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EVANGELISMO

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Evangelismo é evangelizar, isto é, espalhar as boas-novas da salvação em Cristo. O evangelismo pessoal foi o meio básico empre¬gado por Jesus e seus apóstolos no princípio, e tem sido um dos mais eficientes meios usados pelos crentes há quase 2000 anos para salvação dos peca¬dores. Todo o tipo de evangelização é válido, mas nenhum dispensa o apoio, a cooperação do evange¬lismo pessoal. Vemos, assim, a necessidade de co¬nhecer esta matéria para nos aperfeiçoarmos na arte de ganhar almas para o Senhor, pois, a verda¬de é que todos nós, de uma maneira ou de outra, so¬mos o resultado da obra de evangelismo pessoal. A minha experiência cristã ilustra esta verdade. Na longínqua Suécia, a minha mãe, quando jovem, assistia a cultos realizados pelos batistas numa casa particular, entre ferreiros, que fabricavam foices. Um dos ferreiros chamava-se Per Tiger e era crente fervoroso. Ele notou o interesse que aquela jovem demonstrava pelas coisas de Deus. Começou então a testificar de Jesus a ela e a explicar-lhe como a pessoa pode nascer de novo e ter uma expe¬riência viva com Cristo. Ela, tendo nascido em lar luterano, necessitava desses esclarecimentos. Per Tiger continuou com seu amparo espiritual até a jovem nascer de novo. Anos depois, quando ela já era minha mãe, repetia comigo a mesma tática que Per Tiger usara com ela. Assim foi o evangelismo pes¬soal o fator decisivo tanto na experiência de salva¬ção de minha mãe, como também na minha. O autor, Pr. Antônio Gilberto da Silva, reuniu neste livro todos os pontos-chaves da matéria. A pessoa que, em oração, aplicar-se ao estudo desta obra, muito lucrará espiritualmente pelos conheci¬mentos que adquirir. E, como é natural, esses co-nhecimentos resultarão em numerosas almas ga¬nhas para Jesus. Para mim é motivo de muita alegria ver o pre¬sente livro vir a lume, para servir aos alunos dos di¬versos Institutos Bíblicos, e a todos que amam a obra do Senhor Jesus. Que Deus use este trabalho para despertamento de muitos jovens vocacionados, para bem servirem na seara do Senhor. Pr. N.Lawrence Olson

 

O QUE É EVANGELHO?

1 – Etimologia. A palavra “Evangelho” vem de duas palavras gregas: eu, que quer dizer “bom”, e de angelia, que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra euangelion que quer dizer “boas novas, notícias alvissareiras”. Essa palavra aparece tanto no Antigo Testamento como na literatura extrabíblica. No hebraico é bessorah (2 Sm 18.20, 25, 27; 2 Rs 7.9), que a Septuaginta traduziu por euuangelion. Originalmente significava “pagamento pela transmissão de uma boa notícia”. Com o tempo passou a ganhar novo significado no mundo romano de fala grega, em virtude do culto ao imperador, pois a palavra euuangelion era usada para anunciar o nascimento deste ou a sua coroação. Euangelizomai (Aristófanes) evangelizo, uma forma que só se encontra no gr. posterior juntamente com o substantivo adjetival euangelion (Homero) e o subs. Euangelos (Ésquilo), todos derivados de angelos, “mensageiro” (é provável que originalmente fosse uma palavra iraniana tomada por empréstimo), ou do verbo Angelló, “anunciar”; (Anjo). Euangelos, “mensageiro”, é aquele que traz uma mensagem de vitória ou quaisquer outras notícias políticas ou pessoais que causam alegria.

EVANGELISMO, O QUE É?

É a obra do Espírito O Espírito Santo é capaz de fazer a Palavra alcançar tanto êxito hoje como nos dias dos apóstolos. Ele pode salvar as almas às centenas ou aos milhares, como também de uma em uma, ou de duas em duas. A razão por que não somos mais prósperos é que não contamos com o Espírito Santo entre nós, em poder e energia, como nos tempos primitivos. “Se contássemos com o Espírito para selar o nosso ministério com poder, isso significaria que poucos valores dariam ao talento humano. Os homens podem ser pobres e sem estudo, suas palavras hesitantes e gramaticalmente erradas; porém, se o poder do Espírito as estiver bafejando, o evangelista mais humilde será mais bem sucedido do que o mais erudito dos doutores, ou o mais eloquente dos pregadores”. “É o extraordinário poder de Deus, e não os talentos humanos, que obtêm a vitória. É da unção espiritual extraordinária e não de poderes mentais extraordinários, que precisamos. O poder intelectual pode encher um templo de angústia de alma. O poder intelectual pode atrair numerosa congregação, mas somente o poder espiritual pode salvar almas. Precisamos do poder espiritual” (Charles H. Spurgeon). “ Evangelismo é sofrer a dor de parto “Sião, mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz aos seus filhos” (Is 66.8). Essa é a obra suprema da Igreja. Uma mulher pode dar a luz sem dores de parto? Pode haver nascimento sem parto? Porém, esperamos que no reino de Deus, algo que não é possível na esfera natural seja possível na espiritual. Precisamos estar certos que sofreremos dores de parto para gerarmos filhos espirituais. Finney diz-nos que não tinha palavras a proferir, mas podia tão somente gemer e chorar, quando pleiteava perante Deus em favor de uma alma perdida. Ele experimentava o autêntico aperto da alma. Evangelismo é ainda: Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. É preciso que o pecador seja informado a respeito de sua condição de pecador; da natureza e conseqüência do pecado em sua vida; do amor de Deus e de sua providência para a salvação de suas criaturas; o que é necessário fazer para se salvar. Todos os meios possíveis devem ser usados para que o homem seja informado de tudo quanto diz respeito a sua situação espiritual e do amor divino para com ele. Persuasão: Não basta apenas informar. É também preciso persuadir. O pecador deve ser persuadido a submeter-se a Cristo incondicionalmente. Quem convence o pecador é o Espírito Santo (Jo 16.8). O crente é um instrumento do Espírito para persuadir o pecador. Integração: Após a conversão do pecador, ele deve ser imediatamente integrado a uma Igreja, preparado para o batismo, batizado e matriculado na Escola Dominical. O discípulo, neste caso, não é tarefa apenas para o pastor da Igreja, mas de todos os membros que amam as almas perdidas. O crescimento do povo convertido deve ser uma preocupação de toda a Igreja. As armas do evangelista Para realizarmos a tarefa de evangelizar é preciso a utilização sábia de instrumento adequado. O marinheiro usa a bússola; o alfaiate a tesoura, o lavrador o arado. E aquele que evangeliza, de quais armas precisa? É necessário: Oração “Lemos nas biografias de nossos antepassados que se mostraram mais bem sucedidos na conquista de almas, que oravam em secreto durante horas a fio. Fazemos então uma pergunta: Poderíamos obter os mesmos excelentes resultados sem seguir o exemplo deles? Caso não precisemos orar tanto, provemo-lo ao mundo: Descubramos um método superior! Caso contrário, em nome de Deus, começaremos a seguir aqueles que a fé, com paciência, tornaram-se herdeiros da promessa. Nossos progenitores espirituais choraram, oraram e agonizaram diante do Senhor, em favor dos ímpios, visando a salvação deles, e não descansavam enquanto os pecadores não fossem feridos pela espada da Palavra do Senhor. Esse é o segredo do êxito retumbante dos gigantes espirituais do passado. Quando as coisas se paralisavam eles lutavam em oração até que Deus derramasse de Seu Espírito sobre os homens, que assim se convertiam.” Todos os homens de Deus eram poderosos homens de oração. Somos informados de que o sol nunca surgia no horizonte, na China, sem encontrar Hudson Taylor de joelhos. Não admira, portanto, que a Missão para o interior da China tenha sido tão maravilhosamente usada por Deus! A conversão é uma operação efetuada pelo Espírito Santo, e a oração é o poder que assegura essa operação. As almas não são salvas pelo homem, e sim, por Deus; e posto que ele opera em resposta à oração, não temos outra alternativa além de seguir o plano divino. A oração movimenta o braço divino, que põe o avivamento em ação. A oração que prevalece não é fácil. Somente aqueles que têm estado em conflito com os poderes das trevas sabem que ela é difícil demais. Paulo escreveu dizendo que “não temos que lutar contra a carne e o sangue, e, sim, contra os principados, contra as potestades, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes” (Efésios 6:12). E o Espírito Santo ora com “...gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). O que acontece, quando oramos? Orando, as portas se abrem Ef 6:18-19; Orando, o braço de Deus se move; Orando, os corações são quebrantados At 2:37. Oração e jejum pelas cidades – O homem pecador se opõe a Deus (1Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.1). O diabo força o homem a não buscar a Deus (Ef 2.2; 2Co 4.4). Qualquer plano de evangelização, por melhor que seja, com recursos, métodos, estratégias, fracassará, se não tiver o poder de Deus. E o poder de Deus só pode ter adquirido pela busca, pela oração. Deus age (Fp 1.29; Ef 2.8; Jo 6.44). Os demônios infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da oração (Sl 122; Jr 29.7; Lc 19.41). A oração é a base. 2) Palavra A Bíblia é o manual por excelência de missões, porque é a revelação de Deus à humanidade. Além de ser a única fonte inspirada de teologia e ética, ela nos ensina como fazer evangelismo e missões. A Bíblia é a única obra literária do mundo que registra a nossa origem: Deus quer que todos os seres humanos conheçam a verdade sobre Ele e de como Ele se revelou nas Santas Escrituras; e também sobre a natureza humana. A vontade de Deus é que todos os homens se arrependam e tenham conhecimento da verdade (I Tm 2:4). Deus sempre se preocupou com o bem-estar do homem. Essa vontade só pode ser conhecida pela revelação, verdade que só é encontrada nos oráculos divinos: a Bíblia Sagrada. A palavra é a ferramenta do evangelista pessoal. Ele deve manejar bem a palavra da verdade (2 Tm 2:15) para mostrar ao pecador os pontos salientes do caminho da salvação, aplicando a cada circunstância a mensagem correspondente. É importante ter bem claros na mente os versículos e suas respectivas referências que falem sobre cada situação que a pessoa pode estar experimentando ou experimentar, como, por exemplo, pecado, arrependimento, confissão, perdão, o amor de Deus, salvação, segurança, proteção, paz, vitória, vida eterna e outros tópicos de igual importância. Preparo das pessoas para a evangelização das cidades – Esse preparo refere-se ao estudo da Palavra de Deus. É o preparo na Palavra (2 Tm 2:15). As seitas preparam bem seus adeptos. As igrejas precisam gastar tempo e recursos no preparo dos que evangelizam.

PORQUÊ EVANGELIZAR?

1 – Porque Deus nos deu o ministério da reconciliação e também pôs em nós a palavra da reconciliação, de sorte que, somos embaixadores da parte de Cristo. 2 – Porque é uma obrigação de todos sem exceção. Todos temos a incumbência de Jesus (1 Pe 2.9). Alguns começaram a trabalhar de madrugada; outros na terceira hora, isto é, às nove horas; outros perto da hora sexta, ou seja, entre as onze e doze horas; e outros perto da hora undécima, isto é, faltando apenas uma hora para terminar o dia. (Os judeus contavam o período do dia, das seis horas da manhã às seis horas da tarde) (Mt 20:1-6). 3 – Porque a pessoa salva é a única que pode afirmar com convicção quem Ele era, quem Ele é, e quem Ele será, ou seja: era um perdido pecador (Rm 3:23), candidato à morte eterna (Rm 6:23; Ap 21:8) e à condenação (Jo 5:24). Porém, hoje, é um pecador remido (Tt 2:14), liberto por Jesus (Jo 8:34); e, no futuro, estará eternamente na presença do Senhor (1 Ts 4:17) nos céus (Fp 3:20), possuindo um corpo imortal e incorruptível (1 Co 15:51-54). 4 – Porque não tínhamos condições de pagar nossa dívida para com Deus. A obra de ganhar almas constitui-se numa mensagem de perdão das dívidas que o homem tem para com Deus. Quando permanecíamos no pecado, tínhamos uma dívida enorme, e estávamos sem condições de pagá-la, mas tudo foi perdoado por Deus (Mt 18.23, 27; Cl 2.14). “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus... (Rm 8.1). Precisamos levar a mensagem da cruz a todos os perdidos para suas salvações, pois, fazendo assim, estaremos dando de graça, o que de graça recebemos (Mt 10:8)”. “As ilustrações e história a seguir retratam a necessidade da evangelização. Alguém perguntou a um evangelista sobre o seu trabalho. Ele disse que era semelhante ao de um mendigo que achara muito pão, e, agora anunciava aos outros o caminho do alimento. “Uma vez um artista procurou pintar um quadro sobre o evangelismo. Ele pintou um quadro onde havia uma tormenta no mar, um bote sendo destroçado pelas ondas e jogando seus tripulantes ao mar, e, numa rocha, que saía das águas, um marinheiro apoiado com ambas as mãos para se salvar. Ao olhar o quadro, o pintor ficou insatisfeito e quis fazer outro. Então, ele pintou a mesma tempestade, o mesmo cenário de desespero, o mesmo bote naufragado, os mesmos homens aflitos pedindo por socorro e a mesma pedra salvadora. No entanto, ele acrescentou algo: um homem bem apoiado sobre a Rocha que estava no meio das águas revoltas. Com uma das mãos ele se segurava na Rocha e com a outra oferecia socorro a quem quisesse sair da água”. A obra desse ministro, se explicada cabalmente e nos mínimos detalhes, com certeza, mereceria outro livro. O Senhor Jesus, o Evangelista por excelência, resumiu Sua obra da seguinte maneira: “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19:10).

ESTRATÉGIA DE EVANGELIZAÇÃO

1 – Evangelismo pessoal A evangelização pessoal ainda é, por excelência, o método mais eficaz na obra de ganhar almas. Nenhuma estratégia, por mais perfeita que seja, pode substituir com a mesma eficiência o contato pessoal na pregação do Evangelho. Jesus e os apóstolos pregaram às multidões, mas nunca desprezaram a evangelização pessoal, por entenderem que a salvação é uma questão individual (Rm 14:12), que deve ser tratada com as pessoas uma a uma, como fez o Mestre ao escolher os seus discípulos. É, por outro lado, a estratégia mais simples e de menor custo, pois é fruto do amor apaixonado de cada crente pelas almas perdidas, que o faz buscá-las pessoalmente e sem esmorecimento, onde quer que se encontrem, como fez o pastor com a que se encontrava desgarrada do redil (Lc 15:4-7). Se cada cristão entendesse o seu papel e ganhasse, pelo menos, uma pessoa a cada ano, e cada um desses novos cristãos ganhasse também uma pessoa por ano, o alvo de 50 milhões de almas até o ano 2010, lançado pela Década da Colheita, poderia ser alcançado em pouco mais de dois anos. A) Ponto de contato A evangelização pessoal tem como fundamento o contato entre o evangelista e a pessoa a ser evangelizada. Se não houver contato, não há evangelização. É obvio que o contato se dá em duas direções: Primeiro com Deus e segundo com o próximo. A forma de aproximação mais conhecida como ponto de contato vai determinar em grande parte o êxito da iniciativa. Ela será a chave para tornar o interlocutor mais acessível ao diálogo, que poderá levá-lo a reconhecer os seus pecados e, consequentemente, à conversão. Não basta simplesmente iniciar uma conversa mostrando já as consequências de quem se rebela contra Deus. Talvez esta seja a forma mais rápida de fechar as portas à pregação. Em nenhuma parte da Bíblia a mensagem de juízo precede a de arrependimento. Descobrir o ponto de contato significa fazer uso da habilidade de intuir em cada situação a maneira pela qual o evangelista pode identificar-se com a pessoa que está sendo evangelizada. Veja o exemplo de Filipe. Ele descobriu que o eunuco lia o profeta Isaías e fez uso deste ponto de aproximação para entabular a conversa, enquanto corria ao lado do carro (At 8.30). Paulo, no Areópago, utilizou-se da figura do altar ao Deus desconhecido para apresentar aos atenienses o verdadeiro Deus (At 17.22-24). Ponto de contato é a chave “para se dizer o que é certo de maneira que não ofenda as pessoas”. B) Como compreender o ser humano Compreender as necessidades humanas é, também, uma forma que leva ao ponto de aproximação. O evangelista pessoal tem que olhar a comunidade que o cerca sob essa perspectiva, entendendo que ele está tratando com pessoas de temperamentos distintos e que vivem circunstâncias diferentes. Tratar a todas sob o mesmo ângulo é desconhecer que cada uma possui necessidades específicas e carece de tratamento específico. O que fez Paulo no cárcere em Filipos? Sob a nossa ótica, a fuga imediata, talvez fosse o caminho mais lógico para ganhar a liberdade, após o terremoto. No entanto, ele teve pleno domínio da situação e prolongou sua permanência na cadeia por mais algum tempo, por compreender que aquela circunstância era o meio pelo qual poderia legitimar as verdades do Evangelho através do próprio comportamento, levando uma família à conversão (At 16.25-39). B) Aprendendo com Jesus Cristo, nosso maior exemplo, foi quem melhor soube utilizar-se dos pontos de aproximação e compreender as necessidades humanas. Enquanto a mulher samaritana estava preocupada em tirar água do poço de Jacó, Ele aproveitou o fato para falar-lhe da água da vida, sem entrar no mérito da histórica inimizade entre judeus e samaritanos. Em relação à mulher adúltera, teve a visão correta da sua necessidade e da hipocrisia dos que a cercavam. Quanto a Zaqueu, o publicano, tocou no seu ponto nevrálgico para levá-lo ao conhecimento da salvação. No que tange à multidão faminta, no deserto, movido de íntima compaixão, ordenou aos discípulos: “Dai-lhe vós de comer”, e não a despediu enquanto não foi alimentada. (SE) 2) Como fazer a evangelização pessoal A) Fazendo amizade A evangelização pessoal tem como pressuposto a amizade, principalmente quando se trata de um projeto em médio prazo em relação a determinada pessoa. Uma proposta de relacionamento amistoso e sincero é a primeira atitude que o evangelista pessoal precisa demonstrar na sua busca incessante pelas almas perdidas. É preciso que haja da parte do pecador, absoluta confiança nas intenções de quem o está evangelizando. B) Pelo exemplo O exemplo é outro fator de atração que deve ir na frente para conquistar, sem palavra, a expectativa do incrédulo. Há uma diferença entre o salvo e o não salvo e esta precisa ficar bem caracterizada não apenas pelo discurso, mas principalmente pelas ações. “Eis que tenho observado que este homem que passa por aqui é um santo homem de Deus” (2 Rs 4.9), já dizia a mulher a respeito de Eliseu. De que adianta um turbilhão de palavras bem concatenadas se o testemunho não corresponde ao que se prega? C) Pelo discipulado Aqui significa que o evangelista pessoal não vai pregar para alguém e abandoná-lo à beira do caminho. O discipulado implica em adotar essa pessoa e levá-la pacientemente a cumprir todos os passos da salvação até que Cristo seja gerado nela. Este procedimento produzirá crentes maduros que, por sua vez, serão levados a ter a mesma atitude de fazer novos discípulos (2 Tm 2:2). Foi assim com Filipe, que após o chamado do Mestre, trouxe as boas novas para Natanael e o levou a Cristo (Jo 1:45-47). O mesmo ocorreu com a mulher samaritana, que anunciou ter encontrado o Messias aos conterrâneos de Samaria: “Vinde e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito, porventura não é este o Cristo?” (Jo 4:39). O endemoninhado gadareno foi outro que não titubeou. Depois de liberto, “foi apregoando por toda a cidade, quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito” (Lc 8:39). Gerar um novo crente significa acompanhá-lo passo a passo, tal como uma criança, até que possa andar com os seus próprios pés.

QUALIDADES DO EVANGELISTA

1 – Demonstrar convicção Entre as muitas qualidades exigidas do evangelista pessoal, além da conversão e da certeza de salvação, está a convicção absoluta naquilo que crê. Jó escreveu: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25). O apóstolo Paulo não teve dúvida: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Tm 1:12). A ineficiência na exposição das verdades da salvação passa a idéia de que o pregador não está muito convicto daquilo que prega e não permite ao Espírito Santo usar a palavra para atingir o coração do ouvinte, isto, porque, “se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” (1 Co 14:8). Ou seja, se o soldado der o toque de recolher para, em seguida, dar o toque da alvorada no momento exato de iniciar a guerra, como os recrutas irão agir? 2 – Ser convertido “... E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22:32). “... E grande número creu e se converteu...” (At 11:21). Há muitas pessoas que querem dar o segundo passo, sem ter conhecido o primeiro. A princípio, eles tentaram usar o poder do nome de Jesus, sem experimentá-lo em suas vidas. E depois, tentaram levar homens pecadores e rebeldes ao conhecimento da vontade divina. O homem salvo por Cristo, que está reconciliado com Deus, não vive mais em rebeldia, seja qual for a forma que ela tiver. Que Deus nos ajude a estar dentro da Sua vontade! Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos (Jo 3:11). Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido (At 22:15). O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram na Palavra da vida. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1:1-3). 3 – Ter bom testemunho “Convém que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo” (1 Tm 3:7). 4 – Ser preparado “Sofre, pois, comigo, as aflições como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos”. (II Tm 2:3-6). Há um ditado que diz: “Um homem prevenido [preparado] vale por dois”. No caso do evangelista (ou qualquer outro ministro) isso é regra. Ele deve se preparar para estar sempre pronto a responder à altura de um anunciador das Boas-novas. A Bíblia compara o crente como um soldado ou atleta; estes títulos, em si mesmos, já denotam preparação. O evangelista deve se preparar e também preparar o ambiente e as pessoas, através da oração. “A proclamação funciona bem, num ambiente, onde as pessoas têm sido preparadas para ouvir o Evangelho.” Estar preparado é mais do que ficar sempre lendo materiais sobre evangelismo. É estar cheio da Palavra, do Espírito e da Graça de Deus. Estar preparado é também ser sensível à direção do Espírito. O evangelista deve estar pronto, tanto para pregar quando o Espírito quiser, como para não pregar quando o Espírito assim o mandar (Atos 16.6, 7). “Um ministro pode ter educação, treinamento, personalidade e qualquer outro dom, geralmente considerado como uma necessidade para um ministério próspero; contudo, o fracasso será iminente se ele descuidar do maior de todos os requisitos para alcançar o verdadeiro e permanente ministério: a preparação espiritual de si mesmo”. 5 – Ter o senso da oportunidade Ter o senso da oportunidade é não deixar passar a hora e aproveitar as circunstâncias favoráveis. O evangelista pessoal está sempre atento aos fatos e a tudo que o cerca, pois uma situação inesperada pode ser o ponto de partida para ganhar uma alma. Filipe ia a caminho de Gaza, deixando para trás um poderoso avivamento em Samaria (At 8.1-8) e aparentemente desperdiçando tempo, pois diz a Bíblia que a região estava deserta. Mais eis que de repente surge alguém numa carruagem lendo o profeta Isaías. Era a oportunidade que não podia ser desperdiçada e Filipe não perdeu tempo. O resultado todos conhecem. Aqui fica também uma lição: aqueles que se consideram pregadores de grandes multidões devem ter o senso do valor de uma alma, como Filipe. Ele trocou as conveniências de uma cidade grande por uma região deserta, tendo em vista uma só alma. 6 – Conhecer o pecador O pecador manifesta diferentes reações à palavra pregada. Cabe ao evangelista pessoal conhecê-las e saber como lidar com elas. Há os que se mostram indiferentes, enquanto outros estão interessados. Há os que desejam a salvação, mas se acham impedidos, enquanto outros não crêem que possam ser salvos. Há os que se consideram fracassados e não sabem como ser restaurados. Enfim, há diferentes situações, mas para cada uma há respostas convincentes nas Escrituras. É preciso que o evangelista pessoal as conheça e permita que o Espírito Santo as use no momento adequado. OS QUATRO “COMOS” DO EVANGELISMO Vamos examinar a Carta aos Romanos, capítulo 10, versículos 13-15: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas.” Aqui temos os quatros “comos” da Palavra de Deus. Primeiramente encontramos a promessa “ser salvo” condicionada ao verbo “invocar”. Porém, para que invoquem, precisam antes confiar. Para que confiem, precisam antes ouvir. Para que ouçam, alguém deve pregar-lhes as boas novas. Mas para que preguem, terão antes de ser enviados. Dessa maneira, Deus põe a responsabilidade sobre nós. Se enviarmos os missionários, eles poderão pregar. Se eles pregarem, pessoas poderão crer; e se crerem, invocarão; e se invocarem, serão salvos. Mas todo o processo é iniciado por nós. Antes de qualquer coisa, é necessário que enviemos ou que nós mesmos vamos! CONCLUSÃO No coração de Deus há um clamor, dia e noite, gritando: ALMAS! ALMAS! ALMAS! Ele clama para que seus servos se entreguem à obra de ganhar almas. Somente estes, que procuram ter um coração segundo o de Deus sabem o que significa este clamor: “...Ai de mim, se não anunciar este Evangelho!” Paulo sabia que era responsável perante Deus, de resgatar o mundo das trevas. O Senhor tem chamado e preparado homens especiais para este serviço: Os Evangelistas. Esses homens têm transformado o mundo com as Boas-novas de salvação, desde o tempo de Jesus, e vão continuar com este ministério até que Ele volte. Jesus, após sua ressurreição, enunciou aos discípulos uma condensação do Velho Testamento. Disse ele: “São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. Quando então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras, e lhes disse: Assim está escrito, que o Cristo havia de padecer...”. Sacerdotes e rabinos judeus, aos milhares, já dedicaram incontáveis horas de estudo aos textos do Velho Testamento e, no entanto, não conseguiram perceber ali a maior revelação: o Messias teria que sofrer e morrer... E Jesus continua: “... e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia...” A ressurreição do Messias, outro importante “ponto cego” na mente do povo escolhido de Deus é a segunda parte do conciso sumário que ele faz do Velho Testamento. Mas nós, os cristãos, que vivemos 2000 mil anos depois, tendo os benefícios de conhecer o desenrolar subsequente da História, devemos ter o cuidado de não rir desse erro dos judeus, que não discerniram o tema central do Antigo Testamento, pois Jesus continuou a sua exposição, mencionando o terceiro fator que constitui um dos principais: “E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações, começando em Jerusalém” Lc 24:44-47

Introdução ao Evangelismo Pessoal

  1. DEFINIÇÃO” DE EVANGELISMO PESSOAL
  2. Evangelismo Pessoal é a obra de falar de Cristo aos perdidos individualmente: é levá-los a Cristo, o Salvador (Jo 1.41,42; At 8.30).
  3. 2. A IMPORTÂNCIA DO EVANGELISMO PES¬SOAL A importância vê-se no fato de que a evangelização dos pecadores foi o último assunto de Jesus aos seus discípulos antes de ascender ao céu. Nessa ocasião, Ele ordenou à Igreja o encargo da evangelização do mundo (Mc 16.15,19; At 1.8,9). 3. O ALVO DO EVANGELISMO PESSOAL O alvo é tríplice: salvar os perdidos, restaurar os desviados e edificar os crentes. O irmão já experimentou o gozo que há em ganhar uma alma para Jesus? É uma bênção e uma experiência inesquecí¬veis… Há um gozo inexplicável em vermos alguém no caminho para o céu, ou já na glória, por nosso in¬termédio… Ganhar almas foi a suprema tarefa do Senhor Jesus aqui na terra (Lc 19.10; 1 Tm 1.15). Paulo, o grande homem de Deus, do Novo Testa¬mento, tinha o mesmo alvo e visão (1 Co 9.20). Uma grande parte dos crentes pensa que a obra de ganhar almas para Jesus está afeta exclusivamente aos pregadores, pastores e obreiros em geral. Con¬tentam-se em, comodamente sentados, ouvir os sermões, culto após culto, enquanto os campos es¬tão brancos para a ceifa, como disse o Senhor da seara em João 4.35. O “ide” de Jesus para irmos aos Derdidos (Mc 16.15), não é dirigido a um grupo es¬pecial de salvos, mas a todos, indistintamente, co¬mo bem revela o texto citado. Portanto, a evangelização dos pecadores pertence a todos os salvos. Cada crente pode e deve ser um ganhador de almas. Nada o pode impedir, irmão, de ganhar almas para Jesus, se propuser isso agora em seu coração. A cha¬mada especial de Deus para o ministério está reser¬vada a determinados crentes, mas a chamada geral para ganhar almas é feita a todos os crentes. O evangelismo pessoal, como já vimos acima, vai além do pecador perdido: ele alcança também o desviado e o crente necessitado de conforto, dire¬ção, ânimo, auxílio e vitória. Ele reaviva a fé e a es¬perança nas promessas das Santas Escrituras. 4. VANTAGENS DO EVANGELISMO PESSOAL Aqui estão algumas: 4.1. Adapta-se às condições espirituais de qual¬quer pessoa O que o sermão não consegue fazer no auditório, na evangelização coletiva, o evangelismo pessoal o faz. Na evangelização em massa, a pregação não satisfaz a todos, porque cada um tem problemas es¬pirituais diferentes. No evangelismo pessoal, a mensagem é direta, incisiva. Muitas vezes, a prega¬ção apenas inicia a evangelização, que será comple¬mentada com o contato pessoal do ganhador de al¬mas. 3.2. Promove o crescimento da igreja A igreja dos dias primitivos cresceu muito de¬pressa porque os crentes, cheios do Espírito Santo, evangelizavam sem parar (At 5.42; 8.4). O resulta¬do foi o maravilhoso crescimento registrado no livro de Atos dos Apóstolos. Hoje, também, a igreja que tiver um número regular de ganhadores de almas, seu crescimento será notório. A semeadura da Pala¬vra de Deus promove o crescimento e a edificação da igreja. (Ver At 2.41,47; 4.4; 5.14; 9.31, e princi¬palmente em 21.20.) A maior e melhor maneira de ajudar o pastor no crescimento do rebanho de Deus é ganhar almas individualmente. O irmão tem feito assim? Está fazendo assim? Se hoje, na igreja, cada um ganhasse outro, qual seria o resultado? Se todos ganhassem almas como você, qual seria o cresci¬mento da igreja? 4.3.Vence todos os preconceitos Há casos e ocasiões em que somente o evangelis¬mo pessoal alcança o pecador. Há pessoas que ja¬mais assistiriam reuniões evangelísticas em tem¬plos, ou seja onde for, devido a preconceitos, falsa concepção, ignorância, ordens recebidas, imposi¬ções religiosas, falsas informações, falsas idéias, etc. É aí que o evangelismo pessoal presta seus ser¬viços de modo ímpar. Há inúmeras grandes igrejas por toda parte, que começaram através do evangelismo pessoal. A origem foi uma alma ganha, cultos em sua casa e em seguida uma congregação forma¬da. O pioneirismo missionário na América Latina e o estabelecimento da obra das Sociedades Bíblicas também foi assim – através do evangelismo pessoal. 5. O MANUAL DO OBREIRO NO EVANGELIS¬MO PESSOAL É a Bíblia, é evidente. Ela é a Palavra de Deus, e, dele temos a extraordinária promessa: “Porque assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Is 55.11 -vide também Sl 126.5,6; Rm 1.16; Tg 1.21b.) Sabendo nós que a Bíblia é o manual do evange¬lismo pessoal, é evidente que para termos êxito nes¬ta obra, duas coisas precisamos considerar por en¬quanto: a. Na obra de ganhar almas emprega-se a Pala¬vra de Deus (Jo 3.5; Rm 10.17; 1 Pe 1.23). b. Para empregar a Palavra de Deus é preciso conhecê-la devidamente (2 Tm 2.15). A expressão “maneia bem”, neste versículo, significa de fato dissecar, dividir ou cortar corretamente, como por exemplo, no preparo das vítimas para os diversos sacrifícios. Refere-se principalmente à correta apli¬cação do texto e da mensagem de toda a Bíblia. É fato reconhecido que é muito mais fácil falar a Palavra de Deus a uma multidão do que a uma só pessoa. Quem fala a um auditório não é interrompi¬do para perguntas, apartes, argumentação, etc; já quem fala a uma só pessoa poderá vir a enfrentar tudo isso. Há pecadores que aceitam a mensagem da salvação sem objeções e sem argumentação, mas outros apresentam escusas tais, que, se o crente não conhecer devidamente as Escrituras, ficará em si¬tuação vexatória. É verdade que o Espírito Santo guia e inspira na obra de ganhar almas, mas no tocante às Escritu¬ras, Ele só pode lembrar-nos daquilo que conhece¬mos antes (Jo 14.26). não sei? que não ouvi? que não li? Que não aprendi? Por sua vez, o pregador ou ganhador de almas não é adivinhador de versículos… Muitos, a essa altura, firmam-se em Mateus 10.19,20 para declararem que, na hora precisa, o Espírito Santo dará tudo, mas é bastante o contexto da referida passagem (v.18), para ver a que ocasião Jesus se es¬tá referindo. (Leia também, quanto a isto, Pv 9.9:1 Tm 4.13;1 Pe 3.15.)À Bíblia é a “espada do Senhor”, mas também “de Gideão” (Jz 7.20). Isto é, ela é a arma que o Espírito Santo usa, mas o elemento que a conduz é o crente. Portanto, é im¬perioso que o crente aprenda a manejar bem o Livro de Deus. Há crentes que até evitam falar de Jesus, por causa do seu pouco ou nenhum conhecimento das Escrituras. No evangelismo pessoal, a doutrina principal é a de salvação da alma. É preciso que o crente co¬nheça bem os textos, para apresentá-los à medida que a necessidade for exigindo. Não é um texto qualquer que vamos citar, mas aquele apropriado pura o momento, pois a Bíblia tem uma mensagem adequada para cada caso, cada coração, cada cir¬cunstância. Não é abrir a Bíblia em qualquer lugar e dizer: “Vou ler esta passagem que o Senhor me deu”, quando geralmente o Senhor não deu coisa nenhuma… O que é preciso é conhecer a Bíblia e depender do Espírito Santo. Assim sendo, Deus abre a porta, guia e dá a mensagem adequada e un¬gida pelo seu Espírito. É oportuno lembrar aqui que o Espírito Santo e a Palavra de Deus jamais se contradizem. Quem se julga espiritual deve conhecer e amar a Bíblia, e quem seguir a Bíblia, deve andar segundo o Espíri¬to. A razão por que muitos crentes chamados espi¬rituais são cheios de meninices; são escandalosos e extremistas, é porque não estudam a Palavra, para nela aprenderem a ordenar seus passos. O que lhes falta é o conhecimento das doutrinas desse Livro. Ter o Espírito Santo e não conhecer a Palavra conduz ao fanatismo. Conhecer a Palavra e não ter o Espirito, conduz ao formalismo. Em religião, fa¬natismo é zelo excessivo, paixão cega; é chamar ao certo, errado; e ao errado, certo. É ser extremista.É zelo sem entendimento (Rm 10.2). Se você deseja que o Espírito Santo o use, inclusive na obra de ga¬nhar almas, procure ter o instrumento que Ele em¬prega – a Palavra de Deus (Ef 6.17). 6. COMO DEVEMOS ESTUDAR A BÍBLIA – O MANUAL DO OBREIRO CRISTÃO Aqui estão algumas maneiras: 6.1. Leia a Bíblia conhecendo o seu autor O primeiro passo para entender as Escrituras é conhecer o autor delas – Deus. Assim sendo, Ele no-las explicará (Sl 119.18,125; Lc 24.32,45; Jo 16.13).A melhor maneira de estudar a Bíblia é fazer como Maria – quedar-se aos pés do Autor (Lc 10.39). 6.2. A leitura diária, seguida e total É um dos segredos da vitória espiritual (Js 1.8b) a leitura sistemática e constante da Bíblia, ano após ano, pois constitui o contato direto e pessoal com a Palavra de Deus. Nada pode substituir esse aspecto da vida devocional do cristão, (vide Dt 17. 19: Is 34.16: Ap 1.3.) A leitura ocasional, irregular, não basta. Há crentes que só se alimentam espiri¬tualmente quando alguém põe comida em sua bo¬ca. É a colher do pastor, do professor da Escola Dominical, etc, etc. Não comem por si mesmos. Quando mudam de igreja, às vezes morrem de fo¬me espiritual. É muito bom ler bons livros, mas o máximo de tempo deve ser da Bíblia. Os livros são bons, mas não são substitutos da Bíblia. Nos livros, muitas vezes prevalece o individualismo do autor, mas na Bíblia não há este particular. Leiamos livros, mas tendo sempre a Bíblia como a autoridade principal e final. Ninguém fique preocupado, pensando que por ler muito a Bíblia vai esgotar seu conteúdo… Ela vem sendo lida por milhões de leitores através de milênios e nunca ficou esgotada. Seu conteúdo é inesgotável! Não há ninguém “formado” na Bíblia. Isto é uma das grandes evidências de sua origem di¬vina. 6.3. Leia a Bíblia com a melhor atitude espiri¬tual para com ela É de máxima importância que o estudante da Bíblia estude o Santo Livro com reverente atitude mental, tendo-a como a Palavra de Deus e não como uma obra literária comum. O autor da Bíblia é Deus. Seu assunto central é Cristo. Seu real intérprete é o Espírito Santo. Considerando-a sob esses pontos de vista, ela é o único livro cujo autor está sempre presente quando o lemos. Estude-a pois com espírito sequioso, devocional, receptivo, aber¬to, buscando conhecer mais de Deus e seu amor. A atitude de que tratamos aqui inclui o prazer (Mc 12.37). 6.4. Leia a Bíblia com meditação e oração Assim fez Davi, no que foi grandemente aben¬çoado por Deus (Sl 119.12,40,64,68). É na presença do Senhor em oração, que as coisas secretas divinas são reveladas (Sl 73.16,17). Daniel orou e as Escri¬turas lhe foram reveladas (Dn 9). Não convém ler depressa, sem prestar atenção ao sentido, que às vezes é bem claro, mas outras vezes demanda uma meditação mais demorada e profunda. Também é infrutífero fazer concorrência para estabelecer re¬corde de leitura. É melhor ler pouco, meditando, do que ler às pressas, sem meditar. Quem lê às pressas não pode dizer como Samuel: “Fala, porque o teu servo ouve” (1 Sm 3.10). 6.5. Aplique a leitura da Bíblia primeiro a você mesmo Nunca leia somente para instruir o próximo. Tome a Bíblia primeiro para a sua edificação. Há pessoas que, na leitura da Bíblia, tudo que é bên¬ção, conforto, promessas, elas aplicam a si; tudo que é ameaça, exortação, avisos, repreensão, casti¬go, aplicam aos outros. Quando ler a Bíblia irmão, pergunte sempre a Deus, como fez Josué diante do mensageiro celestial: “Que diz meu Senhor ao seu servo?” (Js 5.14). 6.6. Leia a Bíblia toda A Bíblia é a revelação progressiva da verdade. Isto é, nada é dito duma vez, nem uma vez por todas. É comum um assunto começar num livro e daí prosseguir através de muitos outros, até que o as¬sunto se complete. Por exemplo: a doutrina da Re-denção, vai do livro de Gênesis ao de Apocalipse. Não podemos entender uma carta recebida, lendo-a um pouco aqui, um pouco ali, mas, de modo com¬pleto. A Bíblia é a carta de Deus à humanidade. Estudando-a toda, conhecemos todo o plano divi¬no através dos séculos. Não espere compreender a Bíblia toda. Leia Dt 29.29; 1 Co 13.12. Na Bíblia há dificuldades e mis¬térios insondáveis, isto porque, sendo ela a Palavra de Deus, é inesgotável. É de se esperar que Deus saiba mais que o homem… Um Deus sobrenatural deve ter um livro sobrenatural. Uma mente finita, limitada e deficiente como a nossa, não pode abranger as coisas infinitas de Deus (Rm 11.33,34). Muitos deixam de ler a Bíblia, e outros perdem o interesse nela só porque não compreendem tudo o que lêem. Ora, quando na refeição, encontramos osso, espinha ou qualquer coisa estranha, deixamos isso de lado e continuamos a comer. Façamos assim no tocante à Bíblia. Deixemos as dificuldades de lado e continuemos a comer. Quanto a este particu¬lar, tenha-se em mente Sl 25.14; 1 Co 2.9-14. 6.7. Observações úteis e práticas no estudo da Bíblia 6.7.1.Apontamentos individuais. Habitue-se a tomar notas de suas meditações na Palavra de Deus. A nossa memória falha com o tempo. Distri¬bua seus apontamentos por assuntos. 6.7.2.Aprenda a ler e escrever referências bíbli¬cas. O sistema mais simples e rápido para escrever referências bíblicas é o adotado pela Sociedade Bíblica do Brasil: duas letras abreviativas, sem ponto, para cada livro da Bíblia. Esse sistema cons¬ta do índice das Bíblias editadas pela referida So¬ciedade. Entre o capítulo e o versículo põe-se um ponto. Exemplos: Jo 2.4 (João 2.4); Jó 2.4; 1 Pe 5.5 (1 Pedro 5.5); Fp 1.29 (Filipenses 1.29); Fm v.14 (Filemon v.14), etc. 6.7.3. Diferença entre texto e referência. Texto - são as palavras contidas numa passagem. Referên¬cia é a indicação de livro, capítulo e versículo. Uma referência pode levar indicações como: - “a” – indicando a parte inicial do versículo:Rm 1.17a. - “b” – indicando a parte final do versículo: Rm 1.17b. - “ss” – indicando os versículos que se seguem até o fim ou não, do capítulo: Rm 1.17ss - “qv” – que veja, recomendação para não dei¬xar de ler o texto indicado: Rm 1.17qv. 6.7.4. Siglas das diferentes versões da Bíblia em vernáculo. Isso poupa tempo e trabalho. - ARC —Almeida Revisada e Corrigida. É o tex¬to da Almeida antiga, impressa e distribuída pela Imprensa Bíblica Brasileira. - ARA = Almeida Revisada e Atualizada. É o texto da Almeida revisada por uma comissão de eruditos brasileiros e estrangeiros, e editada pela Sociedade Bíblica do Brasil. Começou a ser publi¬cada completa, em 1958. - Fig. = Antônio Pereira de Figueiredo. Atual¬mente é impressa e distribuída pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, Londres. - M. Soares = Matos Soares. Versão popular dos católicos brasileiros. - Rhoden = Huberto Rhoden. Versão particular desse padre brasileiro. 6.7.5. O tempo antes e depois de Cristo. É indi¬cado pelas letras: a.C. = Antes de Cristo. d.C. = Depois de Cristo. 6.7.6. Contexto. É a parte que fica antes e de¬pois da passagem que estamos lendo. Pode ser ime¬diato ou remoto. O contexto pode ser um versículo,um capítulo, e até um livro todo. 6.7.7. Manuseio do volume sagrado. Obtenha completo domínio no manuseio do volume sagrado, a fim de encontrar com rapidez qualquer referência bíblica. Jesus fazia assim. Veja Lucas 4.17, onde está dito que Ele “achou” o lugar onde estava escri¬to. Ora, naquele tempo isso era muito mais difícil do que hoje, quando dispomos de papel, editoras modernas e livros. QUESTIONÁRIO 1. Defina o que é evangelismo pessoal. 2. Cite o último assunto de Jesus aos seus discípu¬los, antes de ascender ao Céu. Dê as duas refe¬rências estudadas. 3. Cite uma referência estudada, mostrando que a obra de ganhar almas concerne a todos os cren¬tes. 4. Dentre as vantagens do evangelismo pessoal, mencione duas das estudadas. 5. Dê a referência de Isaías, onde Deus diz que sua Palavra não voltará vazia. 6. Mostre a inter-relação entre a Palavra de Deus e o Espírito Santo, na obra de ganhar almas, bem como no serviço do Senhor em geral. 7. Cite quatro modos dos estudados neste capítulo, sobre como estudar a Bíblia. 8. Explique a razão de a Bíblia ter muita coisa in¬compreensível. 9. A que conduz, ter o Espírito Santo e não conhe¬cer a Palavra, e vice-versa? 2 Um exame na obra do Evangelismo Pessoal Tendo em vista a obra de ganhar almas para Je¬sus, mediante a evangelização pessoal, vamos con¬siderar este assunto sob os cinco pontos seguintes: 1. Porque devemos evangelizar 2. Quando devemos evangelizar 3. Onde devemos evangelizar 4. Como devemos evangelizar 5. Resultados de evangelizar 1. PORQUE DEVEMOS EVANGELIZAR 1.1. Porque o nosso Senhor ordenou (Mc 16.15) Para muitos cristãos, Jesus é apenas o Salvador de suas almas, mas não Senhor e Rei de suas vidas. O evangelho integral apresenta Jesus não só como Salvador, mas também como Senhor (At 16.31). A ordem de evangelizar vem do Senhor para os seus súditos. Não é um convite: é um mandamento do nosso Senhor. Mas não devemos evangelizar só por¬que é um mandamento, mas porque amamos a Je¬sus e queremos ser-lhe gratos. Vejamos as descul¬pas mais comuns dos crentes quanto a esta ordem do Senhor: a.“Estou muito ocupado”; “Não tenho tempo”. Entretanto o Senhor Jesus não estava tão ocupado a ponto de não poder vir morrer em nosso lugar. Aqui no mundo Ele sempre cumpria na hora o pro¬grama do Pai, mesmo sabendo que o final seria o Calvário (Mt 26.45; Lc 22.14; Jo 2.4; 13.1; 17.1). Ele não andava tão ocupado a ponto de não ouvir o clamor das almas aflitas (Mc 5.30; Lc 18.40). b.“Estou muito cansado “. Jesus, no sol de meio-dia, junto à fonte de Jacó, não estava tão cansado a ponto de não poder atender a samaritana perdida (Jo 4.6,7). c.“Não sei falar”; “Não dou para nada na igreja”. d.“Não tenho capacidade“. Outros também já de¬ram as mesmas desculpas, mas ao obedecerem à or¬dem do Senhor, foram maravilhosamente usados por Ele. Estude os exemplos de: -Moisés (Ex 3.11) - Gideão (Jz 6.15) - Isaías (Is 6.5) - Jeremias (Jr 1.6) -Amos (Am 7.14) Portanto, entregue ao Senhor o que você tem, ir¬mão. Ele transformará o pouco no muito (Jo 6.9-13). Ele dará a capacidade necessária (Mt 4.19; 2 Co 3.5). A missão de evangelizar o mundo, entregue por Jesus à sua Igreja, implica em dever e responsabili¬dade (Ez 33.8,9; Rm 1.14; 1 Co 9.16). Uma das ra¬zões da inatividade de muitas igrejas e crentes na obra de evangelização vem do seu descuido quanto à vinda de Jesus. Os cristãos primitivos foram ati¬vos na evangelização, não só porque eram cheios do Espírito Santo, mas também porque esperavam a volta de Jesus em seus dias. 1.2.Porque temos recebido de Deus talentos, e assim temos uma mordomia para dar conta (Mt 25.14-30; Lc 16.2; 19.13) O dia da prestação de contas com o nosso Se¬nhor está perto (Rm 14.10; 1 Co 3.13-15; 2 Co 5.10). 1.3.Porque Deus nos concedeu o privilégio de participar do seu trabalho Servir ao Senhor não é apenas um dever cristão, é também um grande privilégio. Deus podia usar outros meios para levar a mensagem de salvação ao pecador. Ele assim faz quando lhe apraz, mas isto não é regra geral; é exceção. Seu método é usar ho¬mens para falar a homens. O trabalho de ganhar al¬mas para Deus é um privilégio que Ele nos concede para obtermos galardão no dia de Cristo (Fp 2.16). Há, neste sentido, uma solene declaração da Bíblia em Pv 11. 30. A salvação é dádiva de Deus, mas ga¬lardão é recompensa que o crente obtém mediante sua atividade na obra do Senhor. 1.4.Porque o pecador sem Jesus está perdido (Rm 5.12) A palavra perdido, significa perdido mesmo, isto é, sem solução, desenganado, extraviado, des¬garrado, arruinado. Jesus usou esta palavra em Lc 19.10. Precisamos compreender que esta é a situa¬ção atual do pecador não-salvo. Jesus não usou ter¬mos menores, nem arrodeios. Aqui, entre nós, quando desaparece um avião, um navio, uma expedição ou mesmo uma pessoa, todos os recursos disponíveis são mobilizados para salvar o que está perdido. Vamos nós fazer menos, ou cruzar os braços ante o perdido pecador, que se não aceitar Jesus como seu Salvador, irá para o In¬ferno eterno? Se, como parte de um curso de evangelismo pes¬soal, tivéssemos de passar 24 horas no Inferno, para ver o que se passa lá entre os perdidos, ao voltar¬mos, toda nossa vida giraria em torno da obra de evangelizar e ganhar almas perdidas, e também desviados, e jamais pôr tropeço na vida de alguém. Uma alma vale mais do que todo o mundo (Mc 8.36,37). O amor que Jesus demonstrou por nós no Calvário deve nos constranger (2 Co 5.14). A visão deste sublime amor de Jesus torna-se mais real quando meditamos a respeito do seu suor de san¬gue, da traição de Judas, das vergastadas, do esbofeteamento, dos pregos nas mãos e nos pés; na sede, na zombaria; sim, quando sentimos seu coração rasgado de dor; quando vemos seu rosto desfigura¬do pelos maus-tratos; quando ouvimos seu brado pungente nas trevas e contemplamos a sua cabeça pendente na cruz! Na mensagem ao profeta Isaías, Deus dirige-se a todos nós: “A quem enviarei eu? E quem irá por nós?” (Is 6.8). O irmão já teve a visão horrível das almas condenadas caminhando nas trevas para o abismo? Lembre-se de que está agora salvo porque alguém duma maneira ou de outra o levou a Cristo, meu caro irmão! Queremos somente receber e não dar também? 2. QUANDO DEVEMOS EVANGELIZAR A única resposta é: AGORA! Como os pecado¬res crerão agora, se eu não falar agora? (Ml 1.9; At 17.30; Hb 3.7). As almas precisam ser ganhas para Jesus agora, porque: - AGORA é que estamos vivos. Em Lucas 16 te¬mos a história de um homem que se interessou pela salvação dos outros, mas só depois de morto, quan¬do nada mais podia fazer. - AGORA temos pouco tempo. Jesus não tarda a vir. Se no tempo do apóstolo João, sua vinda já estava próxima (Ap 22.20), que diremos nós hoje? Urge atentar para Jo 9.4. Nosso tempo também pode ser pouco no sentido de a liberdade religiosa ser cerceada ou mesmo cassada, como já aconteceu e está acontecendo em certos países. Quanto à idade daqueles a quem devemos evangelizar, a resposta sempre será – agora. Crianças, jovens e velhos podem ser ganhos para Jesus agora. Na igreja, um dos grandes setores de evangelização das crianças é a Escola Dominical, quando devida¬mente aparelhada. Nela, o professor de crianças tanto pode levar as crianças a Cristo, como ensiná-las a viver para Cristo. Quem ganha uma criança para Jesus salva uma vida inteira. Quem ganha um adulto, salva apenas meia vida, pois a outra meta¬de o mundo já levou. Cuidado, pois! Uma oportuni¬dade perdida pode nunca mais voltar. Um coração hoje aberto pode amanhã estar fechado, e… para sempre. 3. ONDE DEVEMOS EVANGELIZAR Nem em todos os locais podemos fazer cultos de pregação, mas ganhar almas individualmente, sim. Vejamos alguns locais onde isso pode suceder: 3.1. Nos cultos Os crentes ganhadores de almas devem ficar alerta nos cultos de pregação, especialmente quando estes chegam ao término. Há pecadores que, mesmo depois de convencidos pelo Espírito Santo, precisam de ajuda para fazer sua decisão. Muitos têm dúvidas, temores e dificuldades internas. Nes¬sas horas, uma palavra de encorajamento da parte de Deus é decisiva. Há pessoas que nunca entraram num templo. Acham tudo estranho. Uma voz ami¬ga vence tais barreiras. Quantos milhares de peca¬dores fizeram sua decisão porque alguém os condu¬ziu à frente. Não convém insistir demais nem tam¬bém forçar. Deixe o Espírito Santo dirigir as coisas. Muitas almas se extraviam por falta de uma pala¬vra amiga, portanto, dê atenção pessoal a elas. Nos cultos ao ar livre, o trabalho pessoal com os circunstantes é valiosíssimo. Muitos frutos têm sido colhidos assim. 3.2. Nos lares O lar pode ser o nosso. Muitas vezes o campo de trabalho não é o interior do país nem o exterior, mas a nossa própria casa, isto é, pais, irmãos, fi¬lhos, parentes. Jesus disse que o campo é o mundo (Mt 13.38); ora, o mundo começa à nossa porta. Os crentes primitivos evangelizavam de casa em casa (Mc. 5.19; At 5.42; 20.20). Muitas grandes igrejas de hoje, começaram em casas particulares. O lar foi a primeira instituição divina, e Deus tem em mira a salvação de todos no lar (Gn 19.12; Êx 12.3; Js 6.23-25; Al 11.14; 16.31). 3.3. Em público Aqui, há muitos locais a considerar. O apóstolo Paulo pregou em praças (At 17.17). À beira de rios (At 16.13). Na parábola das bodas, o Senhor Jesus fez menção disso (Lc 14.21). Há pessoas de tal tem¬peramento e formação; de tais superstições e pre¬conceitos, que jamais entrarão num templo evangélico. Muitas vezes há também proibição. Tais pes¬soas só poderão ser atingidas pelo evangelismo pes¬soal em público. Evangelizar é ir ao encontro do po¬vo. Jesus não disse: “Venha todo o povo ouvir a pre¬gação do Evangelho”, mas, “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. 3.4. No trabalho (indústrias, profissões particu¬lares, etc.) Jesus chamou vários discípulos quando ocupa¬dos em seus trabalhos habituais (Mt 9.9; Mc 1.16-19). O grande evangelista D.L. Moody foi salvo quando trabalhava no interior duma sapataria. Há ocasiões em que a melhor maneira de falar de Jesus em .tais lugares é através da própria vida, vivendo diante dos patrões, empregados e colegas como um verdadeiro filho de Deus, deixando a luz brilhar nas trevas. Uma vida assim atrai os outros para Cristo. “A única Bíblia que muitas pessoas lêem é a vida de um crente” (D.V. Hurst). É como se fosse o “Evangelho Segundo Fulano de Tal”. É preciso prudência para falar nos locais acima mencionados, de modo que não haja violação de ro¬tinas, quebra de instruções, etc. A hora de almoço e. o tempo de descanso podem ser as ocasiões apro¬priadas. Não é preciso um sermão. Muita gente po-de ser alcançada em público: barbeiros, ascenso¬ristas, engraxates, comerciantes, comerciários, em¬pregados em geral, balconistas etc. O irmão R.A. Torrey dava cinco características de uma boa opor¬tunidade em público. Ei-las: – Quando a pessoa está só - Quando desocupada - Quando de bom humor - Quando comunicativa - Quando em atitude séria. 3.5. Nos transportes em geral (trens, navios, aviões, ônibus, etc) Em viagem, normalmente as pessoas estão dis¬postas: gostam de conversar e ler. Outras ficam apreensivas. O transporte em que viajamos diaria¬mente pode ser o meio de ganharmos muitas al¬mas para o reino de Deus. Peça, irmão, ardentemen¬te ao Senhor que o dirija a falar aos pecadores. Às vezes, quando não é possível falar, podemos entre¬gar um folheto apropriado. (Quanto a isto, estuda¬remos mais adiante.) 3.6. Nas instituições públicas (hospitais, pri¬sões, abrigos, penitenciárias, institutos, etc) Aqui, a primeira providência é obter a devida permissão para o serviço que se pretende fazer. É um ato nobre e cristão levar alegria e prazer aos in¬ternos de tais instituições. Muitos deles, dali não voltarão mais ao convívio dos seus. A única oportu-nidade que terão de ouvir o Evangelho será pelo testemunho pessoal, pelo rádio ou pela página im¬pressa. “Estando enfermo e na prisão, não me visitaste” (Mt 25.43). Paulo ganhou o carcereiro dentro da prisão (At 16.23,24). Há pessoas que em são estado de saúde e em plena liberdade, jamais ouviriam o Evangelho, mas nas instituições de internamento podem ouvir de boa mente. O campo é vasto nas organizações deste tipo. Milhares têm aceitado Cristo nas pri¬sões, sanatórios, abrigos, etc. Outros estão a espera que alguém lhes leve a mensagem da salvação. (Le¬de Hb 13.3.) 3.7. Aproveitando as ocasiões Pessoas atingidas por infortúnios, desgraças, ca¬tástrofes, etc, ouvindo do poder salvador de Cristo, poderão render-se a Ele. Quando uma pessoa acha-se no centro de tais acontecimentos, esvaem-se-lhe a vaidade, o egoísmo, os pontos de vista, os pre¬conceitos, etc. Numa situação assim, o Evangelho deve ser indicado como a felicidade eterna. Há pessoas que em situações normais não dão qualquer importância ao assunto da salvação, mas atingidas pela adversidade, tornam-se receptivas. Muitos têm sido salvos em tais circunstâncias. Por exemplo: ali está um homem morrendo sem salva-ção. Ele treme ao enfrentar a eternidade sem Deus. Em tais momentos o testemunho de Jesus pode ser vital e decisivo. Quantos já estão na glória, tendo sido salvos nos últimos momentos de vida? O mal¬feitor ao lado de Cristo, foi salvo assim (Lc 23.42,43). Momentos de decisões importantes tam¬bém são ocasiões próprias para se falar de Jesus. 4. COMO DEVEMOS EVANGELIZAR Para começar, o ganhador de almas tem de ter experiência própria da salvação. É um paradoxo al¬guém conduzir um pecador a Cristo, sem ele pró¬prio conhecer o Salvador. Isto é apontar o caminho do Céu sem conhecê-lo. Quem fala de Jesus deve ter experiência própria da salvação. (Ver Sl 34.8 e 2 Tm 1.12.) 4.1. O uso da Palavra de Deus e seu estudo cons¬tante (2 Tm 2.15) Este é um dos fatores do crescimento espiritual e da prática de ganhar almas. Estando nosso cora¬ção cheio da Palavra de Deus, nossa boca falará dela (Mt 12.34). É evidente que o ganhador de al¬mas precisa de um conhecimento prático da Bíblia; conhecimento esse, não só quanto à mensagem do Livro, mas também quanto ao volume em si, suas divisões, estrutura em geral, etc. Sim, para ganhar almas é preciso “começar pela Escritura” (At 8.35). Aquilo que a eloqüência, o argumento e a per¬suasão humana não podem fazer, a Palavra de Deus faz, quando apresentada sob a unção do Espí¬rito Santo. Ela é qual espelho. Quando você fala a Palavra, está pondo um espelho diante do homem. Deixe o pecador mirar-se neste maravilhoso espe¬lho! Assim fazendo, ele aborrecerá a si mesmo ao ver sua situação deplorável. Está escrito que “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Através da poderosa Pala¬vra de Deus, o homem vê seu retrato sem qualquer retoque, conforme Is 1.6. No estudo da obra de ga¬nhar almas, há muito proveito no manuseio de li¬vros bons e inspirados sobre o assunto. Há livros deste tipo que focalizam métodos de ganhar almas; outros focalizam experiências adquiridas, o desafio, o apelo e a paixão que deve haver no ministério em apreço. A igreja de Éfeso foi profundamente espiri-tual pelo fato de Paulo ter ensinado a Palavra ali durante três anos, expondo todo o conselho de Deus (At 20.27-31). Em Corinto ele ensinou dezoito me¬ses (At 18.11). Veja a diferença entre essas duas igrejas através do texto das duas epístolas (Coríntios e Efésios). 4.2. Uma vida correta Paulo evangelizando pessoalmente a Félix, o go¬vernador da Judéia, disse: “Procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (At 24.16). A consciên¬cia nos seus dois lados – para com Deus e para com os homens – deve estar limpa. Muitos crentes têm sido desaprovados por Deus por falharem nesta parte. Trabalham à toda força e frutos não há. Perguntam: “Por que não há frutos no meu trabalho?” As Escrituras respondem em Is 52.11. Davi com-preendia que o pecado é um impedimento à conver¬são dos pecadores (Sl 51.2-13). Consideremos aqui os seguintes textos: - 1 Pe 1.15 – Aqui a santidade é requerida em to¬das as maneiras de viver. - Fp 1.27 – Mostra que a nossa conduta deve ser conforme o Evangelho. - Rm 12.1,2 – O ensino aqui é que não devemos ter uma vida conformada com o mundo. O povo de Deus deve caminhar o mais possível distante do mundo. Certo patrão estava examinando um grupo de motoristas, a fim de selecionar um deles para ficar como empregado de sua firma. A certa altura do teste, surgiu a seguinte pergunta dele: “Se vocês fossem por uma estrada, beirando um precipício, qual seria a menor distância a que chegariam da beira do abismo, respeitando os limites de seguran¬ça?” Os motoristas querendo demonstrar habilida¬de e experiência, foram dizendo: “um metro”, “me¬nos de um metro”, “meio metro”. Nenhuma res¬posta agradava o patrão até que um deles disse: “Eu caminharia tão longe quanto possível do pre¬cipício”. Este candidato foi aceito para o emprego. Assim deve ser também na vida espiritual… O des¬crente não lê a Bíblia, mas lê a vida do crente, que de fato deve ser uma Bíblia aberta! (2 Co 3.2). 4.3. Aprendendo com o supremo ganhador de al¬mas – Jesus (Mt 4.19) Em sacrifício, amor, serviço e métodos na obra de ganhar almas, Jesus é o nosso perfeito exemplo. Entre os diversos casos de evangelização pessoal do Senhor Jesus, abordaremos um – o da mulher samaritana, em João cap.4. Se seguirmos os passos de Jesus para ganhar a samaritana, muito aprendere¬mos quanto à evangelização pessoal. Em seu minis¬tério, inúmeras vezes Jesus pregou a milhares de ouvintes; entretanto, um dos seus mais belos ser¬mões – o de João cap. 4 -, foi proferido perante uma só alma. Isto revela também a importância do tes¬temunho pessoal. Noutra ocasião, Jesus dirigiu um extenso estudo bíblico para dois discípulos (Lc 24.27). Sigamos, pois, os passos do Senhor ao ganhar a samaritana: 4.3.1.Ter amor, espírito de sacrifício (vv. 4,6,8). O v.4 fala de sacrifício; o v.6, de cansaço; e v.8, de necessidade (fome). Tudo por causa duma alma perdida. É interessante notar que Jesus estava can¬sado da viagem (v.6), mas não do trabalho. O ga¬nhador de almas deve estar possuído de ardente amor e compaixão pelos perdidos. O apóstolo Paulo tinha a mesma paixão (Rm 9.2,3). 4.3.2.Ir ao encontro do pecador (v.5). Notai como o Senhor Jesus foi do geral ao particular: primeiro, à província de Samaria (v.4), depois à cidade de Sicar (v.5), e por último à fonte de Jacó, para onde a mulher deveria vir (v.6). Jamais deveremos esperar que os pecadores venham ao nosso encontro. Jesus mostrou, em Mt 4.19, que a obra de ganhar almas é comparada a uma pescaria espiritual. O pescador tem de colocar-se no local da pesca, se quiser apanhar peixes. Noutras passagens da Bíblia encontramos o mesmo ensino, como em Lc 15.4. O profeta Ezequiel, conduzido pelo Espíri¬to Santo, foi até os cativos do seu povo e sentou-se entre eles (Ez 3.14,15). 4.3.3.Paciência (v.6). Diz o texto: “Assentou-se”. Assim fez, esperando pelo pecador. (Ler At 17. 2.) 4.3.4.Entrar logo no assunto da salvação (v. 7). Há sempre uma porta aberta para se falar da salvação. No caso da samaritana, o assunto do mo¬ mento era água e sede, e logo Jesus falou da água da vida que sacia a sede da alma. Vemos um caso idêntico em Atos capítulo 8. Aí o assunto era leitura e logo o servo de Deus iniciou a conversa com uma pergunta também sobre leitura (v.30). Em João, capítulo 2, quando Jesus conversava com Nicodemos, talvez soprasse uma brisa, e logo Ele usou o vento como figura (v.8). 4.3.5.Ficar a sós com quem está falando (v. 8). Quando alguém estiver falando com um peca¬dor a respeito da salvação, evite perturbá-lo, a me¬ nos que seja convidado. 4.3.6. Deixar os preconceitos raciais ou sociais (vv.9,10). Jesus veio desfazer todas as barreiras que impe¬dem a perfeita relação entre Deus e o homem, e en¬tre este e seu semelhante. Os preconceitos têm cau¬sado grandes males na sua ação destruidora de se¬parar, ao passo que Jesus veio unir (Ef 2.11-22). 4.3.7. Não se afastar do assunto da salvação (vv.9-13). No v.9, a mulher alega o problema do preconcei¬to. No v.12, Jesus volta ao assunto inicial: água, mas agora água da vida. Nos w.11,12, a mulher apresenta dificuldades. Nos w.13,14, Jesus volta ao assunto inicial: salvação. Resultado: no v.15 já há na pecadora um certo grau de interesse. 4.3.8.Fazer ver ao ouvinte que ele é pecador (v.16). Jesus sabia que a samaritana não tinha marido, mas para motivar uma declaração dela, disse-lhe: “Chama o teu marido e vem cá”. Muitos pecadores não se podem salvar porque não querem reconhecer que são pecadores e muito menos perdidos. 4.3.9. Não atacar defeitos, nem condenar (v. 18). Isto não quer dizer que vamos bajular alguém ou concordar com sua vida ímpia e pecaminosa. 4.3.10. Evitar discussão (vv.20-24). Não permi¬tir que a conversa degenere em discussão. No v.20, a mulher aponta o fato de os judeus desacreditarem na religião dos samaritanos. É costume também o pecador apontar falhas nas igrejas e nas vidas de certas pessoas crentes. Isto mostra que tais ouvin¬tes, em lugar de olhar para Cristo, estão atrás de igrejas e pessoas. O alvo perfeito é Cristo (Hb 12.2).Crentes errados darão conta de si mesmos (Rm 14.12). Diz uma autoridade em Relações Humanas: “Você nunca vencerá uma discussão. Se perder, perdeu mesmo, e se ganhar perdeu também, por¬que um homem convencido contra a vontade, con¬serva sempre a opinião anterior. Quem perde numa discussão fica ferido no seu amor próprio”. 4.3.11. O sexo influi, às vezes (v.27). O ideal é falar com pessoas do mesmo sexo, sem contudo fa¬zer disso uma lei. É provável que se uma mulher falasse à samaritana, talvez não prendesse tanto a sua atenção. Outros exemplos de Jesus evangelizando pes¬soalmente: a) Jesus e Nicodemos (Jo 3.1-21). b) Zaqueu, o publicano (Lc 19.1-28). c) O cego Bartimeu (Mc 10.46-52). d) O malfeitor na cruz (Lc 23.39-43). e) O doutor da lei (Lc 10.25-37). f) O jovem rico (Mt 19.16-30). g) A mulher adúltera (Jo 8.1-11). h) A mulher enferma (Mc 5.25-34). i) A mulher siro-fenícia (Mc 7.24-30). j) O paralítico de Cafarnaum (Mc 2.1-12). 4.4. Ser cheio do Espírito Santo • Nos negócios puramente humanos, o homem pode ter êxito e promover o progresso. Isto acontece nas construções, nas indústrias, no comércio, na ar¬te, nas ciências, etc, mas no tocante à obra de Deus, só pode de fato haver avanço quando ela é acionada pelo Espírito de Deus. Ele é que comuni¬ca vida. Quando o trabalho do Senhor passa a ser dirigido exclusivamente pelo homem, torna-se em organização mecânica, fria e estéril. A Igreja de Deus, quando dinamizada pelo Espírito Santo, é de fato um organismo vivo, que cresce sempre para a glória de Deus. A ordem de Jesus à Igreja para pre¬gar o Evangelho está intimamente ligada à ordem para receber o poder do alto, como se vê em Lc 24.49; At 1.8. O poder de Deus faz a diferença. O apóstolo Pedro, fraco e tímido antes do Pentecoste, tornou-se coluna, após o revestimento de poder. Todo o crente nascido de novo tem em si o Espí¬rito Santo (1 Co 3.16), mas o poder glorioso para o testemunho e serviço de Cristo, vem com toda ple¬nitude aos servos batizados com o Espírito Santo (At 1.4,5,8; 2.1-4). Após o crente ter sido cheio do Espírito Santo é preciso permanecer cheio sempre (Ef 5.18). Aí não se trata de um convite divino, mas de uma ordem. 4.5. É preciso orar sempre (Ef 6.18,19) A oração abre portas e remove barreiras. Ela é o meio de comunicação com Deus. A Igreja nasceu quando em oração, e é nesse ambiente que ela cres¬ce e se desenvolve (At 1.14). Pedro estava orando quando Deus o usou para a salvação de Cornélio, seus parentes e amigos (At 10). (Ver Sl 126.6; At 20.31.) É mais fácil falar ao pecador sobre Deus, depois que falamos com Deus sobre o pecador… 4.6. Fé na operação da Palavra de Deus. Quando falamos a Palavra de Deus, precisamos confiar no seu autor. À nós crentes compete anun¬ciar a Palavra; a Deus, operar. Aquele que disse “I-de por todo o mundo”, também disse “Eis que es¬tou convosco”. Devemos falar a Palavra com plena convicção de que é o poder de Deus para salvação de todo o que crê (Is 55.11; Rm 1.16). Há pecadores que aceitam a mensagem da sal¬vação com toda a simplicidade, outros não. Se o ir¬mão está procurando levar uma alma a Cristo, nun¬ca desanime. Certo irmão sueco orou 50 anos para Jesus salvar determinada pessoa, e viu-a aceitar o Salvador. O Dr. R. A. Torrey, célebre ganhador de almas, orou 15 anos por uma pessoa, e esta veio a crer em Jesus. Os homens que conduziam o paralítico de Lucas cap.5 só conseguiram chegar à pre¬sença de Jesus, subindo ao eirado, o que não era muito fácil. Mas não desanimaram. Isto é perseve¬rança. Às vezes é preciso um esforço assim. Qual¬quer caso, mesmo os piores, acham solução no Se¬nhor Jesus. Para Deus nunca houve impossíveis. Ele é especialista nisso! Portanto, é preciso anun¬ciar a Palavra com plena confiança na sua divina ação. Quando você estiver falando de Jesus, ore em espírito para que Deus honre a Palavra dele e mani¬feste o seu poder salvador.
  4. 4.7. É preciso amor Fé e amor andam juntos na evangelização. Quaisquer outros recursos serão meros paliativos, como relações humanas, sociologia etc. Jesus foi a personificação do amor. Ele salvou os pecadores amando-os até o fim (Jo 13.1). Sua posição ao mor¬rer de braços abertos na cruz é a expressão máxima do amor. Ali, num gesto de infinito alcance, Ele uniu os dois povos com seus braços acolhedores (ju¬deus e gentios). 4.8. A apresentação pessoal Cuide disso. Sua aparência é importante, como é importante a mensagem que você leva. Deus pode usar quem Ele quiser e o que Ele quiser, até uma queixada de jumento, como no caso de Sansão, mas quanto à sua aparência pessoal, irmão, fica a seu critério. Cuide de sua apresentação, mas sem exa¬gero. Roupa passada, gravata no lugar, limpeza ge¬ral, inclusive das unhas; barba bem feita, cuidado com o hálito. O traje deve ser modesto, decente e de bom gosto. Um traje mundano, imoral e indecente não é próprio do cristão; pode atrair o povo, mas não para Cristo. Não permita que seu traje seja mo¬tivo de atração para os ímpios, desviando, assim, a atenção a Cristo. Diz a Palavra de Deus no Sl 103.1: “Tudo o que há em mim bendiga o seu santo no¬me”. 4.9. O uso da fala (1 Co 14.9) Ao ler a Bíblia ou falar ao pecador, procure evi¬tar solecismos prosódicos, observando a pronúncia correta das palavras, o que inclui todas as suas le¬tras. Evite o pedantismo a todo o custo, porque logo será descoberto. Pedantismo é falsa cultura. Na pronúncia da língua portuguesa atente para a acentuação, entonação e pontuação. Uma dicção exata impõe-se e dá destaque. Jesus certamente observava bem estas regras. O correto emprego das palavras é também muito importante. Por exem¬plo, nunca dizer “verso” em lugar de “versículo”, quando referir-se às divisões dos capítulos da Bíblia o certo é “versículo”. Jesus ensinou seus discípulos a orar, mas não a pregar, porque aprender a falar e pregar é tarefa nossa. Jesus unge a mensagem e opera por meio de¬la. Por meio da oração buscamos o Senhor para que Ele inspire e ilumine a pregação. O que é para o ho¬mem fazer. Deus não executa. (Ver Jo 11.39.) Um auxiliar valioso para a grafia e pronúncia correta dós nossos vocábulos é o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, edição de 1981. O meio ambiente de pessoas cultas também in¬flui poderosamente na boa formação lingüística e cultural. O apóstolo Paulo nunca desprezou os li¬vros (2 Tm 4.13). É de grande valor o estudo de bons livros, como concordância, dicionários, gra¬máticas, manuais doutrinários, etc. 4.10. O manuseio prático da Bíblia É muito importante o pleno desembaraço no manuseio do volume sagrado. Isto significa saber onde estão as passagens necessárias e localizá-las no volume sagrado com rapidez. É imperioso co¬nhecer a abreviatura de cada livro. Como já foi di¬to, este curso de evangelismo pessoal adota o siste¬ma mais simples de abreviar os livros da Bíblia: apenas duas letras para cada livro, sem ponto abreviativo. Há outros sistemas, mas esse é o mais simples. Nunca cite um versículo incompleto ou de ma¬neira duvidosa. Isso compromete. Também nunca acrescente ou subtraia palavras do texto bíblico, mutilando-o. Quanto a isso. é bom atentar para a advertência de Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5,6; Ap 22.18,19. Neste curso temos de memorizar muitos textos da Palavra de Deus. Se isso parecer difícil ou im¬possível, lembremo-nos de Fp 4.13. 4.11. O uso de folhetos e literatura em geral Nunca distribua nada sem primeiro ler para si. Há um provérbio que diz: “Nem tudo que brilha é ouro”. Ande sempre munido de porções impressas da Palavra de Deus: folhetos, revistas, Novos Tes¬tamentos. Bíblias completas ou porções dela. Há ocasiões em que não se pode falar nem ingressar em determinados lugares, mas a Palavra de Deus pode fazer tudo isso. Milhares já foram salvos pela men¬sagem impressa. Distribua a mensagem conforme a situação do momento. O agricultor, quando semeia, escolhe a semente antes de lançá-la ao solo; ele assim faz porque os terrenos são diferentes. Também se pode evangelizar por meio de cartas pessoais. Neste caso, as car¬tas devem sempre ser manuscritas, a fim de condu¬zir o toque pessoal. Na Bíblia temos muitas mensa¬gens em forma epistolar. 5. RESULTADO DE EVANGELIZAR Aqui estão algumas das bênçãos resultantes da evangelização pessoal: 5.1. Crescimento da obra do Senhor Quem ganha almas está ajudando a edificar a Igreja. Ela na Bíblia é comparada a um edifício que se completa pela edificação. A igreja no seu iní¬cio, cresceu depressa porque os crentes evangelizavam sem cessar. Isto é visto nos primeiros oito capí¬tulos do livro de Atos, que é o livro histórico da Igreja. Uma igreja local que possui um grupo de crentes cheios de zelo e paixão pelas almas crescerá sempre. E se toda uma igreja for despertada para evangelizar o crescimento será tal, que despertará uma região, um estado, um país e mesmo o mundo. 5.2. Maior paixão pelas almas Isso tem acontecido com os servos de Deus atra¬vés dos tempos. Por exemplo, Paulo – o grande ga¬nhador de almas, após 25 anos de labor constante, sua paixão pelos perdidos era tal, que exclamou certa vez: “Tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos” (Rm 9.2,3). Tal amor e paixão pelos perdidos não encon¬tra palavras para descrever-se. 5.3. Fortalecimento na fé Nossa fé é fortalecida quando testemunhamos Deus cumprir sua Palavra. É maravilhoso e edifi¬cante ver como Deus cumpre o que está escrito no que tange à salvação das almas, quando as condi¬ções exigidas por Ele são satisfeitas. Paulo di¬zia com confiança nesse sentido: “Não me envergo¬nho do evangelho” (Rm 1.16). Isto significa que por onde quer que ele falasse a Palavra, Deus confirma¬va a pregação com salvação de pecadores e demais bênçãos. 5.4. Estímulo a outros irmãos A prática de ganhar almas e as bênçãos daí de¬correntes estimulam outros a se renderem ao Se¬nhor para que Ele os use de igual modo. Crentes in¬flamados pela salvação dos pecadores transmitem influência aos descuidados e indiferentes.Tendo apreciado o porquê, quando, onde, como e os resultados da evangelização dos pecadores, peca¬mos a Deus que nos revele e ajude a deixar tudo aquilo que impede a nossa participação efetiva na evangelização das almas perdidas, e que Ele derrame sobre nós o seu Espírito, dotando-nos, assim, de poder para a tarefa de evangelizar e ganhar os per¬didos para Ele. Que Ele nos faça homens e mulhe¬res segundo o seu coração.Você, irmão, está sinceramente disposto a orar assim? Oh! que Deus desperte seu povo enquanto é tempo de falar aos perdidos, do seu amor e da sua salvação, antes que entrem no Inferno! QUESTIONÁRIO 1. Cite três razões por que devemos evangelizar, conforme o estudo do presente capítulo. Dê refe¬rências bíblicas. 2. Cite duas razões por que devemos evangelizar agora, conforme o estudo do presente capítulo. 3. Cite cinco lugares onde podemos ganhar almas individualmente. 4. Cite as cinco primeiras divisões do ponto “como devemos evangelizar”. 5. Cite três exemplos de Jesus evangelizando indi¬vidualmente. 6. Qual o capítulo inteiro da Bíblia (por nós focali¬zado), onde Jesus aparece evangelizando um pe¬cador. 7. Cite mais três exemplos de Jesus evangelizando pecadores individualmente, conforme foi estuda¬do. 8. Cite três resultados da evangelização pessoal dentre os estudados. 3 Como entrar no assunto da Salvação Com que palavras ou de que maneira podemos nos dirigir ao pecador, ao iniciar o assunto da salva¬ção? Há quatro fatores que determinam isto: 1. O tempo disponível 2. O local 3. As circunstâncias 4. Os tipos de pessoas A melhor maneira de aprender a entrar no as¬sunto é praticando. O maior erro de todos é deixar passar a oportunidade e não tratar do assunto da salvação. Estudemos um por um, os quatro fatores que determinam a entrada no assunto da salvação: 1. O TEMPO DISPONÍVEL 1.1. Quando há muito tempo Havendo muito tempo, é mais interessante e proveitoso travar primeiro conhecimento e ganhar a confiança da pessoa, antes de entrar no assunto. Isto levará pouco tempo. Seja como for, é bom atender para Tg 4.14. 1.2. Quando há pouco tempo Num transporte na cidade ou em situação se¬melhante, em que o tempo é reduzido, e provavel¬mente não veremos a pessoa outra vez, o melhor é entrar logo no assunto. Às vezes o próprio pecador, ao mencionar um acontecimento, fornece o tema para a entrada no assunto. É melhor entrar no as¬sunto assim, de modo natural, do que nós mesmos darmos origem. 1.3. Quando há um mínimo de tempo Em situações em que não é possível falar senão algumas palavras, pode-se dar início ao assunto por meio dum folheto, jornal ou porções das Sagradas Escrituras. Quantos têm sido salvos por meio da página impressa, e, de modo especial, as Escritu-ras? Os folhetos deverão levar o carimbo com ende¬reço da igreja. Devem ser examinados primeiro. É evidente que em qualquer desses casos é pre¬ciso orar e ter a direção do Espírito Santo. Deus tem interesse nesse tipo de trabalho e nos conduzi¬rá devidamente. Nunca, irmão, perca a oportunidade, mesmo tendo um mínimo de tempo. Os fatos revelam que em cada minuto que passa, pessoas morrem sem salvação! Isto dá 9.000 por hora e 216.000 por dia. 2. O LOCAL Exemplos: 2.1. Passando próximo a festas e outros locais de diversão Mostrar que a vida aqui é passageira e que bre¬ve estaremos na presença do nosso Criador. O mundo passa e seus prazeres também. Ao findar a vida aqui, iremos prestar contas a Deus. O gozo terrestre é efêmero. Textos: Ec 11.9; 12.1; Jo 14.17; Rm 14. 12; Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17. 2.2. Num hospital, ou local semelhante Podemos entrar no assunto falando do Médico Divino que cura a doença da alma – o pecado pior, sem comparação, do que a doença do corpo. Mos¬trar que o preço dessa cura Ele já pagou por nós. Textos: Sl 103.3; Is 53.5; Mt 6.33; Lc 5.17-26. 2.3. Na igreja, na hora do culto Podemos convidar, conduzir à frente, etc. Numa hora dessa devemos ter toda prudência para não perturbar o culto nem o pregador. Uma per¬gunta muito costumeira é: “O Sr. já pensou em aceitar Jesus como seu Salvador?” Nunca se deve perguntar “O Sr. já é crente?” Uma pessoa pode ser crente em vários sentidos. Outra coisa que podemos fazer durante o culto é orar pelo pregador e pelos pecadores, para que Deus opere em ambos. Na hora do apelo, muitos não têm coragem de se manifestarem, apesar de sentirem a chamada de Deus para a salvação. Numa hora des¬sas, Deus pode guiar-nos a tais pessoas e ajudá-las, assim como dirigiu o evangelista Filipe na estrada deserta de Gaza. Para que Deus nos use assim, é preciso estarmos conforme Is 6.8b. 3. AS CIRCUNSTÂNCIAS As circunstâncias e fatos do momento à nossa volta servem para introduzir o assunto da salvação. Exemplos: 3.1. A natureza ao redor, isto é, montanhas, mar, céus. Podemos começar declarando que Deus fez isso para a sua glória e para o bem do homem (Gn 1.26,28; Sl 19.1). 3.2. A falta de tempo que todo mundo reclama. Podemos começar declarando que Deus deve ter toda prioridade do nosso tempo, e que o assunto da salvação não deve ser adiado, porque quando Ele nos chama para a outra vida, não podemos dizer não. Textos: Is 55.6; Jr 8.20; Am 4.12; Mt 25.10-12. 3.3. Se o assunto é o espantoso progresso da Ciência, podemos começar dizendo que isto é sinal do fim dos tempos, segundo a Palavra de Deus. Textos: Dn 12.4; Lc 21.11. 3.4. As catástrofes que acontecem cada vez mais amiúde aqui e ali, como tufões, inundações, terre¬motos, epidemias, etc. Também são sinais do fim e avisos de Deus, dado o aumento do pecado na face da terra. Textos: Jl caps. 1 e 2. 3.5. O estado de tensão, guerra fria (e quente), inquietação, levantes, greves, tumultos pelo mundo afora. Perigos de guerra atômica e suas conseqüên¬cias imprevisíveis. Podemos falar de Cristo – o abri¬go seguro e eterno contra todos os perigos e incerte¬zas. Textos: Sl 91; 94.22; 121; Jo 14.1. Podemos mostrar que a paz vem pela justiça (Is 32.17). 3.6. Em ambiente de tristezas e dificuldades, podemos afirmar que, para os fiéis do Senhor, isso breve findará e entrarão no gozo eterno com o mes¬mo Senhor. Textos: Rm 8.18-23; Ap 7.15-17. 3.7. Em caso de morte ou falecimento, podemos afirmar que para os que estão com Cristo, a morte é o outro lado da vida – e de uma vida melhor. Tex¬tos: Jó 19.25,26; Lc 16.22,23; Fp 1.21-23. 3.8. Em caso de morte repentina, inesperada, podemos falar sobre a necessidade de se estar pre¬parado para encontrar o nosso Criador a qualquer instante. Textos: 1 Sm 20.3; Am 4.12; Mt 25.10; Lc 12.20. 3.9. Se o assunto é política em geral, podemos falar do Rei dos reis e Senhor dos senhores, que em breve reinará com justiça e paz perfeita. Textos: Is 9.6; 11.1-9; Jr 23.5; Lc 1.32,33; Ap 19.15,16. 4. OS TIPOS DE PESSOAS São três os tipos ou classes de pessoas com que temos de tratar: - Não-crentes - Crentes - Desviados Estes tipos ou classes de pessoas são um dos fa¬tores que determinam a maneira de entrarmos no assunto da salvação. Vejamos cada um. 4.1. Os não-crentes 4.1.1. Os que não conhecem o Evangelho. Se são pessoas sinceras, brandas, gentis e que sinceramen¬te desejam ser salvas, use o “Plano da Salvação” no capítulo seguinte deste curso. Mais alguns textos: Is 55.6; Jo 7.37; Hb 7.25; Ap 22.7. Se são pessoas in¬diferentes, despercebidas, desinteressadas, cheias de desculpas, zombeteiras, religiosas ou opostas à religião, podemos começar mostrando-lhes que: - A vida pecaminosa conduz à condenação eter¬na. Textos: Mt 7.22,23; Rm 6.23; 1 Co 6.9,10; Ap 21.8. - Que Deus os ama apesar de seus pecados. Mi¬lhões de descrentes fogem do Evangelho porque fi¬cam convencidos de que Deus não os ama, antes os odeia. Sabemos que isso procede do Diabo. Se qual¬quer ser humano perguntar “Deus me ama?”, Deus responde apontando para seu Filho morrendo no Calvário por todo mundo. Textos: Jo 3.16; Rm 5.8. - O resultado final de persistir no pecado. Pode¬mos ver isso em Rm 2.4,5; 6.23; Tg 1.15. 4.1.2. Os que conhecem o Evangelho, isto é, co¬nhecem, mas não sáo salvos. São os freqüentadores de igrejas; os que têm o Evangelho apenas como uma religião e nada mais. São crentes nominais. Preci¬sam levar a sério Lc 13.3; Jo 3.5; At 3.19. Neste gru¬po estão os filhos de crentes, bem como pessoas nascidas e criadas em ambiente ou lar cristão, mas não nascidas de novo. Não sabem se estão salvas. Sabe o leitor se está salvo mesmo? (1 Jo 5.19). Para tratar com uma pessoa assim, que conhece o Evangelho mas não é convertida, é mais interes¬sante fazer primeiro amizade com ela e ganhar sua simpatia, e, então, com intimidade, falar da salva¬ção de sua alma. Isto tem aplicação especial aos fi¬lhos de crentes, não convertidos. Normalmente, pessoas como as que acabamos de mencionar costu¬mam dizer, quando alguém lhes fala do Evangelho: “Conheço a Bíblia, a igreja e os crentes, e quando eu quiser, serei crente”. Outras se aborrecem, reti¬ram-se ou procuram evitar que alguém lhes fale do Evangelho. Por isso, é melhor conquistar primeiro sua simpatia antes de falar-lhes. 4.2. Os crentes O evangelismo pessoal entre crentes salvos tem aspecto um pouco diferente. É tão-somente assis¬tência e auxílio espiritual através das Escrituras. Mais uma vez é preciso conhecermos devidamente o Livro Sagrado para que o Espírito Santo use o texto que Ele quiser. Isso pode acontecer de várias maneiras. Às vezes o crente enfrenta lutas, provações, so¬frimentos, tentações, correções, etc. São casos como o de José, o filho de Jacó; os de Jó, Jeremias, Paulo, Abraão e muitos outros. Ao visitarmos um crente assim, não é um texto qualquer que vamos ler, mas o adequado para o caso. A Bíblia tem men¬sagens para cada caso, seja qual for. Conhecendo a Bíblia e agindo na dependência do Espírito Santo, tudo nos irá bem. Há pessoas que, ao verem qual¬quer adversidade na vida dum servo do Senhor, a única coisa que sabem dizer é que há pecado ou que ele está pagando o que deve. Observe a gentileza de Jesus para com os sofredores em Mt 12.20. Adiante trataremos mais a fundo dos textos apropriados para tais circunstâncias, mas aqui estão alguns: Sl 50.15; 72.12-14; 91.15; Jo 16.33; Fp 1.2; Cl 1.24; 1 Pe 1.6,7; 5.8-10. Observe o conforto que Jônatas le-vou a Davi, em 1 Sm 23.16. 4.3. Os desviados Estes são os que, uma vez salvos, deixaram o ca¬minho do Senhor. Se eram membros da igreja, fo¬ram disciplinados. Nessa situação, ficam sem co¬munhão com a igreja. Se não eram membros, estão sem comunhão com o Senhor da mesma maneira. Pode haver casos de exclusão ilegal, como em 3 Jo vv. 9,10. Para tratar com tal classe de pessoas, é de mui¬ta importância procurar saber primeiro a causa de se desviarem. Aqui estão alguns dos motivos: a. Não terem recebido a devida orientação espi¬ritual (Ez 34.5,6). b. Manterem amizade e comunhão com incré¬dulos (2 Cr 19.2; 1 Co 15.33; 2 Co 6.12-17; Tg 4.5). c. Vida espiritual superficial (Lc 8.13). Crentes assim, ofendem-se por qualquer coisa; aprendem a se queixar de tudo, e escandalizam-se ao verem maus exemplos ou quando fatos e acontecimentos transcendem sua compreensão. Exemplo: At 7.52, 60; 12.2. d. Desobediência consciente à Palavra de Deus (Pv 4.6). Se isso continuar, a queda não demorará muito. A desobediência cega a visão espiritual. Um crente assim, vê o mal nos outros, mas não o vê em si próprio. e. Exaltação ao ser abençoado, e esquecimento de Deus. Há muitos que, ao serem abençoados nos negócios e nas coisas materiais, atribuem tudo isso aos seus esforços e capacidade, e não à bênção de Deus. Exemplo: o rei Uzias (2 Cr 26.14-16). f. Viver vazio e seco espiritualmente. Uma casa, sem habitantes, logo se torna abrigo de insetos, ani¬ mais e sujeira. O mesmo acontece com a vida espi¬ritual. O Diabo sempre tem material para encher quem anda vazio. Há um provérbio que diz: “Uma vida vazia é oficina do Diabo”. (Lede Lc 11.24 e Ef 5.18.) g. Falta de discernimento e percepção espiri¬tual. Exemplo: Jo 6.66-69. h. Encanto, admiração e apego pelo mundo e suas coisas pecaminosas (Tg 4.4-6; 1 Jo 2.15; 5.19). Quanto aos desviados, há duas classes: Os que têm saudade, desejam voltar, oram e ficam comovi¬dos quando se lhes fala a Palavra de Deus, enfim, continuam com a mensagem do Evangelho no cora¬ção. Nesse grupo estão os melindrados, queixosos, feridos, escandalizados, para os quais necessitamos muita graça, tato e paciência para tratar com eles. (Vide Pv 18.19.) Para desviados como os acima des¬critos podemos mostrar: 1) O caminho de volta para Deus (2 Cr 7.14; Is 55.7). 2) O grande amor de Deus para com os desviados (Is 43.23-25; Jr 3.22; Ez 18.23.30-32; Os 14.1-4; Lc 15.32). 3) Exemplos de como Deus aceitou outras pes¬soas na mesma situação, mostrando a sua miseri¬córdia e amor: - O apóstolo Pedro (Mc 16.7). - Manasses (2 Cr 33.2,12,13). Se o desviado clamar, Deus o ouvirá (Dt 4.29,30; Lm 3.31,32,55-57; Jn 2.1,2). Aqui em Lm 3.31, devemos compreender que não existe o que chamam de “rejeição divina”. Em Gl 5.4, “cair da graça” significa o homem rejeitar o princípio da justificação, que é unicamente pela fé. (Lede o con¬texto do dito versículo.) A outra classe de desviados compreende os indi¬ferentes, os insensíveis, os blasfemos, os apóstatas. Para esses, só a misericórdia de Deus. Podemos fa¬lar-lhes perguntando: - Que falta o Sr. encontrou em Deus para aban¬doná-lo? (Jr 2.5). - Em que tempo o Sr. vivia mais feliz: quando servia a Deus, ou agora quando o abandonou? (Sl 1.1; 119.1). Podemos também falar-lhes que: - a ira de Deus é contra os que voltam atrás (1 Rs 11.9); - não desprezem os avisos solenes de Deus (Os 4.6; Am 4.11,12). Vemos aqui que os filhos do des¬viado podem vir a sofrer. - O resultado de permanecer desviado (Jr 2.13,19; Ez 18.24; 2 Pe 2.20-22). Estude as referências bíblicas deste capítulo, de Bíblia aberta, e com oração diante de Deus, para que o Espírito Santo revele as profundezas do ensino nelas contida, e também para que Ele nos grave na memória para o seu uso. O capítulo seguinte trata da salvação da alma. É o capítulo central deste curso de evangelismo pessoal. QUESTIONÁRIO 1. Quais os quatro fatores que determinam a ma¬neira de entrarmos no assunto da salvação? 2. Cite a melhor maneira de aprendermos a tratar com os perdidos. 3. Como devemos proceder com relação ao tempo,quando temos muito, pouco ou um mínimo de tempo? 4. Dê exemplo de uma referência bíblica, realmente apropriada para qualquer das circunstâncias abaixo: - Hospital. - Locais de diversões. - Hora de culto. - A natureza. - O progresso da Ciência. - As catástrofes. - As guerras e os estados de tensão. - Tristezas e dificuldades. - Morte repentina. - Política. 1. Cite os três tipos de pessoas a quem havemos de falar a Palavra de Deus. 1. Cite uma referência realmente apropriada que usaria para: - Pessoas que desejam a salvação. - Crentes nominais ou de formação cristã, mas não salvos. - Crentes em angústia, provações, sofrimentos. 7. Cite três causas de desvio espiritual. 4 A salvação da alma Neste capítulo trataremos da salvação da alma. Considerando o assunto quanto à evangelização no sentido doutrinário e teológico, não é da alçada des¬te livro. - Que é a salvação?—É um extraordinário mila¬gre de Deus! Que falem os irmãos! (2 Co 5.17). Sal¬vação é mais que arrependimento; é mais que uma confissão de fé; é mais que ser membro duma igre¬ja. Trataremos primeiramente do pecado, pois sal¬vação infere perdição, que é ocasionada pelo peca¬do. Os homens sem Deus consideram o pecado como coisa inexistente ou de somenos importância, mas a Palavra de Deus descreve-o como realmente ele é. 1. O PECADO O que é o pecado. a. Ê transgredir a lei de Deus (Sl 51.1; Lc 15.29; 1 Jo 3.4 ARA).Sendo o pecado uma transgressão, é uma rebe¬lião contra Deus. Em suma, é o homem fazer sua própria vonta¬de. b. É toda injustiça (1 Jo 5.17). Isto é, tudo aqui¬lo que não é reto segundo o padrão divino. c. É uma dívida para com Deus (Mt 6.12). Cada pecado cometido -é uma dívida contraída com Deus. Tal dívida o homem não pode jamais pagar. O homem, uma vez cometendo pecado contra Deus, não pode desfazer esse pecado. A sua única esperança está no lado divino – no perdão que obtemos de Deus mediante a morte viçaria de nosso Se¬nhor Jesus Cristo. d. Ê não cumprir com os deveres cristãos (Tg 4.17). Pecado não é somente praticar o mal; deixar de fazer o bem também é pecado. e. É não dar crédito a Cristo; não ter fé em Cris¬to (Jo 16.8,9). Não dar crédito a Cristo é um insulto a Deus que o enviou. f. É praticar coisas duvidosas (Rm 14.23). g. Ê errar o alvo verdadeiro (Rm 3.23). Um dos principais significados da palavra pecado (no origi¬nal gr. “hamartia”), é “errar o alvo”. De fato, o pe¬cado é um alvo que o homem acerta quando erra o alvo verdadeiro. O alvo certo é Deus e sua glória, mas, quando pecamos, erramos o alvo certo e fica¬mos separados de Deus. Só o perdão pelo sangue de Jesus pode restabelecer a comunhão com Deus. O homem foi criado para temer a Deus, adorá-lo e glorificá-lo, mas quando peca, erra esse alvo. Nota: O pecado pode ser por comissão ou omissão. 2. A UNIVERSALIDADE DO PECADO Os textos bíblicos que se seguem provam que to¬dos pecaram. Ninguém é excluído a não ser o Se¬nhor Jesus, porque apesar de ser o Filho do homem, é também o Filho de Deus. É Deus quem diz na sua Palavra que todos pecaram. Inúmeras pessoas não se podem salvar porque não querem reconhecer que são pecadoras e muito menos perdidas. Se o ho¬mem não reconhecer que é pecador, Jesus não po¬derá salvá-lo, pois Ele veio salvar pecadores. Textos que mostram a universalidade do peca¬do: Pv 20.9; Ec 7.20; Is 53.6; Mc 16.15; Rm 3.23; 5.12; 1 Jo 1.8,10. (Ver a palavra “todos” e “todo” nessas passagens.) Também Sl 51.5 e 58.3, mos¬tram que o homem não é pecador porque peca; ele peca porque é pecador por natureza. Estas passa¬gens revelam que o homem para errar não precisa de instrutor. 3. AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO a) Traz aflição e inquietação ao pecador (Is 48 22; Jr. 2.19; Lm 3.39). b) Interrompe a comunhão com Deus (Is 59.2). c) Escraviza o homem (Jo 8.34). d) Conduz à morte eterna, ou “segunda morte”(Rm 6.23). e) Exclui o homem do Céu – sua herança (1 Co 6.9). 4. TODOS NECESSITAM DE UM SALVADOR PORQUE TODOS PECARAM a. Sendo pecador, como todos são, deve o peca¬dor reconhecer isso (1 Rs 8.46). Isto foi dito por Sa¬lomão o homem mais sábio que já existiu. Quem pode contestar? Quem sabe mais? b. Sendo todos pecadores, estão todos sob con¬denação (Ez 18.4). c. O resultado de morrer no pecado (Rm 6.23). d. Como escapar da condenação? (Hb 2.3). e. Obras não podem salvar (Is 64.6; Ef 2.8,9; Tt 3.5). f. Só Jesus pode salvar (Jo 12.47; At 4.12; 1 Tm 1.15; Hb 7.25). 5. HOMEM NENHUM PODE SALVAR-SE A Sl MESMO a. Deus mesmo é a nossa salvação (Is 12.2; Jo 15.5; At 4.12). b. Tudo o que o homem fizer para salvar-se é debalde (Is 64.6). c. Os caminhos do homem não são os de Deus (Pv 14.12; Is 55.8). d. Somos salvos pela misericórdia de Deus; não por obras ou qualquer outra coisa que fizermos para merecer a salvação (Ef 2.8,9; Tt 3.5). Até a fé, me¬diante a qual recebemos a salvação, vem de Deus.Portanto, nem igreja, nem batismo, nem condu¬ta ou qualquer outra coisa pode salvar o homem, a não ser o Senhor Jesus Cristo. e. Só Jesus é o caminho para Deus (Jo 14.6). 6. DEUS MESMO JÁ PROVIDENCIOU A SAL¬VAÇÃO a. Deus deu seu bendito Filho como sacrifício pelo pecado (Jo 1.29; 3.16; 1 Jo 2.1). b. Jesus já morreu para salvar o pecador (Rm 5.8; 1 Co 15.3). c. Ele, ao morrer, levou sobre si os nossos peca¬dos (1 Pe 2.24). d. Esta salvação é gratuita. É por graça. Vem de Deus (Ef 2.8; Tt 3.5). 7. O PLANO DA SALVAÇÃO É de suma importância que o ganhador de al¬mas compreenda bem o plano ou caminho da salva¬ção, para poder explicá-lo claramente à alma que busca a Deus. O plano é simples, pois Deus afastou todas as dificuldades. Ele fez tudo em lugar do pe-cador. A parte que toca a este é apenas aceitar a salvação consumada. É como está escrito na pará¬bola das bodas: “Tudo já está preparado; vinde às bodas” (Mt 22.4). A Palavra de Deus afirma que todos pecaram e destituídos ficaram da glória de Deus (Rm 3.23). Deus, porém, na sua misericórdia, não quer que ninguém pereça (1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9), e proveu sal¬vação para todos que quiserem. Jesus morreu em lugar do pecador, levando sobre si o pecado do mundo (Is 53.6b; Jo 1.29; 2 Co 5.21; 1 Pe 2.24). Quem quiser pode agora ser salvo mediante o Se¬nhor Jesus Cristo (Mt 1.21; Lc 2.10,11; 19.10; Jo 3.16; At 10.43; Rm 10.13; Ap 22.17). O castigo do pecado, que era a morte (Ez 18.4), o Senhor Jesus levou em seu corpo no Calvário. 8. OS TRÊS PASSOS PARA O HOMEM OBTER A SALVAÇÃO: 8.1. Reconhecer que é pecador (Rm 3.23) O primeiro passo para a salvação é o homem re¬conhecer que é pecador. Esse passo é efetuado pelo Espírito Santo, ao ouvir o pecador a mensagem da salvação. (Ver Jo 16.7.8.) Esse reconhecimento do pecado é acompanhado de profunda tristeza, por ter a pessoa vivido no pecado até agora. (Ver At 2.37.) – “compungiram-se em seu coração”; 2 Co 7.10 – “a tristeza segundo Deus”.) 8.2. Confiar em Jesus como o seu Salvador (Jo 1.12; At 16.31) Aqui se trata de fé. Este é o segundo passo. “Crer”, no sentido bíblico, é confiar de modo abso¬luto, apoiando-se ou descansando plenamente sobre aquilo em que’se crê. Não é. como alguém pensa, um ato puramente do intelecto, mas de todo o seu ser interior. O requisito que Deus requer é crer. e nada mais. mas crer honestamente. Este se¬gundo passo para a salvação inclui em si o arrepen¬dimento (Mc 1,15; 2 Co 7.10). O pecador, ao sentir tristeza pelo pecado, e ajudado pelo Espírito Santo, decide mudar de vida. deixar o pecado e voltar-se para Deus. Arrepender-se é andar em sentido con¬trário àquele em que se vinha. 8.3. Confessar que Cristo é o seu Salvador (Rm 10.10b) Isto é a decisão em si (At 3.19b). Confessar é a pessoa declarar publicamente que aceitou o Salva¬dor. Após crer com o coração (segundo passo – Rm 10.10a), é preciso confessar ou declarar que agora é crente. Nesse momento o pecador confessa também a Deus os seus pecados, decidindo abandoná-los, e recebe o perdão (1 Jo 1.9). Portanto, o perdão de¬pende de arrependimento e confissão. Somente o homem reconhecer que é pecador e compreender que o Evangelho é a verdade de Deus para a salva¬ção nada adianta se ele não aceitar o Salvador, con-fessando-o publicamente. Não pode haver crente secreto, isto é, só de coração. Quem aceita a Jesus como seu Salvador tem logo um desejo intenso e es¬pontâneo de manifestar isso. Cada salvo sabe mui¬to bem disso por experiência. A obediência do pecador a estes três passos re¬sulta na salvação. Isso é infalível, operando a Pa¬lavra e o Espírito Santo. Crer em Jesus sem confes¬sá-lo é covardia. Confessá-lo sem crer é hipocrisia. 9. A IMPORTÂNCIA DO SANGUE NO PLANO DA SALVAÇÃO Muita gente não entende porque as Escrituras mencionam tanto os sacrifícios cruentos. Uns che¬gam até a dizer que o Evangelho é a “religião do matadouro”. Mas o derramamento de sangue tão enfatizado na Bíblia para expiar o pecado, tão-somente evidencia a hediondez deste e que o salário do pecado é a morte. Os sacrifícios do AT eram im¬perfeitos e não podiam expiar de vez o pecado, mas o Cordeiro de Deus – o Senhor Jesus Cristo, com seu sacrifício no Calvário, resolveu para sempre o problema do pecado. Em cada sacrifício do AT. o ofertante queria di¬zer o seguinte: a) eu pequei; b) eu mereço a morte; c) outro vai morrer em meu lugar. (Ler Lv 17.11; Mt 20.28; 2 Co 5.14.) Esses são pontos básicos con¬cernentes ao sangue, no plano da salvação. 9.1. “Sem derramamento de sangue não há re¬missão de pecados” (Hb 9.22 – 1 Pe 1.8,9). Somos remidos do poder do pecado pelo sangue de Jesus – o Cordeiro de Deus (Jo 1.29). 9.2. No Antigo Testamento, Deus deu o sangue de animais para fazer expiação pelas almas (Lv 17.11). Esse sangue sacrificial de animais tipificava o sangue de Cristo. Esses sacrifícios repetiram-se até que veio o perfeito sacrifício (Is 53.10). 9.3. O Senhor Jesus deu o seu sangue para a remissão dos pecados (Mt 26.28). Esse precioso sangue não só prove o perdão dos pecados cometidos, mas também a purificação do pecado congênito da nossa natureza humana (1 Jo 1.7-10). 9.4. E pelo sangue de Jesus que somos justifica¬ dos diante de Deus. Só desse modo é satisfeita a justificação requerida por Deus (Rm 5.9,10). Há muitas religiões e seitas que negam a eficácia do sangue de Jesus na redenção da humanidade. É evidente que são religiões e seitas falsas.

TRATANDO COM DESVIADOS

Há desviados por toda a parte. Há os que caí¬ram de vez, por tentação direta e laço do Diabo, e há os que esfriaram aos poucos até perderem todo o primeiro amor. Há ainda os que se desviaram por verem escândalos no meio cristão, por sofrerem in¬justiça ou ficaram melindrados. Outros não resisti¬ram às zombarias, aflições e perseguições por causa da fé. Há também os problemas domésticos que tanto desvio têm consumado. Esse povo precisa ser restaurado à comunhão com Deus. Uma excelente receita é 1 João 1.9. Aí, a Bíblia fala de pecados, não pecado. Trata-se de confissão detalhada a Deus das faltas cometidas, começando por onde se caiu (Ap 2.5). 4. TRATANDO COM NOVOS CONVERTIDOS Se a igreja cuidasse mais dos novos convertidos, ela seria muito maior. É oportuno lembrar aqui que a Igreja somos nós mesmos – eu e você que somos crentes. Há muito descuido e negligência nessa par¬te. O Evangelho tem dois lados: Ganhar almas e ensiná-las (Mt 28.19). O mesmo Senhor que disse: “Ide e pregai”, também disse: “e ensinai”. Estes dois lados do Evangelho precisam andar juntos pa¬ra que haja pleno sucesso. Cuida-se, em geral, da primeira parte, mas da segunda?! Todas as igrejas devem ter reuniões rápidas para os novos convertidos, após o término do cul¬to. Para isso o apelo deve ser feito em seguida à pregação. Há igrejas que, após o convite aos pe¬cadores, deixam os novos convertidos ajoelhados muito tempo, enquanto tratam de outros assun¬tos. Essa lacuna entre o convite e o trato com o pecador não faz bem. O tempo que os pecadores le¬vam ajoelhados daria para uma rápida reunião com todos eles, mediante obreiros previamente treina¬dos para isso. Além disso, cada igreja deve ter cul¬tos e classes de estudos bíblicos para os novos con¬vertidos. Na parábola do semeador, Jesus mostra que foi quando os trabalhadores dormiram que o inimigo semeou a falsa semente (Mt 13.25).. O novo crente necessita muito de ajuda, orientação e ali¬mento espiritual adequado (1 Pe 2.2). Nas palavras de Jesus a Marta: “Desligai-o e deixai-o ir” concernentes a Lázaro, que revivera (Jo 11.44), há uma ordem de Jesus à Igreja quanto aos novos convertidos que acabam de renascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Lázaro ressuscitou cheio de vida, porém, com as mãos e pés ligados e o rosto vendado. Isso é um quadro do novo convertido sem saber andar e sem visão espiritual para discer¬nir as coisas corretamente. Lembremo-nos de que, em Atos 12.10,16, o primei¬ro portão da prisão, o anjo abriu; o segundo, não. Este, Pedro podia abrir. O anjo não ia abri-lo. Salvar é com Jesus, mas “fazer discípulos” é com a Igreja. À igreja dos dias primitivos dava muita importância a esse ministério. Paulo e Barnabé, por exemplo, passaram um ano todo ensinando na igreja de Antioquia; quando de lá partiram deixaram substitu¬tos. Em Éfeso, Paulo ficou três anos ensinando os crentes ali (At 20.3). Em Corinto, um ano e seis me¬ses (At 18.11). Seja você assim também! Não largue o novo-convertido. Faça o serviço completo! Ore por ele. Assista-o. Ajude-o. Prossiga assim com o trabalho já começado. O novo convertido é uma criança na fé. É como um bebê. Precisa de atenção especial. Abandone uma criança ou deixe-a fazer o que jul¬gar certo, e veja o resultado… 4.1. A integração dos novos convertidos A integração dos novos convertidos deve ser parte integrante de qualquer esforço evangelístico em que haja decisões de pecadores. A finalidade da integração é a conservação dos resultados. Sem isso, quase todo o esforço será nulo. “Integrar” é unir, complementar, completar, introduzir, ajustar reciprocamente, identificar pro¬pósitos, incorporar num todo. 4.1.1. Integração, em evangelismo pessoal, ou em evangelismo em massa, é o trabalho pessoal e geral, realizado durante e após os resultados, visan¬do a: a. Integrar à igreja o novo convertido ou desvia¬do. b. Promover o discipulado do novo convertido. c. Estimulá-lo à frutificação espiritual. d. Guiá-lo à vida vitoriosa. A tarefa entregue por Jesus à Igreja, não é so¬mente a da salvação das almas, mas também a da edificação dos crentes. Ler e estudar os seguintes textos pertinentes: Mt 28.19 ARA (“fazei discípu¬los”); Jo 11.44; 1 Tm 2.4 ARA; At 9.27. 4.1.2. Ocasião da integração de novos crentes. a. No final dos cultos, em sala à parte, e em reu¬niões especiais para isso. Há necessidade de conse¬lheiros especialmente preparados para este impor¬tante trabalho. Crianças requerem conselheiros es¬peciais. O método mais eficaz é o pessoal. b. Programa de visitação sistemática. c. As Escolas Dominicais devem ter classes es¬peciais para novos convertidos. 4.1.3. As cinco formas de decisão pessoal Os obreiros empenhados na integração espiri¬tual dos que vêm ao altar nos cultos e campanhas devem identificar logo o tipo de decisão que a pes¬soa está tomando. Estes tipos são: a. Decisão para salvação (não-crentes). b. Decisão para certeza de salvação (pseudo-crentes). c. Decisão para restauração espiritual (desvia¬dos). d. Decisão para trabalho específico para Deus (crentes). e. Decisão para dedicação pessoal (crentes). 4.1.4. As necessidades básicas do novo converti¬do a. Amor (Jo 15.12). Alimentação e cuidado sem amor, gera desequilíbrio. b. Alimentação (1 Pe 2.2). Sadia e apropriada para a idade. c. Energia, poder (At 1.8). O batismo no Espíri¬to Santo. d. Proteção (1 Pe 5.8). Tentações. Crises espiri¬tuais. Doutrinas falsas. Que é o “joio” de Mt 13.25? e. Doutrinas bíblicas, bem como ética e deveres cristãos em geral. f. Maturidade (Mt 5.48; Ef 4.13,14; Cl 1.28). 4.2. Assuntos prioritários a serem ensinados na fase da integração do novo convertido 4.2.1. Sua dedicação total a Deus. Jesus não somente quer ser o nosso Salvador, mas também o nosso Senhor. Ê preciso inteira submissão a Cristo. Ê o que Ele ensinou no Sermão do Monte: “Seja feita a Tua vontade”. A vontade de Deus deve pre-dominar em todas as esferas de nossa vida. Para muitos crentes, Jesus é apenas o Salvador de suas almas, mas não o Senhor de suas vidas e de tudo quanto têm. Não é de admirar que sejam raquíticos espiritualmente e tenham um testemunho fraco. 4.2.2. Testemunhar de Cristo. Isto deve ser es¬pontâneo, além de ser um dever para com o Salva¬ dor Jesus. Esse testemunho deve incluir os paren¬tes (Mt 10.32,33). 4.2.3. Batismo em água. Ê uma ordenança bíblica. É necessário para tornar-se membro da igreja local e participar de seus privilégios. Ê tam¬bém um testemunho público da identificação e da nova vida com Cristo (Mc 16.16; Rm 6.4; Cl 2.12). 4.2.4. Batismo com o Espírito Santo. Ê a pro¬messa do Pai e de Cristo (Jl 2.28,29 com At 2.16; Lc 24.49; Jo 15.26; 16.7; At 1.8; 2.1-4). Busque esse batismo glorioso para que a plenitude do Espí¬rito Santo seja uma realidade em sua vida. Há mui¬ta diferença em ter o Espírito Santo na conversão, e ser cheio dele depois disso. Na conversão recebemos vida; no batismo com o Espírito Santo recebe¬mos poder. 4.2.5.Comunhão constante com Deus. Isto atra¬vés da oração, meditação, estudo da Bíblia, reu¬niões, etc. Textos para o novo convertido nesse par¬ticular: Sl 119.11,105; At 20.32; Rm 12.1,2; 1 Ts 5.17; 2 Tm 2.15. Você, como novo convertido, não dê um só passo sem a direção do Senhor. Ande com sua mão na mão dele. 4.2.6.Mordomia cristã. De tudo o que você tem, você é apenas administrador, não dono. A mordo¬ mia cristã, além dos talentos e do tempo, inclui as finanças, isto é dízimos e ofertas. Textos: Lv 27.30; 1 Cr 29.5; Ml 3.8-10; 2 Co caps. 8,9. 4.2.7. A importância e os benefícios de pertencer a uma igreja local: • Receber a ministração da Palavra. • Ter oportunidade de trabalhar para Jesus, lo¬calmente. • Gozar do privilégio do culto coletivo. • Receber assistência espiritual quando em ne¬cessidade. • Manter comunhão espiritual com o povo da mesma fé e experiência espiritual. Atos 2.44: “E to¬dos os que criam estavam juntos”. 4.2.8. Participação efetiva nos trabalhos da igreja local. Trabalhe sempre para o crescimento e edificação de sua igreja, nunca para sua redução (Jo 9.4; 1 Co 15.58). Fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras (Ef 2.10). O crescimento espiri¬tual do crente não é só para torná-lo santo e sábio,mas útil. 4.2.9. Deveres para com os irmãos na fé. Amor, consideração, apreço e apoio aos conservos na fé. 4.2.10.Estudo bíblico. Procure aprofundar-se nas Sagradas Escrituras. Faça do estudo bíblico a coisa mais importante da vida. Cultive e promova uma vida espiritual sadia, livre de fanatismo e cos¬tumes sem qualquer base na Palavra de Deus. Pro¬cure adquirir um conhecimento geral das doutrinas fundamentais da Bíblia; domine bem o manuseio do Santo Livro. Isto é um dever. A sua não-observância é pecado contra Deus. O descuido nessa parte pode ocasionar desvio (Is 5.13). 4.2.11.Deveres domésticos, sociais e cívicos. Cumpra seus deveres humanitários e sociais para com a família, seus semelhantes, e o Estado, o que inclui as autoridades constituídas. Verifique até onde vão os seus direitos e onde começam os dos outros. Faça tudo de acordo com a Palavra de Deus. Se achar que anda direito com Deus, verifi¬que se anda também direito com os homens. 4.2.12.Problemas espirituais. Nunca duvide da Palavra de Deus. Muitas vezes o cristão desce ao vale das dificuldades, das provas e apertos. Quando isso acontecer, ele jamais deve guiar-se por seus sentimentos, porque estes mudam conforme as cir¬cunstâncias. Numa hora dessas, o crente que cami¬nhar segundo seus sentimentos pode até pensar ou julgar que está perdido ou rejeitado. O Diabo pode fazer isso. Não é aquilo que sentimos que deve prevalecer, mas aquilo que Deus diz na Sua Palavra. É nela que está escrito: “Estas coisas vos escrevi para que saibas que tendes a vida eterna” (1 Jo 5.13). Aí não diz que tereis a vida eterna, mas: “Para que saibais que tendes a vida eterna”! Não é glorioso? Se sou um cristão segundo o plano da salvação traçado na Palavra de Deus, jamais deverei duvidar dessa Palavra no tocante à salvação. O crente não “pensa” que tem a vida eterna; ele tem a vida eterna. A Bí¬blia o diz, e ele crê na Bíblia. O que Deus escreveu não pode ser mudado. Se você pecar, proceda imediatamente segundo a Palavra de Deus para obter o necessário perdão. Saiba que Deus só perdoa o pecado quando o con¬fessamos e o abandonamos. Caso contrário, é per¬der tempo. Deus aceita o pecador (Lc 15.2). Esta é a grande boa-nova para a humanidade. Uma coisa é você pecar porque foi instigado, acusado, condu¬zido vencido, tentado, e outra bem diferente é vo¬cê pecar porque procura e gosta do pecado. Há três tipos de confissão de pecados, os quais o crente deve observar, conforme o caso, ao buscar o perdão: a. Confissão particular. Entre o crente e Deus somente. O crente faz confissão assim, quando se trata de pecados que só Deus sabe. Se são pecados que só Deus sabe, não leve isto a público! b. Confissão pessoal. Entre o crente e seu seme¬lhante. Deus só perdoa o pecado cometido contra alguém quando acertamos tudo com esse alguém, pois todo pecado é cometido primeiramente contra Deus. Se você não se põe em dia primeiramente com seu semelhante, nada conseguirá de Deus, e quanto mais tempo passar, mais se agravará a si¬tuação. Jamais o crente pode andar direito com Deus e errado com os homens. c. Confissão pública. Quando se trata de pecado público, sabido por todos. Todavia, há casos tão in¬decentes que sua confissão em público traz mais mal do que bem (Ef 5.12). Tais casos confesse ao pastor e só. Sua confissão pública escandaliza.O grande texto bíblico sobre o perdão para o crente penitente é 1 Jo 1.7-9; 2.1. Há muita gente que tem prazer em comentar e espalhar os erros do crente fraco ou desviado. Tais pessoas estão necessitando de auxílio espiritual tanto quanto o crente fraco ou desviado. Graças a Deus que o sangue de Jesus prove, não somente o perdão dos pecados, mas também a sua purificação. No texto de 1 Jo 1.9, a Palavra de Deus revela o duplo aspecto do pecado: o pecado cometi¬do e o pecado congênito. O primeiro é o pecado pra¬ticado. O segundo, o pecado inato, residente na na¬tureza humana. Pecados cometidos Jesus perdoa, mas o pecado residente tem de ser purificado, do¬minado, mortificado. Graças a Deus que, mediante o precioso sangue de Jesus, podemos obter tanto o perdão como a purificação de nossos pecados. Em 1 Jo 1.9 (e nas demais passagens paralelas) o termo “perdão” refere-se a pecados cometidos, e “purifi¬car”, a pecados congênitos. O pecado congênito não pode ser perdoado e sim vencido. (Veja o Salmo 51.) Quando alguém cai sempre num mesmo pecado e sempre está a pedir perdão, o que precisa não é propriamente de perdão, mas de purificação atra¬vés do poderoso sangue de Jesus. Um caso clássico de perdão e purificação temos em Davi, no Salmo 51. No v.l, perdão; nos vv. 2-7, purificação. Ele ti¬nha sido perdoado, mas continuava a sentir a instigação irresistível para pecar. Esta purificação do pecado é a santificação obtida mediante o sangue de Jesus, conforme Hb 13.12. No Calvário, Jesus venceu para sempre o pecado. Mais uma palavra: Se você é um filho de Deus segundo a Bíblia, vivendo em obediência, você nunca está só. Deus sempre estará a seu lado. Se um crente vier a perguntar “Será que Deus se inte¬ressa por mim?” A resposta divina será sempre João 3.16. (Vide também Isaías 40.11.) Deus não tem prediletos! (At 10.34). 4.2.13. Viva uma vida santificada (Lv 20.26). Deus só pode usar vasos limpos (2 Tm 2.21). Deus opera a santificação no crente, mediante: - O precioso e poderoso sangue de Jesus Cristo (Hb 9.12,13; Hb 13.12). - O Espírito Santo (Rm 8.2; 1 Pe 1.2). Ele livra da lei do pecado. Aleluia! - A Palavra de Deus (Jo 17.17). - A oração: Estimule o novo-convertido a uma vida de oração (Lc 18.1; 1 Ts 5.17). - 5. TRATANDO COM CRENTES ADULTOS NA FÉ As passagens abaixo são apropriadas ao tratar-se com crentes. As partes sublinhadas parecem ser mais tocan¬tes. Use estas mensagens divinas quando: a. Tudo estiver bem: 1 Cr 29.11-20; Sl 1; 33.12-22; 96; 100; 103; 104; 150; 1 Tm 6.6-21. b. Estiver satisfeito consigo mesmo, egocêntri¬co, descuidado: Dt 7; Pv 11; Lc 16. c. Estiver galgando posições melhores na vida: Pv 16; Mt 5.1-16; Fp 3.7-21. Salmo para homens públicos: Sl 101. d. Estiver atribulado, cansado, aflito, inquieto,em prova: Sl 4; 37.1-11; 50.15; 91.15; Jo 16.33; Rm 8.18; / Co 10.13; 2 Co 4.17; Fp 1.29; Hb 3.17-19; 1Pe 1.6,7; 2.21; 5.7. e. Estiver desanimado, triste, abandonado, pe¬saroso: Sl 23; 42; 43; 46; 130; 90; Mt 11.28-30; Jo 14; 20: 1 Co 15; 1 Ts 4.13 a 5.28; Hb 13.5; Ap 21;22. f. Estiver sendo tentado ou instigado a pecar: Sl 52; 139; Ef 6; Fp 4; Tg 1. g. Sentir-se fraco ou tiver cometido pecado: Sl 27; 51; 61; Is 43; Mt 18.21,22; Lc 15; Hb 4.14,15; Tg 5.16; 1 Jo 1. h. Estiver enfermo, passando por sofrimentos diversos, ou sendo perseguido: Êx 15.26; Sl 6; 23; 37; 41; 91; 103; 118; Is 35.4; 53.4,5; Jr 20.11; Tg 5. 14-16. i. Não puder dormir devido a preocupações vá¬rias: Sl 3; 4; 121; Pv 3 (especialmente o v.24); Is 41.10. j. Sentir que está próximo da morte: Jo 14; 1 Co 15; 2 Co 5.1-8; Ap 21.1-7. 1. Estiver enfrentando uma crise: Sl 32.8; 37; 94; 121; 725; Ec 5; Is 55.6-9. m. Sentir-se sobrecarregado de ocupações: Ec 3.1-13; Is 40.28-31. n. Sair para divertir-se: Pv 21.17; Mt 6.24; Mt 13.32; 1 Co 10.21,31; 2 Co 6; Gl 5; Tg 4.4. o. Estiver impaciente: Sl 40; 90; Ec 3.1-8. p. Guardar rancor contra alguém e não quiser perdoar: Sl 37; Mt 5:38^48; 18.23-35; Mc 11.25,26; 1 Co 13; Ef 4: 1 Pe 3.8-17; 1 Jo 4.7-21. q. Sentir-se com medo, inclusive nas tempesta¬des: Sl 14.15-18; 23; 29; 34.4; 91; Is 40.18-31; 49.14,15: Jo 15.12-15. r. Achar que ter apenas título de crente ou membro da Igreja é o suficiente: Mt 7.21,22; Jo 3.5; Ef 2.8.9; Tt 1.16; Hb 12.14; Tg 2.14. s. Achar que ser crente somente em casa sem nunca ir à igreja é o suficiente: Sl 27.4; 122; At 2.42-46; Hb 10.25. A igreja precisa de seus mem¬bros (1 Co 12.22), e você precisa da Igreja (Ef 4. 12,13). t. Não quiser deixar companhias e amizades pre¬judiciais: 2 Cr 19.2; Sl 1.1; Pv 1.10-15; 24.1,2; 1 Co 15.33; 2 Co 6.15; Tg 4.4. u. O Diabo estiver atacando: Js 1.5; Sl 72.4; Sl 91.13; Jr 20.11; Mt 4.4a, 7a, 10a; Lc 10.19; Jo 10.27-29; Rm 16.20; Ef 6.11-18; 2 Tm 4.18; Hb 13.5; Tg 4.7; 1 Pe 5.8,9; Ap 12.11. v. Estiver avançado em idade: Sl 71; 90 x. For viúva: Isaías 34 (todo). z. For perseguido por amigos (?): Sl 41; 55. Medite diante do Senhor, e chegue a uma con¬clusão definida para saber como você poderá evangelizar mais, utilizando Seu tempo Seus talentos Seu dinheiro Que os fatos abaixo, a partir de agora, sejam uma realidade em sua vida: Meu alvo: O mundo para Cristo. Meu anseio: Ser revestido da nossa habitação celestial (2 Co 5.2).; Minha visão: A Ampliacão do reino de Deus. Meu receio: A noite vem quando ninguém pode trabalhar (Jo 9.4). Observação final - Uma das razões da indife¬rença e da inatividade de igrejas e crentes na obra da evangelização dos perdidos vem do seu descuido quanto a vinda de Jesus. Os cristãos primitivos foram ativos na evangeli¬zação, não só porque eram cheios do Espírito San¬to, mas também porque esperavam a volta de Jesus naqueles dias – em seus dias! E nós ?