto, qual é nossa atitude diante dos incrédulos e dos irmãos? Murmuramos contra o governo? Falamos mal das autoridades? Apoiamos aqueles que maldizem e zombam dos governantes? Rimos dos comentários e piadas que fazem deles? 2.AUTORIDADE NO TRABALHO (Ef 6.5-9; Cl 3.22-4.1; 1 Tm 6.1,2; Tt 2.9,10; 1 Pe 2.18-21). Os patrões são autoridades delegadas por Deus, e devemos obedecer-lhos (1 Pe 2.18-21). A palavra diz que devemos obedecer “como a Cristo” (Ef 6.5), isto é, obedecendo a eles estamos obedecendo a Cristo. Interessante observar que a palavra de Deus não faz diferença entre trabalho do Senhor e trabalho secular, pois diz que aquele que assim trabalha está “servindo o Senhor” (Cl 3.24). Uma grande preocupação que a palavra de Deus nos chama é com a atitude do discípulo no seu trabalho. (Ef 6.5-8; Tt 2.1,9,10). A palavra dá a razão para que o discípulo tenha correto procedimento no trabalho: “... para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados” (1 Tm 6.1,2; Tt 2.10). Cada um receberá a recompensa, pelo bem ou mal realizado (Ef 6.8; Cl 3.24,25). 3.AUTORIDADE NO LAR (1 Co 11.3; Ef 5.22-33; 6.1-4; Cl 3.18-21; 2 Tm 3.1,2; Tt 2.3-5; 1 Pe 3.1-7). No lar, Deus constituiu o homem autoridade sobre a esposa e os filhos. A razão é o fato de o homem ter sido criado primeiro. Normalmente, nos ensina a ordem divina na criação que tudo o que vem antes se constitui autoridade (1 Co 11.8-12; 1 Tm 2.11-15). A submissão da mulher não é uma questão de inferioridade, mas de uma disposição que Deus instituiu na família. As mulheres são exortadas a serem submissas aos seus maridos como Sara foi com seu esposo, Abraão (1 Pe 3.1-6). Quando Eva quando pecou contra Deus, ela saiu de duas coberturas: de Deus e do seu esposo, Adão. Quando ela saiu da autoridade de Deus, imediatamente saiu da autoridade do homem. Há uma promessa às esposas que têm maridos incrédulos (1 Pe 3.1). Qual deve ser o procedimento delas? Submissão ao próprio marido! A maior pregação para salvação do marido é a obediência. Os filhos também devem se submeter ao seu pai. Obedecer ao pai é honrá-lo (Ef 6.2); e honrar significa reconhecer a posição de autoridade divina em que Deus o estabeleceu no lar. Deus quer filhos obedientes, não filhos que fazem parte de uma geração rebelde (Rm 1.30; 1 Tm 3.2). Grandes bênçãos há para os que fazem assim (Cl 3.20; Ef 6.2,3). Maldito o que desonra (Dt 27.16). Deus respeita as decisões da autoridade delegada (Nm 30). 4.AUTORIDADE NA IGREJA (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13; 1 Tm 5.17) Deus colocou sua autoridade no corpo de Cristo, que é a igreja. Deus instituiu posições de autoridade: · Os apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (Ef 4.11). · Os ministérios da igreja local, presbíteros e diáconos (Fp 1.1; 1 Ts 5.12,13; At 20.28). · A todos aqueles que são cooperadores e obreiros (1 Co 16.15,16). · Aqueles que nos ensinam, os discipuladores (Mt 28.18,19; Gl 6.6; Hb 5.12). · Os mais velhos na idade (1 Pe 5.5). Sempre devemos lembrar que Deus colocou autoridade no corpo de Cristo com o propósito de representá-lo em autoridade e de servir. Quanto maior em autoridade maior em serviço, como nosso Senhor Jesus, que disse que veio não para ser servido, mas para servir e dar sua vida (Mt 20.26-28; 2 Co 10.8; 13.10). Muitos crentes se julgam acima da autoridade, dizendo: “Eu só obedeço a Cristo, o Senhor. Não estou sujeito a nenhum homem!”. É inadmissível declarar obediência a Deus e não às autoridades por Ele delegadas. Obedecer somente quando se concorda não é espírito de submissão. É rebeldia e independência. Importa que obedeçamos de coração e há grande recompensa para os que assim fazem (Jó 36.11,12). Submissão não é motivo para exaltação, mas a obrigação do servo (Lc 17.10). O conhecimento sobre autoridade não resolve, mas o cumprimento da palavra (Tg 1.22). Obras Consultadas: NEE, Watchman. Autoridade Espiritual. São Paulo: Vida, 2005. BEVERE, John. Debaixo de Suas Asas. Belo Horizonte: Dynamus, 2002. 15. TIPOS DE ORAÇÃO A Bíblia nos manda orar (Mt 26.41; Mc 14.38; 1 Ts 5.17; Tg 5.16) com toda sorte de oração (Ef 6.18). Há diversos tipos ou espécies de oração e cada um deles segue princípios claros. Há orações que não buscam necessariamente alguma coisa de Deus. Outras visam alterar uma circunstância em nossa vida ou na vida de terceiros. A todas elas Deus deseja ouvir (Sl 65.2; Pv 15.8b). Níveis de Oração Poderíamos classificar as orações em três níveis diferentes: Deus, nós e os outros. Dentro de cada um desses níveis há diversos tipos de oração: 1. Deus como centro das nossas orações Há orações que são dirigidas a Deus, visando Deus mesmo, o que Ele é, o que Ele faz e o que Ele nos tem feito. · Ações de Graça - A expressão do nosso reconhecimento e gratidão a Deus pelo que Ele nos tem feito. Exemplo (Sl 103) · Louvor - São expressões de louvor a Deus pelo que Ele faz. Louvar é reunir todos os feitos de Deus e expressá-los em palavras, numa atitude de exaltação e glorificação ao Seu Nome, que é digno de ser louvado. Exemplo: (Sl 46; Lc 1.46-55). · Adoração - O tipo de oração que exalta a Deus pelo que Ele é. É o reconhecimento do que Ele é. É a resposta do nosso amor ao amor Divino. Exemplo (Sl 100; 1 Sm 2.1-10). 2. Nós mesmos como o centro das orações Aqui vamos a Deus para apresentar necessidades pessoais. · Petição - É “um pedido formal a um poder maior”. É a apresentação a Deus de um pedido, visando satisfazer uma necessidade pessoal, tendo como base uma promessa de Deus. Exemplo: (Sl 59). · Entrega - É a transferência de um cuidado ou inquietação para Deus. É lançar o cuidado sobre o Senhor, com um conseqüente descanso. Essa oração é feita quando um cuidado, um problema ou inquietação nos bate à porta. Exemplo: (Sl 38; 2 Cr 20.5-12). · Confissão – Pela oração, confessamos a Deus nossos pecados e fraquezas, pedindo o Seu perdão e restauração. Exemplo (Sl 51; Ed 9.5-15) 3. Os outros como centro das nossas orações Aqui vamos a Deus como sacerdotes, como intercessores, levando a necessidade de outra pessoa. Interceder é colocar-se no lugar de outro e pleitear a sua causa. Exemplo: (Jo 17). Oração contendo adoração, louvor, confissão, petição (Ne 9; Mt 6.9-13) Formas de Oração · Oração Privada (Mt 6.6). Cada filho de Deus tem direito de entrar em Sua presença, com confiança, e apresentar-Lhe a oração da fé (Hb 4.16). Nessa forma de oração só o Espírito de Deus é testemunha. Ela pode ser feita apenas no coração, ou em palavras audíveis. · Oração de Concordância (Mt 18.18-20).. Aqui, dois ou três se reúnem em comum acordo sobre o que pedem a Deus. Há um poder liberado através da concordância (Dt 32.30). · Oração Coletiva (At 4.23-31). Esta é feita quando o Corpo se une em oração. É uma oração de concordância com um número maior. Quando um corpo de cristãos levanta sua voz a Deus, unânime, não só na palavra ou expressão, mas no mesmo espírito, como na Igreja de Jerusalém, há uma grande liberação do poder de Deus. Recursos de auxílio à oração Toda vida e manifestação do poder de Deus é o resultado da união entre o Espírito Santo e a Palavra de Deus. Esses dois grandes recursos à nossa disposição para o exercício espiritual da oração. · Orando a Palavra - Orar a Palavra é tomar a promessa de Deus e levá-la de volta a Ele, através da oração (Is 62.6-7). A vontade de Deus é a Sua Palavra e toda oração de acordo com Sua vontade, Ele ouve (1 Jo 5.14). · Orando no Espírito (1 Co 14.14; Ef 6.18; Jd 20) - Em áreas conhecidas pela mente, podemos aplicar a Palavra escrita, orando de acordo com o nosso entendimento. Mas, quando chegamos ao limite da mente, o Espírito Santo vem em nosso auxílio (Rm 8.26-27). Podemos orar no espírito, pelo Espírito de Deus, e também orara em línguas (Rm 14.14,15). Armas de Combate na Oração A oração tem terríveis inimigos no reino das trevas, mas Deus nos deu os recursos inesgotáveis da Sua graça para nos conduzir em triunfo. (Dn 10.12-21; Ef 6.10-18; 2 Co 10.4-5). Jesus nos deu autoridade de ligar e desligar (Mt 18.18). Podemos lançar mão dessa autoridade e declarar guerra às forças de Satanás, enfrentando-as: 1. Na autoridade do nome de Jesus, a Quem tudo está sujeito (Lc 19.29; Mc 16.17). 2. Com a arma de combate, que é a Palavra de Deus (Ef. 6.17). 3. Sob a cobertura do sangue de Cristo e no poder do Espírito Santo (Ap 12.11; Lc 4.14). O inimigo será vencido por um poder maior (Mt. 12.29; 1 Jo 4.4; Tg 4.7). Obstáculos à Resposta de Oração 1. Relacionamentos destruídos (1 Pe 3.1,7; Mt 5.23-24). A vida familiar deve ser posta diante de Deus. Quando as orações não estão sendo respondidas, pode haver falha no relacionamento entre cônjuges, pais e filhos, irmãos, etc. 2. Coração que não perdoa (Mc 11.25). Qualquer que guarda espírito de rancor ou mágoa contra alguém, fecha os ouvidos de Deus para sua própria petição. 3. Contenda (Tg 3.16). A contenda é simplesmente agir movido pela falta de perdão. Paulo declara que por causa de contendas Satanás pode tornar cristãos prisioneiros de sua vontade. 4. Motivação errada (Tg 4.3). Um sério obstáculo à oração é pedir a Deus coisas que realmente não necessitamos, com o propósito de satisfazer desejos egoístas. O propósito primeiro da oração deve ser a glória de Deus (1 Co 10.31). Exemplo: (Mt 20.20-23; Lc 9.51-56) 5. Pecado não confessado (Is 59.1,2). Uma atitude de rebeldia ou desobediência à Palavra de Deus fecha os Céus para nós. Qualquer pecado inconfessado torna-se inimigo da oração. Uma vida de obediência, porém, abre o caminho à resposta de Deus (1 Jo 3.22). 6. Ídolos no coração (Ez 14.3). Ídolo é toda e qualquer pessoa ou coisa que toma o lugar de Deus na vida de alguém. É aquilo que se torna o objeto supremo da afeição. Aquilo que mais ocupa o nosso pensamento. Deus deve ser supremo em nossa vida. 7. Falta de generosidade para com os pobres e o trabalho de Deus (Pv 21.13). A recusa de ajudar o que se encontra em necessidade, quando podermos fazê-lo, impede a resposta às nossas orações. 8. Dúvida e incredulidade (Tg 1.5-7). A dúvida é ladra da bênção de Deus. A dúvida vem da ignorância da Palavra de Deus. A incredulidade é quando alguém sabe que há um Deus que responde às orações, e ainda assim não crê em Sua Palavra. E não crer nas promessas é duvidar do caráter de Deus. Devemos orar. Não somente estudar oração, mas praticá-la. “A maior tragédia não são as orações que não foram respondidas, mas as que não foram feitas”. Ver (Tg 4.2). Obras Consultadas: HYBELS, Bill. Ocupado Demais para Deixar de Orar. Campinas: United Press, 1999. MILHOMENS, Valnice. Tipos de Oração. São Paulo: Palavra da Fé, 2000. 16. SINAIS DOS TEMPOS “de mil passará, mais dois mil não chegará”. Certo? Errado. Isto não está escrito na Bíblia, muito embora muita gente faça a citação como sendo bíblica. Vejamos o que diz em Mateus cap. 24 1. Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo. 2. Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada. 3. E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. 4. Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. 5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. 6. E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. 7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8. Mas todas essas coisas são o princípio das dores. 9. Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. 10. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão. 11. Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; 12. e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. 13. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 14. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Ao estudar o assunto que marca o retorno de Jesus, o Dr. Normam B. Harrison escreveu um livro no qual apresenta os sinais bíblicos dessa volta da seguinte forma: “10 sinais nos são dados no Pentateuco; 14 em Isaías em Jeremias; 14 em Ezequiel e Daniel; 15 nos profetas menores; 17 dados pelo próprio Cristo; 29 encontrados nas epístolas e 11 no livro de Apocalipse: ao todo são 110 sinais.” Vamos passar em revista os sinais dados por Cristo, no relato de Mateus, 24: 1. Guerras entre as nações: Desde que o mundo é mundo, até onde há registro histórico, apenas um pouco mais de duzentos anos, na contagem geral, o mundo pode usufruir de paz. Desde o dia quando o pecado entrou no mundo, a guerra entrou na alma e nos caminhos do homem. Sempre houve conflitos entre irmãos, famílias, clãs, tribos, países. Mas o fenòmeno de uma luta armada que arrastou as nações do mundo inteiro só ocorreu no século XX. Ainda o povo chorava suas dores, perdas e derrotdas, quando em torno de 20 anos, a Segunda Guerra Mundial voltava a inquietar a humanidade, num crescendo de dor e violência sem prescedentes. De 1898 a 1980 houve mais de 128 conflitos armados no mundo. E a indústria que mais cresce, sem sombra de dúvida é a de material bélico, com o aumento de 57% de conflitos nos últimos anos. A Primeira Guerra Mundial foi um conflito mundial ocorrido entre Agosto de 1914 a 11 de Novembro de 1918. A guerra causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Mais de 9 milhões de soldados morreram nos campos de batalha. Na Primeira Guerra Mundial apenas 5% das vítimas foram civis – na Segunda Guerra Mundial, esse número cresceu para aproximadamente 60% a mais do que era. Segunda Guerra Mundial: 1939-1945 – Uso de duas bombas nucleares (Llittle boy em Hiroshima e a Fat man em Nagasaki. Avalia-se em 60 milhões o número de pessoas que morreram em consequência da guerra. O século XX ficará, talvez conhecido como aquele em que uma parte da humanidade atingiu incomparáveis níveis de bem estar, tendo-se também registrado extraordinários avanços tecnológicos e científicos em todas as áreas. Apesar de tudo isto, será também recordado como o século em que o extermínio de milhões de seres humanos ultrapassou todos os limites. A Organização Mundial de Saúde, em Outubro de 2002, revelou as contas desta barbárie. No século XX, os conflitos armados provocaram, direta ou indiretamente, a morte de 191 milhões de pessoas, mais da metade dos quais eram civis. Estas estatísticas, segundo os relatores do documento da OMS, estão longe de contabilizarem todos os mortos, dado que a maioria dos atos de violência são cometidos longe de qualquer olhar. Barbáries: Pilhagens, Saques e Estupros As guerras estão sempre associadas a morticíneos, mas também a pilhagens, saques e estupros. No passado ficaram tristemente célebres as pilhagens realizadas pelo exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte em toda a Europa e Norte de África. O exército alemão, durante a 2ª.Guerra Mundial (1939-1945) foi todavia mais sistemático nestes crimes e organizou para o efeito uma vasta equipa de especialistas em história de arte para selecionarem as obras que deviam ser roubadas nos países que eram ocupados. A recente invasão do Iraque pelos EUA e a Grã-Bretanha (2003) limitou-se a prosseguir esta prática histórica. Afinal nada parece ter mudado. Indústria das Armas Um dos aspectos mais chocantes do século XX, foi a suprema hipocrisia das grandes potencias mundiais. Ao mesmo tempo que se arvoravam como defensoras da Paz e dos Direitos Humanos, fomentavam guerras e golpes de estado em todo o mundo. As suas políticas externas foram e são ainda hoje determinadas pelas suas poderosas indústrias de armamento e da rapina que realizam à escala planetária. Século XXI: A Nova Desordem Mundial Antes da Guerra contra o Iraque: Ao longo do século XX, foram muitas as tentativas generosas para criar uma conjunto de organizações e princípios internacionais, capazes de regular as relações entre os povos e de garantir os mesmos direitos a todos os seres humanos, tendo originado logo à seguir à 2ª. Guerra Mundial (1939-1945), três instrumentos fundamentais: A ONU- Organização das Nações Unidas A Carta das Nações Unidas A Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU foi assumida como o “forum” internacional para a resolução pacífica dos conflitos entre os vários Estados, cujos princípios fundamentais foram consagrados na Carta. A Declaração constituía uma promessa que era possível construir uma sociedade global para todos os seres humanos baseada em valores como a Dignidade, Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Apesar destes consensos, os crimes contra a Humanidade persistiram: 191 milhões de pessoas perderam a vida em guerras ao longo do século XX, uma boa parte dos quais já depois da 2ª. Guerra Mundial. Constata-se também que a maioria dos países do mundo continua a viver sob regimes ditatoriais ou onde não se respeitam os direitos humanos. Face a esta situação, muitos têm retirado a seguinte conclusão: a ONU é uma instituição inútil, a Carta e Declaração só servem como um instrumento de retórica política, pois o que prepondera e sempre preponderou foi a Lei do Mais Forte. Agora – em pleno andamento da Guerra contra o Iraque: O que mudou em finais do século XX foi que uma única potência a nível mundial – os EUA -, abandonou a retórica política anterior. Não esconde agora que se sente o país mais forte e mais poderoso de todos. Afirma sem qualquer complexo que não precisa de outros para legitimar as suas ações no mundo e a sua estratégia expansionista. Faz agora o que considera mais justo ou mais adequado aos seu interesses. Aos restantes países resta apenas a tarefa de apoiarem as suas acções e de participarem como seus auxiliares no festim de guerras e pilhagens à escala planetária. Os que o não fizerem arriscam-se às consequências que os EUA determinarem. É a teoria do “Ou estão por Nós, ou Contra Nós”, enunciada por G. Bush. A invasão do Iraque pelos EUA, é neste contexto, o sinal da nova desordem mundial: nela a retórica dos princípios foi substituída pela afirmação sem complexos dos interesses estratégicos da única grande potência mundial. Os EUA não escondem que: Não precisam da ONU, nem de consensos mundiais para nada. Fazem a guerra a quem quer que seja sempre que considerem que os seus interesses o justificam. Neste momento, consideram vital para a sua economia o controlo das regiões do mundo onde se concentram as maiores reservas mundiais de petróleo do mundo, nomeadamente do Golfo Pérsico onde se situam mais de 66% das reservas mundiais de petróleo. O Iraque, com cerca de 11% das reservas mundiais, oferecia todas as condições para alargar o domínio dos EUA na região, abrindo-lhe as portas para uma expansão para o continente Asiático. Estava enfraquecido por mais de 20 anos de guerras, por conflitos étnicos e sanções da ONU. A sua invasão e ocupação afigurava-se rápida e barata, face ao benefícios que daí podiam resultar para a economia norte-americana. A tudo isto se juntava outros argumentos de peso, capazes de justificarem no plano internacional esta invasão. O Iraque: Desenvolvia e fabricava armas de destruição maciça; Apoiava o terrorismo mundial; Era uma das mais sanguinárias ditaduras no mundo. A verdade é que estes argumentos não passavam de mera retórica política. Os EUA nunca conseguiu provar que o Iraque tivesse armas de destruição maciça, nem sequer que apoiava organizações terroristas. Quanto à brutalidade da sua ditadura, era em tudo idêntica a outras que são apoiados e financiados pelos próprios EUA. Feitas as contas, o único motivo que justificava a invasão era sempre o mesmo: o petróleo iraquiano. Um dado novo entretanto ocorreu logo após a invasão. Para uma boa parte da opinião pública mundial: O sanguinário Saddam tornou-se num mártir da luta da independência de um país brutalmente atacado; A libertação de ditadura de um povo, prometida pelos EUA, começa a surgir como uma máscara odiosa para esconder a imposição de um regime neocolonial, cujo objetivo será garantir o saque dos recursos naturais de um país. G.Bush encarna cada vez mais, a imagem do Imperador paranóico que ameaça a comunidade internacional. Armas de Destruição Maciça A história do horror planejado cientificamente ultrapassa todos os limites. Génios da física, química, biologia e engenharia aplicam durante anos e anos todo o seu saber e inteligência a pensar como exterminar rápida e eficazmente o maior número dos seus semelhantes. Sonham em produzir uma arma suficientemente poderosa para subjugarem tudo e todos sob a ameaça do terror. 2. Fomes e Pestes: Calcula-se que 815 milhões, em todo o mundo sejam vítimas crônica ou grave subnutrição, a maior parte das quais são mulheres e crianças dos países em vias de desenvolvimento. O flagelo da fome atinge 777 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, 27 milhões nos países em transição (na ex-União Soviética) e 11 milhões nos países desenvolvidos. A subnutrição crônica, quando não conduz apenas à morte física, mas implica frequentemente uma mutilação grave, nomeadamente a falta de desenvolvimento das células cerebrais nos bebês, e cegueira por falta de vitamina A. Todos os anos, dezenas de milhões de mães gravemente subnutridas dão à luz dezenas de milhões de bebês igualmente ameaçados. (Junho de 2002). As profundas desigualdades na distribuição da riqueza no mundo atingiram atualmente proporções verdadeiramente chocantes. O número de pobres não pára de crescer. Relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento mostra que nos últimos 30 anos o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1,00 duplicou nos países menos desenvolvidos. Para a agência da ONU, o dado mais preocupante é a tendência de que esse número aumente até 2015, quando os países menos desenvolvidos poderão passar a ter 420 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em algumas regiões, principalmente na África, parte da população já tem um consumo diário de apenas 57 centavos de dólares, enquanto um cidadão suíço gasta por dia US$ 61,9. Nos anos 70 cerca de 56% da população africana vivia com menos de US$ 1,00, hoje este valor é de 65%.A pobreza está a aumentar, em vez de diminuir. As ajudas dos países mais ricos aos mais pobres são uma gota de água no Oceano, cifrando-se 0,22 por cento do seu PIB. O mais grave é todavia os subsídios que atribuem às suas empresas para exportarem e barreiras comerciais que levam aos produtos oriundos dos países mais pobres. O desequilíbrio de meios sufoca completamente as economias mais pobres. (Banco Mundial,Abril de 2003). É de estarrecer que com quase quatro anos de guerra contra o Iraque, os Estados Unidos gastaram mais de quatro trilhões de dólares, e já morreram mais de 100 mil iraquianos e mais de 3 mil norte-americanos. Para que tudo isso? Pestes: As pestes e pragas estão aí. A todo tempo aparece em noticiário uma enfermidade não diagnosticada. Enquanto isso, o câncer continua matando em proporção alarmante. Doenças antigas que pareciam ter estacionado, estão voltando, como lepra e tuberculose. Todavia, muitas doenças têm a ver com o nosso comportamento imoral e ou indevido. No caso do uso do fumo, do álcool e do sexo. Esta composição para aos milhares, bem como desfazem e interrompem vidas, famílias, economias, nações. 3.Terremotos em vários lugares: Data Região Mortos Magnitude Comentários 1290 27/09 Chihli, China 100.000 1556 23/01 Shensi, China 800.000 1737 11/10 Calcutá, India 200.000 1755 01/11 Lisboa, Portugal 70.000 Tsunami 1783 04/02 Calábria, Itália 50.000 1797 04/02 Quito, Equador 40.000 1828 12/12 Echigo, Japão 30.000 1868 16/08 Equador/Colombia 70.000 1906 18/04 São Francisco, USA 700 8,25 Incêndio em São Francisco 1908 28/12 Messina, Itália 120.000 7,5 1920 16/12 Kansu,China 180.000 8,5 1923 01/09 Kwanto, Japão 143.000 8,2 Incêndio em Tóquio 1932 26/12 Kansu, China 70.000 7,6 1939 31/05 Quetta, India 60.000 7,5 1960 29/02 Agadir, Marrocos 14.000 5,9 Matou 40% da população. 1964 28/03 Alaska 131 8,6 Grande destruição 1968 31/08 Iran 11.600 7,4 Falha superficial 1971 09/02 San Fernando, Calif. 65 6,5 Prejuizos meio bilhão de dólares 1972 23/12 Manágua, Nicaragua 5.000 6,2 Praticamente destruiu a capital 1975 04/02 Haicheng, China 1.328 7,4 Foi predito 1976 04/02 Guatemala 22.000 7,9 O falhamento rompeu cerca de 200 Km 1976 27/07 Tangshan, China 650.000 7,6 Ocasionou o maior número de mortos neste século 1985 18/09 México 10.000 8,1 Sérios danos na cidade do México com cerca de US$3.5 bilhões de prejuízos 1989 17/10 Loma Prieta, Cal. 57 7,1 Prejuizos da ordem de US$ 6 bilhões 1994 17/01 Northridge, Cal. 62 6,7 Prejuizos da ordem de US$15 bilhões 1995 16/01 Kobe, Japão 5.500 6.8 Prejuizos da ordem de US$ 100 bilhões 2004 26/12 Indonésia 300.000 9.0 Prejuízos da ordem de bilhões de dólares afetando 12 países. O terramoto de 26 de Dezembro alterou em 2,5cm a posição do Pólo Norte. Este movimento sugere uma tendência sísmica já verificada em terramotos anteriores. O sismo também afectou a forma da Terra. A forma da Terra (aplanada nos pólos e com maior diâmetro sobre o equador), variou uma parte em 10 milhões, tornando a Terra mais redonda. No entanto, todas as mudanças são muito pequenas para serem percebidas sem instrumentos.O terremoto diminuiu ainda o comprimento dos dias, em 2,68 microssegundos, pelo que a Terra gira um pouco mais rápido do que o fazia antes. Sempre que acontecem variações da posição das massas sobre a Terra, como acontece num sismo, estas têm de ser compensadas por variações da velocidade de rotação do planeta. 4. Violência, ódio, traição e escândalos; a) Violência urbana é a expressão que designa o fenômeno social de comportamento deliberadamente transgressor e agressivo ocorrido em função do convívio urbano. A violência urbana tem algumas qualidades que a diferencia de outros tipos de violência; e se desencadeia em conseqüência das condições de vida e do convívio no espaço urbano. Sua manifestação mais evidente é o alto índice de criminalidade; e a mais constante é a infração dos códigos elementares de conduta civilizada. A violência urbana é determinada por valores sociais, culturais, econômicos, políticos e morais de uma sociedade. No entanto, ela incorpora modelos copiados dos países de maior influência na esfera internacional. As populações de países subdesenvolvidos, por exemplo, aprendem e reproduzem, muitas vezes com pequenas modificações, procedimentos violentos originários de expressões artísticas (filmes, novelas etc.) que tem a violência como tema. As manifestações mais extremadas da violência urbana ocorrem em sociedades nas quais há uma tradição cultural de violência e acentuada divisões étnicas, sociais e econômicas. A violência urbana é grande em países em que funcionam mal os mecanismos de controle social, político e jurídico. Em países como o Brasil, de instituições frágeis, profundas desigualdades econômicas e uma tradição cultural de violência, a realidade do cotidiano das grandes cidades é violenta. São freqüentes os comportamentos criminosos graves, como assassinatos, linchamentos, assaltos, tráfico de drogas, tiroteios entre quadrilhas rivais e corrupção, além do desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelo costume. Uma das causas do crescimento da violência urbana no Brasil é a aceitação social da ruptura constante das normas jurídicas e o desrespeito à noção de cidadania. A sociedade admite passivamente tanto a violência dos agentes do estado contra as pessoas mais pobres quanto o descompromisso do indivíduo com as regras de convívio. Ficam impunes o uso da tortura pela polícia como método de investigação; a ocupação de espaços públicos por camelôs e donos de carros; as infrações de trânsito; a incompetência administrativa; a imperícia profissional; a negligência causadora de acidentes e o desrespeito ao consumidor. Entre os cidadãos habituados a esses comportamentos, encontram eco as formas violentas de fazer justiça, como a pena de morte, e mesmo o fuzilamento sumário, linchamentos e castigos físicos. É freqüente a aprovação popular da punição violenta sem direito a julgamento. b) Ódio: O ódio está presente nas relações humanas. O ódio é um sentimento de profunda antipatia , desgosto, aversão, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. Por causa do ódio, temos as descriminações de todos os tipos; racial ou étnica, sexual, religiosa, política, social. É não aceitar aquele que é diferente. É crer que aquele que é diferente é do mal, não presta, não serve para viver. É só assistir a um noticiário ou ler um jornal que se vê estampado por todos os lugares. c) Traição, como uma forma de decepção ou repúdio da prévia suposição, é o rompimento ou violação da presunção do contrato social (verdade ou da confiança) que produz conflitos morais e psicológicos entre os relacionamentos individuais, entre organizações ou entre indivíduos e organizações. Geralmente a traição é o ato de suportar o grupo rival, ou, é uma ruptura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelas outros. É tornar óbvio e evidente o que se queria ocultar, ser infiel ou descumprir com o compromisso assumido. Na lei, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua pátria. Por exemplo, em tempos de guerra, uma pessoa que coorpera ativamente com o inimigo é considerado um traidor. No dito popular, traição significa adultério. d) Escândalos: De todos os tipos: sociais, econòmicos-financeiros, políticos, religiosos, sexuais. É uma aberração, um fato em determinada área da vida, onde você esperava exatamente o oposto acontecer. Lembre-se: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim 17. A VOLTA DE JESUS Falaremos de um ponto fundamental das doutrinas da nossa fé cristã, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus. Vivemos na dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito". - Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a). I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS - Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14). - Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18). - Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine"). - Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor. - Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação. OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86). - Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira. Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1). - No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21). - Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14). - O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15). - Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14). II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA - O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor. - Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus. - A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21). - Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus. - As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59). - Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade. - O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17). - O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14). - Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada. - O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor. OBS: Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica. - Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1). - Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b). - Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais. - O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17). - Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal. - Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2). III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA - Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra. - É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17). - Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29). - Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6). - Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós. - Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos. - Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro. - Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10). - Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25). OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69). - Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor. OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais". Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212). "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32). IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO - Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16). - Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus. OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna. Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011). - Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus. OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63). - A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor. - Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37). 18. A ESTRATÉGIA DO MAL Deus entregou à humanidade o domínio sobre a terra e estabeleceu a teocracia como a forma de governo original deste mundo (Gn 1.26-29). Numa teocracia, o governo divino é administrado por um representante. Deus designou o primeiro homem, Adão, para ser Seu representante. Adão recebeu a responsabilidade de administrar o governo de Deus sobre a parte terrena do Reino universal de Deus. Pouco tempo depois de ter dado esse poder ao homem, Satanás (o Mal) induziu Adão e Eva a se aliarem a ele em sua revolta contra Deus (Gn 3.1-13). Como resultado, a humanidade afastou-se de Deus e a teocracia desapareceu da face da terra. Além disso, com a queda de Adão, Satanás usurpou de Deus o governo do sistema mundial. A partir de então, ele e suas forças malignas passaram a governar o mundo. Conforme veremos a seguir, muitos fatores revelam essa terrível transição. A Negação da Revelação Divina O reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível, incentivando o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. O diabo tinha autoridade para oferecer o domínio sobre o sistema do mundo a quem ele quisesse, inclusive a Jesus Cristo, pois essa autoridade lhe tinha sido entregue por Adão (veja Lc 4.5-6). Foi por isso que Jesus chamou Satanás de “príncipe [literalmente, governador] do mundo” (Jo 14.30). João disse que o mundo inteiro jaz no maligno (1 Jo 5.19) e Tiago declara que todo aquele que é amigo do atual sistema mundano é inimigo de Deus (Tg 4.4). Até este ponto de nossa história, o reinado de Satanás sobre o mundo tem ocorrido de forma invisível. Trata-se de um domínio espiritual que incentiva o surgimento de cosmovisões e filosofias contrárias à verdadeira realidade. As Escrituras nos ensinam que, no futuro, Satanás irá tentar converter esse domínio espiritual e invisível em um reino político, visível e permanente – dominando o mundo inteiro. Para alcançar seu objetivo, Satanás precisa induzir a humanidade a buscar a unificação sob um governo mundial. Ele também tem de condicionar o mundo a aceitar um governante político supremo que terá poderes únicos e fará grandes declarações a respeito de si mesmo. Utilizando-se da tendência secular e humanista da Renascença e de algumas ênfases propagadas pelo Iluminismo, o diabo conseguiu minar a fé bíblica de porções importantes do protestantismo e também determinadas crenças do catolicismo romano e da Igreja Ortodoxa. O resultado foi que, no final do século XIX e no início do século XX, o mundo começou a ouvir que a humanidade nunca havia recebido a revelação divina da verdade. No entanto, o único modo pelo qual a existência de Deus, Sua natureza, idéias, modos de agir, ações e relacionamento com o Universo, com a Terra e com a humanidade podem ser conhecidos é através da revelação divina da verdade. Por isso, a negação dessa revelação fez com que durante o século XX muitas pessoas concluíssem que o Deus pessoal, soberano e criador descrito na Bíblia não existe; ou, se existe, que Ele é irrelevante para o mundo e para a humanidade. Essa negação da revelação divina da verdade resultou em mudanças dramáticas, que tiveram graves conseqüências na sociedade e no mundo. Em primeiro lugar, ela levou muitas pessoas ao desespero. Deus criou os seres humanos com a necessidade de terem um relacionamento pessoal com Ele, para conhecerem o sentido e propósito supremos desta vida. A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. Esse vazio levou ao desespero e à extinção da perspectiva de alcançar o sentido e propósito supremos desta vida. Satanás, então, ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher esse vazio e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. A Negação dos Absolutos Morais A declaração de que Deus não existe ou é irrelevante provocou um vazio espiritual dentro das pessoas. A negação da revelação divina da verdade resultou também na negação dos absolutos morais. O argumento mais usado é: se os padrões morais não foram revelados por um Deus soberano que determinou que os indivíduos são responsáveis por suas ações, então os absolutos morais tradicionalmente aceitos foram criados pela humanidade. Assim sendo, uma vez que a humanidade é a fonte desses absolutos, ela tem o direito de rejeitar, mudar ou ignorá-los. O resultado dessa racionalização falaciosa é que a sociedade acabou testemunhando uma tremenda decadência moral. Ela passou a rejeitar a idéia de que apenas as relações heterossexuais e conjugais são moralmente corretas, passando a desprezar e ameaçar cada vez mais os que defendem essa idéia. Movimentos estão surgindo em todo o mundo para redefinir legalmente o conceito de matrimônio e para forçar a sociedade a aceitar essa nova idéia, a abolir ou reestruturar a família e proteger a propagação da pornografia. O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Algumas pessoas ainda insistem em dizer que não existe questão moral nenhuma envolvida no suicídio assistido, na clonagem humana e na destruição de embriões humanos em nome da pesquisa de células-tronco. O assassinato e a mentira passaram a ser aceitos como norma. Essa falência moral ameaça as próprias bases da nossa sociedade. A Negação da Verdade Objetiva e de Seus Padrões A negação da revelação divina da verdade resultou na conclusão de que não existe uma verdade objetiva que seja válida para toda a humanidade. Cada indivíduo seria capaz de determinar por si mesmo o que é a verdade. Assim sendo, aquilo que é verdade para uma pessoa não é, necessariamente, verdadeiro para outra. A verdade passou a ser algo subjetivo e relativo. A racionalização nos levou à conclusão de que não há padrão objetivo pelo qual uma pessoa seja capaz de avaliar se algo está certo ou errado. Agora ninguém mais pode dizer legitimamente a outra pessoa que algo que ela está fazendo é errado. Seguindo essa racionalização, nunca se deve dizer a outra pessoa que seu modo de vida é errado, mesmo que, vivendo dessa maneira, ela possa morrer prematuramente. Também não será permitido que alguém diga a um adolescente que o sexo não deve ser praticado antes do casamento. Afinal de contas, ninguém tem o direito de impor seus conceitos de certo ou errado sobre os outros. Essa negação da verdade objetiva e do padrão objetivo de certo e errado é propagada através de uma “redefinição de valores” promovida por escolas, por universidades, pela mídia, pela internet, por várias publicações, por alguns tipos de música e pela indústria do entretenimento como um todo. Algumas universidades, inclusive, já adotaram uma política que abafa qualquer expressão do que é certo ou errado por parte de seus alunos e professores. Esse tipo de atitude resulta em censura e intolerância. A negação da verdade objetiva e dos padrões objetivos de certo e errado motivaram alguns a defenderem que os pais devem ser proibidos de bater nos filhos quando estes fizerem algo que os pais acreditam ser errado. A Redefinição da Tolerância Satanás ofereceu a bruxaria, o espiritismo, o satanismo, outras formas de ocultismo, a astrologia, o misticismo oriental, os conceitos da Nova Era, as drogas, algumas formas de música e outros substitutos demoníacos para preencher o vazio espiritual e fazer com que as pessoas sejam influenciadas por ele. Isso tudo também resultou em um movimento que visa forçar a sociedade a aceitar um novo conceito de tolerância. A visão histórica da tolerância ensinava que as pessoas de opiniões e práticas diferentes deveriam viver juntas pacificamente. Cada indivíduo tinha o direito de acreditar que a opinião ou prática contrária à sua estava errada e podia expressar essa crença abertamente, mas não podia ameaçar, aterrorizar ou agredir fisicamente aqueles que discordavam dele. Porém, a tolerância passou por uma redefinição. O novo conceito diz que acreditar ou expressar abertamente que uma opinião ou prática de uma pessoa ou de um grupo é errada equivale a um “crime de ódio” e, portanto, deve ser punido pela lei. Grupos poderosos estão pressionando o Congresso americano, por exemplo, para fazer com que esse novo conceito torne-se lei. Isso ocorrerá se for aprovado o que passou a ser conhecido como “lei anti-ódio”. Uma vez que nos EUA já existem leis contra ameaças ou prejuízos físicos causados a pessoas ou grupos de opiniões e práticas distintas, é óbvio que o objetivo desse projeto é tornar ilegal a liberdade de crença e de expressão. Se esse projeto for aprovado, os EUA passarão a ser mais um Estado totalitário, comparado àqueles que adotaram a Inquisição e o comunismo. [Tendências semelhantes se verificam na maior parte dos países ocidentais – N.R.] Já que o mundo foi levado a acreditar que não há verdade objetiva válida para toda a humanidade e nenhum padrão objetivo que sirva para verificar se algo está certo ou errado, cada vez mais defende-se a idéia de que todos os deuses, religiões e caminhos devem ser aceitos com igualdade. Por isso, todas as tentativas de converter pessoas de uma religião para outra devem ser impedidas e as afirmações de que existe apenas um Deus verdadeiro, uma religião verdadeira e um único caminho para o céu são consideradas formas visíveis de preconceito. O pluralismo religioso está se tornando lugar-comum hoje em dia. Se não há nenhum padrão objetivo para determinar o certo e o errado, então qual base uma sociedade ou um indivíduo pode usar para concluir que matar é errado? Isso incluiu os assassinatos praticados por médicos que fazem abortos ou os massacres provocados por psicopatas em escolas e em lugares públicos? Pois, talvez alguns desses atos violentos sejam resultantes do fato de seus autores terem concluído que, se não existe um padrão objetivo para determinar o que é certo e o que é errado, para eles é correto assassinar. Se essa espécie de lei anti ódio for aprovada, ela terá consequências drásticas. As pessoas que virem esse tipo de lei sendo posta em prática acreditarão que esse é o caminho correto. Mas, durante as campanhas eleitorais e nas sessões legislativas, os políticos poderão fazer acusações uns aos outros ou dizer que as ações dos seus oponentes são erradas? O Desejo de Unidade A negação da revelação divina da verdade gerou uma crescente convicção de que o objetivo da humanidade deve ser a unidade. O Manifesto Humanista II diz: Não temos evidências suficientes para acreditar na existência do sobrenatural. Trata-se de algo insignificante ou irrelevante para a questão da sobrevivência e satisfação da raça humana. Por sermos não-teístas, partimos dos seres humanos, não de Deus, da natureza, não de alguma deidade.[1] O argumento prossegue: Não somos capazes de descobrir propósito ou providência divina para a espécie humana... Os humanos são responsáveis pelo que somos hoje e pelo que viermos a ser. Nenhuma deidade irá nos salvar; devemos salvar a nós mesmos.[2] À luz do pensamento de que a salvação da destruição total depende da própria humanidade, o Manifesto continua: Repudiamos a divisão da humanidade por razões nacionalistas. Alcançamos um ponto na história da humanidade onde a melhor opção é transcender os limites da soberania nacional e andar em direção à edificação de uma comunidade mundial na qual todos os setores da família humana poderão participar. Por isso, aguardamos pelo desenvolvimento de um sistema de lei e ordem mundial baseado em um governo federal transnacional.[3] O assassinato de seres humanos parcialmente formados (aborto) já foi legalizado em muitos países. Finalmente, o documento declara: O compromisso com toda a humanidade é o maior compromisso de que somos capazes. Ele transcende as fidelidades parciais à Igreja, ao Estado, aos partidos políticos, a classes ou raças, na conquista de uma visão mais ampla da potencialidade humana. Que desafio maior há para a humanidade do que cada pessoa tornar-se, no ideal como também na prática, um cidadão de uma comunidade mundial?[4] A existência de instituições internacionais, como a Corte Internacional de Justiça e as Nações Unidas, os meios de transporte rápidos, a comunicação instantânea e a internacionalização crescente da economia fazem com que a formação de uma comunidade mundial unificada pareça ser possível. O tremendo aumento da violência, incluindo a ameaça de terrorismo que paira sobre todo o mundo, pode levar a civilização a uma governo mundial unificado em nome da sobrevivência. A Deificação da Humanidade A negação da revelação divina da verdade criou uma tendência em deificar-se a humanidade. Thomas J. J. Altizer, um dos teólogos protestantes do movimento “Deus está morto” da década de 60, alegava que, uma vez que a humanidade negou a existência de um Deus pessoal, ela deve alcançar sua auto-transcendência como raça, algo que ele chamava de “deificação do homem”.[5] O erudito católico Pierre Theilhard de Chardin ensinava que o deus que deve ser adorado é aquele que resultará da evolução da raça humana.[6] Com tais mudanças iniciadas com a negação da revelação divina, Satanás está seduzindo o mundo para que caminhe em direção à unificação da humanidade. Ela ocorrerá quando todos estiverem sob um governo mundial único que condicionará o planeta a aceitar seu líder político máximo, o Anticristo, o qual terá poderes únicos e alegará ser o próprio Deus. (Renald E. Showers - Israel My Glory) Notas: 1. Humanist Manifesto II, American Humanist Association [www.americanhumanist.org/about/manifesto2.html]. 2. Idem. 3. Ibidem. 4. Ibidem. 5. John Charles Cooper, The Roots of The Radical Theology, Westminster, Philadelphia, 1967, p. 148. 6. Idem. 19. A CONTRIBUIÇÃO FINANCEIRA O assunto relativo à contribuição financeira não é muito ventilado em o Novo Testamento. Ao contrário do que vemos nos dias hodiernos, não era um assunto que tivesse a atenção e o foco dos apóstolos. No entanto, ao contrário do que dizem alguns, não se tratava de questão de somenos importância, tanto que, em suas duas cartas aos coríntios, o apóstolo Paulo cuida do assunto, precisamente porque, entre os problemas que existiam naquela igreja e que o levaram a esta relação epistolar, estava a relutância dos coríntios no pedido do apóstolo para que ajudassem os crentes da Judeia, que passavam por privações econômico-financeiras. Com efeito, na primeira carta do apóstolo à igreja de Corinto que se encontra no texto sagrado (pois tudo indica que era, na verdade, a segunda carta que escrevia àquela igreja, como se percebe de I Co.5:9), o apóstolo dá aos coríntios a mesma ordem que dera, antes, aos gálatas, ou seja, que fizessem uma coleta no primeiro dia da semana com o objetivo de angariar recursos para os crentes judeus (I Co.16:1-3). Na expressão do apóstolo, percebemos, de pronto, que havia um costume de se fazer coletas para os santos, ou seja, ao contrário do que alguns argumentam, a prática da contribuição financeira sempre foi parte integrante da adoração a Deus e tinha por objetivo a ajuda aos necessitados. Paulo, portanto, não instituiu uma coleta nesta carta, mas pediu aos coríntios que, conforme o costume já observado, em meio à coleta que se fazia aos santos, começassem a fazer uma espécie de fundo que fosse destinado aos crentes judeus. Tendo tido conhecimento da necessidade que havia entre os crentes da Judeia, o apóstolo, usando de sua autoridade, pedia aos crentes de Corinto que, em suas contribuições, começassem a formar um fundo com o objetivo de suprir as necessidades dos crentes judeus. Nesta ordem do apóstolo, vemos, de pronto, que toda e qualquer contribuição financeira deve ser feita com propósito definido. Paulo, na qualidade de apóstolo, tinha autoridade para determinar a formação do fundo, mas tinha, por isto mesmo, de dizer qual a finalidade deste fundo: a ajuda aos crentes da Judeia. É preciso que toda contribuição se faça com um determinado propósito, que seja especificada, até porque, no geral, pelo que vemos do costume trazido a nosso conhecimento pelo apóstolo, a coleta deve ser feita “para os santos”, ou seja, a contribuição tem por finalidade a ajuda à própria comunidade, de forma direta ou indireta. Mas, além deste propósito (que já retira grande número de arrecadações dos nossos dias, cujo objetivo é puramente de enriquecimento de alguns e não o bem-estar da comunidade), o apóstolo Paulo, também, traz-nos outra importante lição, qual seja, o planejamento. Paulo pede que os coríntios iniciem esta coleta, esta formação do fundo desde já, quando recebem a carta, para que não viessem a fazer coletas quando ele chegasse a Corinto (I Co.16:2). O apóstolo, sabendo que tal ajuda significava um “plus” aos irmãos coríntios, não queria que o fardo fosse demasiadamente pesado aos santos e, por isso, pedia que se separasse à parte uma quantia desde já, para que não se tivesse um atabalhoado contribuir, além da capacidade de cada um, quando ele chegasse a Corinto, com o propósito de ir para Jerusalém em seguida. Este planejamento deve ser feito por parte daqueles que estão à testa da organização e que ordenam a contribuição, para se evitar um jugo pesado sobre a administração financeira de cada irmão e para que se possa alcançar, a seu tempo, o propósito definido. Nosso país tem um histórico de falta de planejamento, a começar da Administração Pública, mas tal comportamento jamais pode invadir a administração eclesiástica. Estamos a lidar com o povo de Deus, estamos a lidar com os santos, e a falta de planejamento, nesta área, não ficará impune diante do Senhor. Lembremos disto! Outro ponto que Paulo faz, a respeito da coleta, é dizer que, quando chegasse, mandaria os recursos para Jerusalém por intermédio daqueles que fossem aprovados pelos irmãos de Corinto, que, inclusive, decidiriam se Paulo deveria, ou não, ir com eles (I Co.16:3,4). Temos aqui um outro ponto importantíssimo com relação à contribuição financeira na Igreja. Aquele que ordenou a contribuição deve ficar fora da posse dos recursos, posse esta que deve ser mantida com pessoas que gozem de credibilidade e confiança da comunidade. Temos aqui a lição da transparência, que tanto tem sido defendida e aplicada para dar aparência de honestidade em recursos públicos, mas que, já nos primórdios da Igreja, era a tônica a ser seguida pelos servos de Cristo. Afinal de contas, como nos fala o apóstolo, somos “filhos da luz e filhos do dia, não somos da noite nem das trevas” (I Ts.5:5), “andamos na luz” (I Jo.1:7) e, por isso, todas as nossas obras precisam ser manifestadas, claras e transparentes (Jo.3:21). Paulo não assumira uma postura totalmente contrária a seu envolvimento com o transporte dos valores até Jerusalém, mas deixava a decisão para a comunidade que iria contribuir e, o que é importante, fazia questão de que o número de crentes que fossem designados para a posse deste dinheiro fosse plural, exatamente para que tudo fosse feito às claras, com transparência e de modo a que tivesse o comprometimento de toda a comunidade. A comunidade, portanto, não apenas participa enquanto contribui, mas, também, participa na guarda e posse dos valores, na medida em que escolhe quem deveria ficar com os recursos até a vinda do apóstolo, como também era ela quem decidiria quem levaria os recursos até Jerusalém. O acompanhamento da comunidade da arrecadação dos recursos e a prestação de contas daqueles que ela própria escolhe para geri-los é, assim, uma máxima indispensável para que se mantenha a credibilidade e a confiança na gerência dos recursos, para que se atinjam os propósitos previamente estabelecidos pela liderança. Apesar desta determinação do apóstolo, porém, parece que os crentes de Corinto não atenderam ao chamado do apóstolo, fruto até da difícil relação que estava havendo entre os coríntios e Paulo, como se vê do teor da segunda carta que Paulo escreve àquela igreja (que parece ser a quarta carta neste “diálogo epistolar”, à luz de II Co.2:4). Afirmamos isto em virtude do que o apóstolo escreve nos capítulos 8 e 9, quando assinala que, ao contrário das igrejas da Macedônia, Corinto ainda não havia completado a sua contribuição para os crentes judeus. Assim, ao invés de amaldiçoar os crentes de Corinto, ou chamá-los de ingratos, egoístas ou ladrões, o apóstolo inicia a sua admoestação louvando o comportamento dos crentes macedônios que, apesar de pobres e necessitados, prontamente haviam atendido à ordem do apóstolo e iniciado a sua contribuição em prol dos crentes da Judeia. Paulo louva a voluntariedade das igrejas macedônias que, apesar de sua pobreza, foram generosas, dando até acima de sua capacidade e o fazendo, dizia o apóstolo, porque, primeiramente, deram ao Senhor, para só então, atender ao chamado do apóstolo (II Co.8:1-5). Notamos, pois, que o apóstolo, ao enfrentar a questão da inobservância de sua determinação por parte dos crentes de Corinto, mostra que o atendimento a seu chamado por parte dos crentes da Macedônia não era em virtude de sua “autoridade apostólica”, mas, antes de mais nada, porque eles se deixaram dominar pelo Espírito Santo, porque sua generosidade era fruto de sua íntima comunhão com o Senhor: “mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (II Co.8:5). A contribuição financeira é apenas uma expressão daquilo que se encontra no homem interior. Os crentes da Macedônia haviam se entregado verdadeiramente ao Senhor e, por isso, apesar de sua pobreza, contribuíam financeiramente em prol dos crentes da Judeia, porque haviam se doado ao Senhor, não mais viviam, mas Cristo vivia neles (Gl.2:20). Era uma situação espiritual completamente diferente da que viviam os coríntios, que haviam sido considerados por Paulo como “crentes carnais”, visto que, entre eles, ainda imperavam a inveja, contendas e dissensões ( I Co.3:1-3). Os crentes macedônios eram excelentes contribuintes porque eram “crentes espirituais”, pessoas que haviam se entregado por completo ao Senhor e que, por isso, estavam prontos a fazer a vontade divina e, na ordem de Paulo, igualmente movida pelo Espírito Santo, detectaram a vontade do Senhor e, mesmo sem muitos recursos materiais, não só iniciaram mas completaram a sua contribuição, sendo, por causa disso, ainda mais abençoados pelo Senhor. A contribuição financeira é reflexo da situação espiritual das pessoas e, desta maneira, não há melhor forma de se obter uma prontidão de vontade no angariar de recursos econômico-financeiros em prol dos santos senão através do crescimento espiritual dos crentes. O que se vê hoje em dia é uma luta para angariar recursos com base não no crescimento espiritual dos contribuintes, mas, sim, com a amplificação da ganância, da inveja e de toda sorte de carnalidade. Busca-se, dentro da mentalidade consumista-materialista-hedonista de nossos tempos, mentalidade esta que nada mais é que o reflexo do “mistério da injustiça” entre nós (II Ts.2:7), fazer com que as pessoas transfiram seus recursos para as “empresas religiosas”. O resultado de um tal comportamento é funesto, pois, se pode haver, num primeiro instante, uma grande arrecadação, com o enriquecimento de alguns com isto, temos, no médio e longo prazo, não só o esgotamento da fonte de recursos, pois, mais cedo ou mais tarde, o engodo é descoberto pelos contribuintes, como, o que é mais grave, uma dupla destruição: as “empresas religiosas” passam a ser meros “conglomerados empresariais”, diversificando suas atividades para manterem seu rendimento e os contribuintes engodados passam a pertencer ao grupo cada vez mais numeroso dos “decepcionados com a graça de Deus”, pessoas que, dificilmente, obterão a salvação, vez que associarão a ganância destes inescrupulosos “mercadores da fé” (que passam a ser apenas mercadores e aliados manifestos do sistema anticristão – Ap.18:9-18) ao Evangelho. Paulo, ao elogiar a atitude dos crentes da Macedônia, não faz promessas de prosperidade material àqueles que contribuíram, nem tampouco procura despertar a ganância ou a inveja dos coríntios em relação aos macedônios, mas, bem ao contrário, diz que os crentes da Macedônia eram pobres, e pobres permaneceriam, mas, por serem entregues totalmente a Deus, haviam atendido ao seu pedido e, dentro de sua pobreza, haviam revelado as “riquezas da sua generosidade” e, com a bênção de Deus, feito muito mais do que seria humanamente possível fazer em termos de angariar recursos para os crentes da Judeia. A contribuição financeira, pois, é mero reflexo de nossa entrega a Deus, de nossa comunhão com o Senhor e, por causa deste estado espiritual, Deus, com nossa contribuição, na medida de nossa capacidade, realiza o milagre da multiplicação, não para quem contribuiu, mas para quem será favorecido por esta contribuição. É a isto que o apóstolo se refere quando fala da semeadura decorrente da contribuição financeira (II Co.8:8-10), pois, apesar da pobreza dos contribuintes, haveria uma arrecadação que satisfaria as necessidades sem que deixasse de ocorrer a suficiência para os que haviam contribuído. Na partilha, haveria recursos suficientes tanto para quem deu quanto para quem haveria de receber. Na Macedônia, a propósito, o apóstolo havia se portado da mesma maneira do que se propusera fazer em Corinto. Designara Tito para cuidar da posse dos recursos, em comum acordo com os crentes macedônios, ou seja, também tivera o cuidado de, na arrecadação dos fundos entre os crentes da Macedônia, agir com propósito, planejamento e transparência. Antes o exemplo dos macedônios, o apóstolo, então, passa a tratar diretamente com os coríntios, admoestando a que se fizessem não imitadores dos macedônios, mas, sim, imitadores de Cristo que, sendo rico, havia Se feito pobre para que por Sua pobreza, enriquecêssemos (II Co.8:9). Vemos aqui que o “fazer-Se pobre como Jesus” não precisa assumir a radicalidade de Francisco de Assis, que, literalmente, passou a viver a absoluta pobreza material, sem qualquer patrimônio (salvo uma só túnica remendada por dentro e por fora, com o cordão e calções), mas, sobretudo, que se tenha um espírito de desapego às coisas materiais, uma vontade resoluta de se despojar de bens, ainda que diminutos, em prol do bem-estar do próximo e do necessitado. Por isso, o apóstolo pedia aos crentes de Corinto que não só praticassem a contribuição em prol dos crentes da Judeia, mas que, antes de tudo, quisessem fazê-lo (II Co.8:10). Antes de tudo, é preciso que queiramos fazer a contribuição, que ela se faça com voluntariedade, pois, como o apóstolo explica na continuidade de seu raciocínio, Deus ama ao que dá com alegria (II Co.9:7). A voluntariedade na contribuição é essencial para que ela seja uma bênção, para que ela agrade a Deus. A contribuição realizada com tristeza ou por necessidade não tem valor algum diante do Senhor e, em termos materiais, é apenas uma despesa e, dizemos com convicção, uma despesa mal feita, um desperdício, ou seja, uma destruição, uma ruína, uma perda, algo que, como sabemos, não é proveniente de Deus, mas resultado de uma ação maligna (Jo.10:10). Sem a prontidão de vontade, sem o desejo de servir, sem a consciência de que se trata de um desapego aos bens materiais, não se tem bênção, mas avareza (II Co.9:5) e os avarentos não entrarão no reino de Deus, visto que são idólatras (Cl.3:5; Ap.22:15). Muitas das contribuições que temos visto por aí são motivadas pela avareza, pela ganância, que é incitada e estimulada pelos arrecadadores de plantão, eles próprios falsos mestres que são igualmente movidos pela avareza (II Pe.2:3). Tais contribuições são as responsáveis pela perdição tanto de quem contribui, quanto de quem recebe, pois, embora os gananciosos contribuintes sejam os primeiros a sofrer os danos de seu desatino, a Palavra de Deus é clara ao dizer que os que se enriquecessem às custas destes não terão outro destino senão a sentença de perdição (II Pe.2:3), como nos deixa claro o exemplo de Balaão, que é tipo bíblico desta gente (Nm.31:8). Também não se pode levar o povo a contribuir com tristeza ou por necessidade, pois, nestes casos, assim como no caso da avareza, não se terá o desapego das coisas materiais. Embora se contribua, a tristeza ou necessidade fazem com que, sentimentalmente, a pessoa que contribui ainda esteja ligada ao que foi dado e, de igual maneira, não se terá bênção, mas tão somente uma despesa, um desperdício. É imperioso que entendamos que, em termos de contribuição, é preciso que as pessoas sejam conscientizadas da bênção que é contribuir, da alegria que há naquele que serve a Deus de entregar sua contribuição em prol dos santos, de ser participante do milagre da multiplicação que fará o Senhor, multiplicação em favor dos necessitados, não do nosso próprio patrimônio. Quando vemos o milagre da multiplicação, temos a convicção de que o Senhor sustenta a todos quantos Lhe servem, não os deixa à míngua e que, se hoje temos o gozo de contribuir, amanhã pode ocorrer que sejamos os beneficiários desta contribuição, mas que, sempre, tanto num caso quanto no outro, seremos alvos da bênção do Senhor (II Co.8:12-15). Na contribuição com alegria, vemos não só que nossa pobreza material é enganosa, visto que, ao contribuirmos, vemos as “riquezas da nossa generosidade”, fruto da presença de Deus em nós, como também notamos o absoluto controle de Deus sobre todas as coisas e a Sua fidelidade, na medida em que nossa contribuição levará aos necessitados a terem a bênção da abastança, veremos como Deus cumpre a Sua Palavra, jamais deixando desamparado um justo (Sl.37:25) e, mesmo, aliviando as dores daquele que não O serve mas que, mesmo assim, é alvo de Seu amor através da generosidade da Igreja. Esta voluntariedade não deve estar presente apenas nos contribuintes, mas também entre aqueles que forem comissionados, com aprovação da comunidade, a administrar os recursos e entregá-los a quem precisa. Paulo fala de Tito que, pelo que deixa transparecer o texto (II Co.8:16,17), havia relutado, num primeiro momento, a aceitar o encargo, mas que, devidamente exortado, partiu voluntariamente para Corinto, a fim de supervisionar a arrecadação dos fundos. Esta relutância de Tito, certamente, estava relacionada com a resistência em Corinto ao atendimento à ordem do apóstolo, mas, apesar de todas as dificuldades que enfrentaria, Tito, devidamente exortado, partiu para lá voluntariamente. Encontramos aqui mais um ponto sensível que temos observado nas igrejas de nossos tempos difíceis. Cada vez menos pessoas se dispõem voluntariamente a assumir encargos nas igrejas, cujo corpo burocrático, por causa disso, aumenta cada vez mais, visto que todos querem ser remunerados, gerando um gasto que, não raras vezes, diminui sensivelmente os recursos arrecadados que, assim, estão menos a servir aos santos e, cada vez mais, a alimentar a burocracia eclesiástica. Hoje em dia, parte considerável dos recursos arrecadados dos salvos serve tão somente para o sustento da “máquina administrativa eclesiástica”, reproduzindo-se, então, os mesmos desvios e mazelas que tanto têm caracterizado a Administração Pública. Tito dispôs-se voluntariamente a servir à igreja em Corinto, mesmo sabendo que seu trabalho seria espinhoso, incompreendido e contrariado. Tinha, porém, a mesma prontidão de vontade que havia entre os crentes da Macedônia e, sendo assim, não só traria bênção, como não seria mais um motivo de escândalo. Esta falta de prontidão de vontade e esta burocracia crescente existente nas igrejas locais de hoje são um dos fatores que levam à falta de transparência que tanto caracteriza a administração financeira eclesiástica hodierna. Se o povo tiver acesso aos números da administração financeira e perceber que quantia considerável dos recursos está hoje a servir a interesses e negócios outros que não o propósito de favorecer os santos, certamente que muitos deixarão de contribuir e muitos desvios e malfeitos serão descobertos. Contudo, temos de voltar ao modelo bíblico, que exige, como já vimos, transparência e honestidade. Não foi à toa que o Pacto de Lausanne foi enfático em afirmar que a Igreja “…torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização (…) quando lhe falta (…) uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças…” (item 6). É preciso que reavaliemos, o quanto antes, o custo da burocracia eclesiástica e evitemos os desperdícios e os gastos imotivados e infundados, instaurando uma transparência que somente representará o bem-estar da obra de Deus e tornará a contribuição efetivamente uma bênção para toda a Igreja. Mas, coerente com a proposta que havia feito aos coríntios na sua primeira carta, o apóstolo não mandou apenas Tito, mas, juntamente com ele, o “irmão louvado”, que, por sua credibilidade e honestidade, havia sido escolhido pelas igrejas para que fosse companheiro de Paulo em sua viagem (II Co.8:18,19). Em assunto de recursos econômico-financeiros, Paulo se fazia acompanhar de alguém que tivesse sido escolhido pela comunidade, em virtude de seu porte e testemunho diante da igreja, para que não houvesse a menor sombra de dúvida quanto à arrecadação e administração dos recursos advindos da contribuição financeira dos crentes coríntios. Havia a mais completa transparência neste assunto, o que deve ser a regra no tocante à administração financeira eclesiástica. Paulo, assim que manda Tito, faz questão que o “irmão louvado” fosse com ele, pois isto, certamente, representaria a seriedade e credibilidade do trabalho de arrecadação dos recursos, já que o “irmão louvado” fora escolhido pelos próprios crentes para fazer companhia a Paulo e cuidar dos recursos. Como é importante que a posse e administração do dinheiro em nossas igrejas não fique com a liderança mas seja compartilhada com pessoas que gozem da confiança da comunidade e que estejam sempre prontos a lhes prestar contas. Como é importante que as pessoas escolhidas para esta função sejam dedicados, correspondam ao testemunho que lhes levou até aquela posição e que não queiram aparecer, mas cujo trabalho seja feito única e exclusivamente para a glória de Deus. O “irmão louvado” não tem sequer seu nome mencionado pelo apóstolo, a demonstrar como era discreto e empenhado em tão somente fazer a vontade de Deus. A transparência, diz-nos o apóstolo, tinha por objetivo, em primeiro lugar, a glória de Deus e, em segundo lugar, a prontidão do ânimo dos contribuintes (II Co.8:19). Fazendo tudo às claras, o apóstolo, a um só tempo, glorificava a Deus, como também mantinha a disposição dos crentes em contribuir. É precisamente isto que tem faltado em muitos lugares em nossos dias. A falta de transparência, além de entristecer a Deus e negar-Lhe a devida glória, já que somos “filhos da luz e filhos do dia”, também enfraquece a disposição dos irmãos em contribuir, máxime nos dias de multiplicação da iniquidade em que vivemos, onde a corrupção destrói grandemente a confiança entre as pessoas, como ocorria nos dias de Miqueias (Mq.2:10). Mas, além disto, este comportamento zeloso tinha o objetivo de impedir a desonestidade em virtude da abundância advinda de se estar a agir conforme a vontade do Senhor (e que, como já vimos, gera o milagre da multiplicação), pois o zelo existente era tão somente para que houvesse honestidade tanto diante de Deus quanto diante dos homens (II Co.8:20,21). Como afirma o Pacto de Lausanne, já mencionado, a falta de honestidade com as finanças é um escândalo, uma pedra de tropeço para a evangelização. Quando não somos zelosos e não demonstramos nossa honestidade diante de Deus e diante dos homens, sendo como a mulher de César, que não basta ser honesta, mas tem de parecer honesta, estamos impedindo que muitos venham a se render a Cristo Jesus e a alcançar a salvação. Muitos não se dão conta de que a falta de transparência traz trevas em vez de luz e, por causa disto, muitos não alcançam a salvação, fazendo com que, em vez de sermos servos de Cristo, sejamos como os fariseus que faziam com que os seus prosélitos fossem duas vezes filhos do inferno (Mt.23:15). Será que temos consciência disto, ou seja, de que a falta de transparência nas finanças de nossa igreja local executa um relevante trabalho para o inimigo de nossas almas, impedindo a real conversão dos evangelizados? Pensemos nisto! Mas, não bastasse a escolha de Tito e do “irmão louvado”, o apóstolo ainda manda mais um irmão, o “irmão diligente”, que gozava da confiança entre os coríntios (II Co.8:22). Mais uma vez, o apóstolo, mesmo diante da resistência dos coríntios, não usava de sua autoridade, mas, para obter a contribuição necessária, fazia-se valer da confiança e da credibilidade dos irmãos de Corinto, escolhendo pessoas confiáveis dos contribuintes. Não é raro que, em nossos dias, vejamos os líderes agirem de forma diametralmente oposta. Em vez de escolherem pessoas da confiança dos contribuintes, escolhem pessoas de sua mais absoluta confiança. Este gesto mostra aos contribuintes que há um objetivo de se controlar os recursos segundo a vontade da liderança e não segundo a vontade da comunidade que, afinal de contas, é quem vai contribuir. Isto gera um clima de desconfiança em meio aos crentes que, por causa disso, não contribuem como deveriam, se é que contribuem. Não é à toa, pois, que muitos crentes acabam desviando sua contribuição para outras instituições e movimentos, muitas vezes mais deletérios e muito mais mal intencionados que a sua liderança da igreja local, mas simplesmente porque não confiam na sua liderança que está tão somente a colher aquilo que semeou, na medida em que pôs à frente da administração dos recursos alguém que não gozava da confiança e credibilidade da comunidade. Paulo, porém, não procedeu desta maneira, mas, bem ao contrário, buscou indicar pessoas que tivessem a confiança e a credibilidade dos coríntios, de modo a impedir que a desconfiança viesse a impedir a realização da obra que, aliás, já se encontrava atrasada. Observemos, ademais, que esta comissão de Paulo tinha por finalidade tão somente fazer com que os coríntios acatassem a ordem do apóstolo em iniciar a arrecadação dos fundos, mas isto não invalidava o fato de que, uma vez chegando Paulo a Corinto, seriam os próprios coríntios quem escolheriam aqueles que levariam os recursos a Jerusalém, na companhia, ou não, do apóstolo segundo fosse decidido pela própria igreja coríntia. Que zelo pela honestidade! Com estes predicados, a comissão iria até os coríntios na condição de “embaixadores das igrejas e glória de Cristo” (II Co.8:23), ou seja, pessoas que tinham credibilidade e testemunho a ponto de poder “representar” as igrejas, terem autoridade de falar em nome das igrejas e, mais do que isso, serem “glória de Cristo”, ou seja, pessoas que tinham uma vida de boas obras, que dignificavam o nome do Senhor, que faziam com que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado. Temos procurado pôr pessoas com este porte de vida para cuidar das finanças de nossas igrejas locais? Temos buscado estes requisitos para indicar e designar quem cuida do dinheiro arrecadado junto aos nossos irmãos?
Nome:
Prova Avaliativa:
1- Dê sua própria definição a) Administrar é:
2- Quais são os princípios de um bom administrador?
3-Cite as evidencias de uma má administração:
4-Cite as evidencias de uma boa administração:
5- Quais são os resultados de uma boa administração?
6- Qual é a função de um Pastor (a)